Roque Amadeu Kreutz
Apresentação
Esta proposta metodológica – Gramática em função do texto – nasceu de minhas lembranças, um tanto vagas, do método implícito na coletânea “Gramática através de textos”, de Magda Soares Guimarães, obra didática difundida nas escolas na década de setenta. Embora me sinta pequeno perante a Profª. Magda e me considere um professor de pouca projeção no meio acadêmico, sinto-me impelido a partilhar algumas experiências profissionais com colegas de ensino e com estudantes de Letras.
Quero deixar claro que as atividades de aprendizagem sugeridas neste caderno não foram produzidas com o objetivo de promover uma aprendizagem sistemática de conteúdos gramaticais. Pelo contrário, pretendem ser meros exemplos de atividades para estudantes e professores, servindo de referência para criar outras atividades voltadas ao uso dos recursos expressivos da língua portuguesa.
Com esse propósito, dividi o trabalho em duas partes: a primeira, apenas introdutória, situando o(a) estudante/professor(a) no seu contexto teórico-prático; a segunda, mais longa e mais importante, exemplificando atividades voltadas ao aperfeiçoamento de certos aspectos da leitura e da produção textual, ou seja, aspectos relacionados à gramática. E, para ativar a memória dos que tiverem interesse de criar atividades do tipo aqui exemplificadas, acrescentei um anexo, que contém um rol de atividades possíveis (embora estejam longe de esgotar o assunto).
1. O contexto do(a) professor(a)
1.1 Experiência profissional…
Nesta seção, apresento uma reflexão crítica sobre certas práticas pedagógicas tradicionais do professor de português, bem como uma avaliação da formação recebida em cursos tradicionais de Licenciatura em Letras, buscando aí encontrar elementos que possam contribuir para um ensino produtivo da língua materna. Vou iniciar com fatos por mim vividos ou testemunhados, os quais, com o tempo, se transformaram em objetos de reflexão crítica.
Em 1971, na esteira da reforma do ensino de 1º e 2º graus, após um curso de reciclagem promovido pela SEC/RS, adotei entusiasticamente uma nova maneira de ensinar sintaxe a meus alunos. Orgulhoso de meu novo saber, ensinava-lhes que a divisão da oração em sujeito e predicado era coisa do passado, e que essa concepção somente era adotada por professores desatualizados. No momento, depois das descobertas da Lingüística, a oração deveria ser dividida em seus constituintes básicos: “seqüência nominal” e “seqüência verbal”. Desses dois constituintes iniciais deveriam ser desmembrados os demais constituintes, com denominações diferentes das adotadas pela sintaxe tradicional. Toda essa análise poderia ser demonstrada através de uma “árvore” invertida. Era esse tipo de análise, portanto, que os meus alunos deveriam aprender na teoria e na prática.
Ao lado desses conhecimentos de sintaxe, incutia-lhes também as diferentes denominações exigidas por um conteúdo novo: o processo de comunicação. Era este constituído de elementos tais como: emissor/codificador, receptor/decodificador, código, mensagem, canal. Sempre que meus alunos conseguiam identificar e denominar corretamente esses elementos, seja em histórias em quadrinhos, seja em textos literários, julgava-me um vitorioso, um professor bem sucedido, um professor que cumpria o seu dever e correspondia às expectativas das autoridades educacionais.
É claro que, mais tarde, percebi a minha ilusão, constatando que, infelizmente, não era um bom professor. As minhas aulas, muito embora recheadas de “novos” conhecimentos, da mesma forma do que em tempos idos, quando eram recheadas de velhos conteúdos gramaticais, pouco ou nada contribuíam para aperfeiçoar habilidades dos alunos no uso da língua. Não havia uma correlação entre falar, ouvir, ler e escrever produtivamente e as notas que os alunos conseguiam em provas ou exames. Nem sequer os conteúdos referentes ao processo de comunicação eram produtivos, visto que se limitavam a identificar e denominar os elementos desse processo, ignorando a sua funcionalidade ou importí¢ncia para a leitura e redação.
Se o leitor pensa que as ondas de entusiasmo por novidades mal assimiladas são coisas de um passado remoto, pode estar enganado. Ainda em 1993, quando realizava uma atividade de extensão numa escola de 1º grau, uma colega questionou minha proposta de redimensionamento de conteúdos tradicionais para um ensino produtivo da língua materna. “Aqui – disse ela – já não nos preocupamos mais com conteúdos gramaticais; adotamos o ensino da língua através da leitura.” Dialogando com essa professora sobre a sua prática pedagógica, constatei que se fundamentava somente em conhecimentos intuitivos de leitura, desconhecendo totalmente importantes fundamentos teóricos do estudo do texto. Assuntos como Teoria da Enunciação, Lingüística Textual, Análise do Discurso, entre outras, eram totalmente estranhas para ela. Seguia, entretanto, um princípio pedagógico divulgado às pressas e com viés por autoridades pedagógicas regionais. Em conseqüência, abandonara totalmente o ensino da Gramática Tradicional, convicta de que esta nada mais tinha a contribuir para a leitura e a redação.
Por outro lado, no meu percurso profissional, também já fui testemunho de fatos que traduzem posições situadas no extremo oposto. Recordo aqui um deles, que presenciei no final da década de oitenta. Uma colega de trabalho de 2º grau, ao discutirmos a viabilidade de juntar a “redação” e a “língua portuguesa” numa só disciplina curricular (a exemplo da prática pedagógica adotada pela maioria das escolas), ameaçou não desenvolver a redação em suas aulas, caso houvesse essa fusão, alegando que não poderia prejudicar o ensino da Gramática… Acredito que exemplos desse dogmatismo “gramatiquês” ainda hoje podem ser encontrados em algumas escolas.
Por certo, todas essas situações têm origem no tipo de formação promovida pelos cursos de magistério e de licenciatura em letras. Significativo, nesse sentido, é outro fato: Em 1987, ao colaborar com um curso de especialização em língua portuguesa numa cidade da campanha (RS), ministrei uma disciplina voltada à produção textual. É claro que uma das atividades exigidas para avaliar o desempenho dos cursistas nessa disciplina teria de ser a produção de um texto. Entretanto, qual não foi a minha surpresa quando sofri uma forte contestação em relação a tal exigência. Algumas alunas-colegas até mesmo foram tomadas de um certo pavor. O depoimento de uma delas evidenciou uma situação realmente calamitosa: “Fiz Faculdade de Letras e já estou lecionando há quinze anos, mas nunca precisei escrever um texto.”
Isso, no entanto, não significa que hoje devamos jogar pedras contra os professores responsáveis pela nossa formação. Assim como a nossa práxis, também a deles foi condicionada historicamente. Por isso, em vez de nos limitarmos a formular denúncias, muitas vezes panfletárias, cabe-nos buscar soluções para atenuar os problemas. Portanto, tendo em conta o tipo de formação profissional recebido por grande parte dos colegas (exemplificado pelas situações e os fatos acima relatados), cabe-nos buscar respostas para o seguinte questionamento básico: De que modo o saber adquirido em nossos cursos de formação profissional poderia contribuir para um ensino mais produtivo da língua materna?
A análise desse problema certamente precisa ser precedida pela escolha de um critério de avaliação crítica do saber adquirido em nossos cursos. É com esse propósito que opto pelo critério utilidade do saber acadêmico para a nossa prática profissional. Com base nesse critério, proponho uma reflexão sobre os conhecimentos adquiridos na faculdade, na esperança de descobrir de que maneira esses conhecimentos podem contribuir para otimizar o uso da língua em situações de interação verbal e de que maneira podem nos servir para orientar/avaliar o uso adequado da língua por nossos alunos.
Analisando sucintamente a grade curricular de um curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e respectivas Literaturas caracterizada como “conservadora”, podemos constatar que
a) os diferentes segmentos de Língua Portuguesa (I, II…VIII) abrangem, além do estudo do léxico, o estudo de uma gramática geralmente normativa, embora com algumas incursões na Lingüística, exigidas para atenuar contradições teóricas;
b) os diferentes segmentos da Lingüística vão somando partes de um todo conhecido como gramática descritiva, constituindo referencial teórico para pesquisas que visem a descrever uma língua ou variedade lingüística em suas dimensões fonológica, morfológica e sintática;
c) os diferentes segmentos do Latim e da Filologia formam um quadro conceitual para explicar certas transformações diacrônicas, bem como a etimologia do Português e/ou de outras línguas neolatinas;
d) os diferentes segmentos de Literatura compreendem fundamentação teórica e atividades práticas para a leitura e análise de textos literários;
e) a parte do currículo que constitui a área da formação pedagógica abrange conhecimentos teórico-práticos sobre o desenvolvimento e o modo de ser do homem (aluno), privilegiando aspectos que se relacionam à eficácia do processo ensino-aprendizagem.
Nessa rápida análise de currículo já estão embutidas algumas avaliações, as quais deixam transparecer a utilidade de variados componentes curriculares para a prática profissional do professor de Português. Por exemplo, para que o professor consiga caracterizar a variedade lingüística de seus alunos, pode recorrer a seus conhecimentos de gramática descritiva, aprendidos na Lingüística (tradicional). Somente assim sentir-se-á seguro para identificar dificuldades de desempenho de seus alunos na variedade padrão e sugerir-lhes atividades adequadas para a sua superação. Da mesma forma, a teoria e as atividades práticas desenvolvidas na área da Literatura poderão servir-lhe de guia para promover a aprendizagem da leitura/interpretação de textos literários e, em certos casos, para esclarecer o sentido de textos não literários. Ao lado disso, poderá recorrer a seus conhecimentos de Latim, Filologia e Morfologia do Português para promover reflexões e inferências de sentido de palavras que ocorrem nas atividades de leitura. Somam-se a tudo isso os seus conhecimentos adquiridos nas matérias pedagógicas (Psicologia, Sociologia, Filosofia, Metodologia, Práticas de Ensino, etc.) que o orientarão para identificar fatores biopsicossociais que bloqueiam ou desencadeiam a aprendizagem de seus alunos.
Entretanto, na formação profissional do professor também se encontram componentes curriculares cuja função prática não se manifesta com tanta clareza. Refiro-me especialmente à área de Língua Portuguesa, apresentada na letra “a”. Influenciados por uma concepção tradicional de ensino de Português, muitos professores de 1º e 2º graus parecem acreditar que seus alunos estão aprendendo a variedade padrão da língua quando, além de memorizarem o significado literal de um grande número de palavras, sabem classificar fatos fonológicos e morfossintáticos de estruturas lingüísticas modelares, bem como as regras que comandam a respectiva estruturação. Em outras palavras, acreditam que o aluno precisa conhecer a anatomia da variedade padrão da língua para usá-la corretamente quando dela precisar.
Essa crença, na área profissional da saúde, por exemplo, seria considerada um verdadeiro absurdo. Imagine-se um médico que, depois de ter consultado um paciente e diagnosticado o seu problema, se esmerasse em incutir-lhe toda uma nomenclatura técnica, exigindo que o doente soubesse fazer uma série de classificações e memorizasse princípios de funcionamento do órgão afetado, acreditando que assim o estaria curando.
Todavia, o médico precisa de seus conhecimentos técnicos para acertar o diagnóstico e prescrever dietas, atividades físicas ou medicamentos que solucionem o problema do paciente. Além disso, seu trabalho a favor da saúde se tornará mais produtivo se recorrer a uma reflexão conjunta com seu paciente sobre o funcionamento do órgão afetado e se destacar o inter-relacionamento desse órgão com outros órgãos e com o organismo todo. Assim estará ajudando o paciente a prevenir problemas futuros.
De modo análogo, os conhecimentos da gramática descritiva (Lingüística) e os do léxico e da Gramática Normativa, adquiridos no curso de formação profissional do professor de Português, podem ser úteis para orientar eficazmente o processo de aprendizagem do aluno. Orientado por seus conhecimentos de Lingüística, o professor poderá inferir regras que os alunos usam para se comunicarem em sua variedade lingüística materna; orientado pela Gramática Normativa, conseguirá avaliar diferentes desempenhos lingüísticos na variedade padrão; e, mediante a comparação de todos esses dados, obterá subsídios para programar atividades que habilitem os alunos a usar eficazmente a variedade padrão em situações em que seu uso é recomendado socialmente.
Cabe-me ressaltar também que, para avaliar eficazmente o desempenho lingüístico dos alunos, o professor de língua materna precisa se orientar por uma teoria gramatical e lexical. Essa teoria, na maioria dos casos, se concretiza na Gramática Normativa e no dicionário. É nesses fundamentos teóricos que o professor se baseia para avaliar o que está de acordo com a variedade padrão e o que não está. Assim, ao “corrigir” um trabalho (um texto) produzido pelo aluno, o professor irá fundamentar-se em seus conhecimentos de ortoepia/ortografia (fonologia), processos de formação de palavras, flexões nominais e verbais, construção de sintagmas ou locuções, diferentes possibilidades de construção de frases (frases nominais, períodos simples e compostos dos mais variados tipos, figuras de sintaxe), uso de pronomes e outras classes, etc. etc. Fica, assim, evidenciado um dos usos profissionais da Gramática Normativa e do dicionário.
Um segundo uso desses conhecimentos deve, certamente, passar por uma avaliação mais rigorosa. Refiro-me ao uso de práticas pedagógicas constituídas de experimentos com a linguagem. Podem estes concretizar-se por atividades de reflexão sobre itens gramaticais e lexicais, sempre que estes contribuírem para aperfeiçoar o desempenho dos alunos na compreensão/interpretação de textos (orais e escritos); ou por atividades de reconstrução de unidades de sentido que visem a explorar diferentes possibilidades de expressão, bem como os resultados semântico-pragmáticos destas.
Desse princípio metodológico genérico, podem ser depreendidas três orientações específicas:
I – Nem todos os conteúdos contidos na Gramática Normativa (ou propostos por programas tradicionais) contribuem para aperfeiçoar a interação verbal dos alunos, ou seja, nem todos melhoram suas habilidades de falar, ouvir, ler e escrever na variedade padrão.
II – De uma prática pedagógica voltada para o uso da linguagem pode ser depreendida uma hierarquia de conteúdos gramaticais, já que uns são mais importantes do que outros para a aprendizagem de interações verbais eficazes.
III – Não existe justificativa plausível para propor a aprendizagem de conteúdos gramaticais que não contribuam para aperfeiçoar o uso da linguagem.
Feitas essas reflexões, proponho aqui algumas considerações:
a) Às vezes não é fácil descobrir a utilidade de certos conteúdos tradicionais. Experimentei essa dificuldade por diversas vezes. Somente em 1994, quando refletia sobre os critérios de divisão dos textos em figurativos e temáticos – tipos textuais sugeridos por Platão e Fiorin (Ática: S. Paulo, 1994) – percebi que as noções de substantivo concreto e abstrato são importantes para evidenciar nuances de sentido em textos figurativos e temáticos, respectivamente.
b) De acordo com as reflexões anteriormente apresentadas, mesmo os conhecimentos adquiridos numa formação profissional conservadora podem ser transformados em conhecimentos úteis para um ensino produtivo da língua. Basta que os redimensionemos, explorando suas contribuições para elucidar melhor os sentidos de textos orais ou escritos, ou usando-os como recursos para produzir textos eficazes em nossa prática social. Entretanto, esses conhecimentos não são suficientes; por isso devem ser complementados por teoria(s) que aborde(m) a linguagem como interação verbal (Teoria da Enunciação, Lingüística Textual, Análise do Discurso, etc.).
c) Numa prática pedagógica interativa, o conhecimento é construído com a participação efetiva dos alunos. Portanto, o professor não apresenta verdades absolutas, mas problemas a serem discutidos dialogicamente até que se encontrem soluções plausíveis, mesmo que essas soluções devam ser buscadas em livros…
1.2 Recém formado…
Diploma: Licenciado em Letras – Formado na faculdade para ser professor de Português de alunos de 1º e 2º graus. E agora, José?
Geralmente, os novos professores de Português saem da faculdade recheados de teorias: Saussure, Jakobson, Chomsky, Ducrot, Pêcheux… Ao lado dessas teorias, possuem algumas habilidades práticas: sabem fazer classificações fonético-fonológicas, morfológicas, sintáticas, semânticas, pragmáticas. E, se têm sorte, mesmo que não saibam elaborar, pelo menos sabem resolver atividades de leitura e produção de textos.
Assim preparados, vão para uma escola. Lá encontram os programas da disciplina já prontos e colegas “experientes” no ensino de Português; experiência que, não raro, se reduz ao ensino da Gramática, isto é, ao ensino da metalinguagem. Sem condições de promoverem uma aprendizagem mais eficaz do que a adotada pelos colegas, os novatos se adaptam ao sistema, entrando no círculo de sua eterna reprodução. Ou seja, adotam uma prática docente que consiste em “explicar/ensinar sistematicamente as regras da gramática tradicional para exigir sua aplicação na escrita”. Nesse contexto, muitos professores de Português (novos e antigos) se “matam” ensinando regras gramaticais e corrigindo exaustivamente erros dos trabalhos escritos de seus alunos. Mesmo assim, os resultados costumam ser desalentadores.
Os fatores responsáveis pela ineficácia do ensino certamente são múltiplos, desde a má remuneração profissional até a sobrecarga de aulas e atividades docentes. No entanto, entre os fatores negativos, há também um que pode ser atenuado pela competência profissional: o desenvolvimento de um método eficaz para o ensino da linguagem verbal. Por isso, os métodos tradicionais de ensino da língua materna, com razão, são denunciados pelos profetas das mudanças, os quais defendem teses tais como: Uma língua se aprende pela prática; as classificações e as regras gramaticais pouco ou nada contribuem para o uso da língua materna; se a criança aprende a linguagem falada ouvindo e falando, supõe-se que aprenda a linguagem escrita lendo e escrevendo. Segundo essas teses, o ensino da Gramática precisaria ser abolido nas escolas. Deveria ser substituído pela leitura/interpretação e produção de textos.
Acontece, porém, que alguns dos defensores desses princípios metodológicos gastam toda a sua munição em denunciar problemas. No momento de anunciar soluções, ficam nas generalidades, limitando-se a propor o centramento do ensino em práticas de leitura e atividades de produção textual. E, embutidos nessas soluções genéricas, encontram-se novos problemas, tais como: De que modo ensinar a língua através da leitura/interpretação e da produção de textos? Que atividades práticas realizar para conseguir resultados eficazes? Será que os conteúdos gramaticais nada têm a ver com essa proposta?
A busca de alternativas para responder a esses e outros questionamentos – repito – certamente começa por uma avaliação da praticidade dos conhecimentos adquiridos na faculdade. Para realizá-la, é preciso, antes de tudo, ativar o espírito crítico, separando, nas diferentes teorias, o joio do trigo, até mesmo para valorizar o trigo da Gramática Tradicional; além do mais, é preciso ativar o espírito inventivo para transformar em prática os pontos teóricos que são relevantes para a aprendizagem e o aperfeiçoamento do uso da linguagem.
Nesse sentido, creio que seria bem mais produtivo inverter a prática pedagógica tradicional. Segundo me parece, os alunos deveriam aprender não tanto a classificação, mas, sobretudo, o uso de mecanismos expressivos da língua. Deveriam, isso sim, internalizar regras gramaticais e lexicais pela prática, iniciando essa aprendizagem de forma assistemática, através de atividades de uso da linguagem em situações reais ou simuladas de interação verbal (vinculadas a uma prática social). Entre essas atividades, inclui-se também a reconstrução textual e frasal (reescritura).
Deve ficar claro, porém, que a realização de exercícios assistemáticos, voltados para uso da língua, não dispensa o professor de português de conhecimentos sistemáticos, já que deles precisa para diagnosticar problemas de desempenho dos alunos, bem como para selecionar e/ou criar atividades de aprendizagem. Ou seja, um professor competente precisa também da metalinguagem, para apropriar-se de princípios e regras que subjazem ao uso da Língua Portuguesa Padrão e de outras variedades. Só assim poderá programar atividades de aprendizagem condizentes com as necessidades de seus alunos.
Em outras palavras, ao propor uma nova proposta metodológica, não estou afirmando que, para os alunos de níveis escolares mais adiantados (ensino médio ou superior), o ensino sistemático da gramática não seja proveitoso, sobretudo se for realizado em função da leitura e da produção de textos. Segundo FRANCHI (1988), um bom ensino de Português deveria ser realizado por níveis ou graus de dificuldade e abstração. Para isso, o mesmo autor sugere atividades lingüísticas num primeiro nível, seguidas de atividades epilingüísticas e finalizadas por atividades metalingüísticas. Em estudo de sua autoria publicado, em 1988, pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, sob o título “Criatividade e Gramática”, Franchi explica esses níveis:
“Atividade lingüística é nada mais que o exercício pleno, circunstanciado, intencionado e com intenções significativas da própria linguagem. Ela já se dá, obviamente, nas circunstâncias cotidianas da comunicação no âmbito da família e da comunidade de nossos alunos. E somente pode reproduzir-se, na escola, se esta se tornar espaço de rica interação social que, mais do que mera simulação de ambientes de comunicação, pressuponha o diálogo, a conversa, a permuta, a contradição, o apoio recíproco, a constituição como interlocutores reais do professor e seus alunos e dos alunos entre si. Em outras palavras, há que se criarem condições para o exercício do ’saber lingüístico’ das crianças, dessa ‘gramática’ que interiorizaram no intercâmbio verbal com os adultos e seus colegas.” (FRANCHI, 1988, p.35).
Ao explicar as atividades epilingüísticas, o mesmo autor assim se expressa:
“Trata-se de levar os alunos desde cedo a diversificar os recursos expressivos com que fala e escreve (sic) e a operar sobre sua própria linguagem, praticando a diversidade dos fatos gramaticais de sua língua. É aí que começa uma prática ou a intensificação de uma prática que começa na aquisição da linguagem, quando a criança se exercita na construção de objetos lingüísticos mais complexos e faz hipóteses de trabalho relativas à estrutura de sua língua. Chamamos de atividade epilingüística a essa prática que opera sobre a própria linguagem, compara as expressões, transforma-as, experimenta novos modos de construção canônicos ou não, brinca com a linguagem, investe as formas lingüísticas de novas significações.” (Ibidem, p. 36.)
As atividades metalingüísticas, que traduzem o terceiro conceito dessa escala, referem-se à denominação, classificação e sistematização dos fatos lingüísticos à luz de uma teoria gramatical. Em outras palavras, as atividades metalingüísticas são realizadas pelos estudantes para provarem seu conhecimento sistemático e classificatório dos fatos de uma língua (bem ao estilo do ensino tradicional da gramática).
Como se vê, o ensino da metalinguagem não está sendo banido, mas está sendo colocado no lugar que deve ocupar numa escala de valores no processo pedagógico. Além do mais, o ensino da metalinguagem somente se justifica em função do uso, que deve atingir tanto o pólo do receptor (leitor) quanto o pólo de emissor (autor).
Depois de realizar uma crítica preliminar sobre a utilidade dos conteúdos lingüísticos para a recepção e produção textual, cabe ao professor estabelecer prioridades para o seu trabalho pedagógico. Entre os diferentes conteúdos listados, deverá escolher os mais relevantes, isto é, os que poderão contribuir mais efetivamente para o aperfeiçoamento da leitura/interpretação e da produção de textos (escritos e orais). Isso, porém, não deve implicar o abandono de conteúdos menos relevantes, sobretudo se estes forem pré-requisitos numa escala progressiva de aprendizagem.
Em sintonia com essa linha de raciocínio, está a orientação metodológica implícita nas atividades sugeridas neste caderno. Entretanto, antes da execução de atividades do tipo a seguir exemplificadas, o texto deve ser lido despretensiosamente, para ser “curtido” pelo leitor. Só assim o texto cumprirá a sua função primordial: a de ser lido por alguém interessado no assunto. Somente depois desse processo de fruição da leitura se justificam outras atividades, voltadas à aprendizagem do uso produtivo da língua, entre as quais atividades semelhantes í s sugeridas nas lições apresentadas.
2. Exemplificação de atividades de aprendizagem
Na exemplificação desta proposta metodológica – Gramática em função do texto – proponho atividades que visam especificamente a exercitar o uso de variados recursos da língua materna escrita. Com o objetivo de sugerir uma aprendizagem eficaz de alguns aspectos da leitura e da redação, não privilegio as classificações gramaticais envolvidas nessas operações. Fique claro, porém, que se trata apenas de uma entre outras alternativas metodológicas possíveis, centrada predominantemente em atividades de reconstrução textual e frasal.
O primeiro e mais elementar objetivo do ensino produtivo da língua materna é criar ambientes lingüísticos favoráveis à aprendizagem espontânea da gramática da língua portuguesa escrita. O segundo objetivo, já mais pretensioso, indispensável para séries mais adiantadas, é refletir sobre as diferenças de sentido conotativo, retórico, pragmático… de duas ou mais construções de sentido denotativo equivalente. Com isso, o aluno aprenderá a selecionar adequadamente recursos expressivos de sua língua para produzir textos que alcancem os objetivos por ele pretendidos.
A exemplificação desta proposta didática inicia com textos e atividades bem simples. Gradualmente, porém, apresenta atividades mais complexas para, no final, introduzir atividades que já pressupõem conhecimentos metalingüísticos. As lições iniciais (de I a XVI) contêm, além das atividades, reflexões teóricas e a explicitação dos objetivos didáticos das atividades exemplificadas. Nas lições finais, essas partes são omitidas, com base no pressuposto de que o(a) estudante/professor(a) já tenha aprendido a realizar sozinho tarefas idênticas, devendo, então descobrir os fundamentos teóricos e os objetivos implícitos nas diferentes atividades.
I – O sapo
Ao passar perto do rio, o sapo ouviu dois patos conversando. O pato mais velho dizia:
? Sabe, amigo, amanhã vai haver uma grande festa no palácio. Esta festa será em homenagem ao sapo.
? Ao sapo? Que fez o sapo para merecer tal homenagem? – perguntou o outro.
O pato velho explicou:
? O sapo é amigo de todos. Ele come os bichinhos terríveis que destroem as plantações.
Ao ouvir tais palavras, o sapo ficou muito contente e voltou para casa.
(Adaptado de MALBA TAHAN. Paca-Tatu… Rio, Ed. Conquista. Apud: MORAES, Lídia Maria de; ANDRADE, Mariana. Mundo Mágico: primeiro grau – Livro 1. 6 ed., São Paulo: ítica, 1985. p. 15)
ATIVIDADES
(Alerta: Não esquecer a orientação metodológica sugerida no final da primeira parte: (a) Antes de mais nada, o aluno deverá ler despretensiosamente o texto para “curti-lo”. (b) Depois, o professor, através de atividades tradicionais de leitura compreensiva (já conhecidas pelos professores), poderá fazer perguntas para motivar os alunos a ajudarem a esclarecer o sentido explícito do texto. (c) Somente numa terceira etapa se justificam atividades semelhantes í s sugeridas nestas lições.)
1. Em vez de dizer “Ao passar perto do rio,” (linha 1) também se pode dizer: _______________
2. Em vez de dizer “amanhã vai haver uma grande festa”, também se pode dizer: ____________
3. Em vez de colocar “perguntou o outro” no final da frase dita pelo pato mais novo, essa explicação também poderia ser colocada, ou antes, e no meio da frase. Nesse caso, tudo junto ficaria assim: ____________________________.
4. Em vez de “Ao ouvir tais palavras” (na última frase), também se poderia dizer: ___________
REFLEXíƒO (para o/a professor/a)
Para realizar as atividades aqui sugeridas, é preciso que o aluno saiba se comunicar em português e tenha certa fluência na leitura de textos simples, de modo que possa captar o sentido destes, pelo menos em nível superficial (ou explícito).
OBJETIVOS:
Questões 1 e 4: aprender estruturas oracionais equivalentes que expressam tempo: “Ao passar perto do rio” = “Quando passava perto do rio.” Ou: “Passando perto do rio.”…
Questão 2: perceber que a locução verbal “vai haver”, muito usada na linguagem falada, equivale a “haverá”, mais usada na linguagem escrita.
Questão 3: aprender as várias maneiras com as quais o autor pode introduzir ou referir o discurso direto no texto.
II – O grão de milho
Uma galinha achou um grão de milho.
? Quem quer plantar este grão de milho?
? Eu não quero! ? disse o galo.
? Eu também não! – disse o pato.
Então a galinha resolveu plantar o grão de milho.
O tempo passou. O pé de milho cresceu e deu bonitas espigas.
A galinha procurou seus amigos e perguntou:
? Quem quer colher as espiguinhas?
? Eu não quero! ? disse o galo.
? Eu também não! – disse o pato.
A galinha colheu as espigas e debulhou o milho. Ninguém quis ajudá-la. Fez tudo sozinha.
Então a galinha perguntou:
? Quem quer comer o milho?
? Eu quero! ? disse o galo.
? Eu também quero! – disse o pato.
A galinha comeu sozinha todos os grãos de milho.
O galo e o pato ficaram olhando muito sem graça.
(Adaptado do folclore. Apud: MORAES, Lídia Maria de; ANDRADE, Mariana. Mundo Mágico: primeiro grau – Livro 1. 6 ed., São Paulo: ítica, 1985. p. 27)
ATIVIDADES
1. Procure um lugar no texto em que você pode acrescentar a seguinte explicação: “Em seguida, olhando para os companheiros, ela perguntou:”
2. Para o texto ficar um pouco mais bonito, em alguns lugares você pode substituir a palavra “disse” por ________________.
3. Procure um lugar no texto em que se poderia colocar a palavra “novamente”.
4. Com uma ou duas palavrinhas, ligue as duas frases seguintes: “Ninguém quis ajudá-la. ________________ fez tudo sozinha.”
REFLEXíƒO
í‰ através de atividades que o aluno pode aprender que o texto é um todo organizado: Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. Essa organização ajuda a entender o todo; por isso, mesmo que certas coisas não sejam ditas, podem ser inferidas.
OBJETIVOS:
Atividades 1, 3 e 4: esclarecer ligações entre partes do texto e preencher “vazios” ou “entrelinhas” que o autor omite, esperando que o leitor saiba preenchê-los.(O exercício faz com que o leitor tome consciência da leitura das entrelinhas e aprenda a usar os recursos da língua que poderiam estar nesses “vazios”.)
Atividade 2: compreender melhor a interação verbal (diálogo): a uma pergunta segue uma resposta; portanto, em vez de “disse”, o autor poderia ter usado “respondeu”.
III – Era uma vez uma fada
Era uma vez uma fada
Que um passarinho comprou,
Numa bonita gaiola,
E perto dele ficou
Durante horas e horas,
Seu doce canto a escutar;
Depois, abriu a gaiola
Para deixá-lo voar…
(ROSE FYLEMAN. Em: O mundo da criança. Rio, Ed. Delta. v. 1. (Adaptado por M.L. Figueiredo). Apud: MORAES, Lídia Maria de; ANDRADE, Mariana. Mundo Mágico: primeiro grau – Livro 1. 6 ed., São Paulo: ítica, 1985. p. 39)
ATIVIDADE
Transforme a poesia em prosa. Para isso, copie o mesmo texto mudando apenas a ordem das palavras nas frases.
REFLEXíƒO
As formas dos textos se fundamentam, sobremaneira, sobre seus objetivos: Textos que têm o objetivo de divertir ou comover as pessoas são diferentes de textos que têm o objetivo de relatar fatos realmente acontecidos ou dar explicações sobre fenômenos do mundo/universo. (Reflexão complementar: Funções da linguagem…)
OBJETIVO:
- tomar consciência das formas dos textos em verso e em prosa; perceber que, na linguagem escrita, a ordem das palavras e expressões não é rígida, mesmo que a gramática imponha limites.
IV – A onça e a raposa
A onça caiu num buraco e quebrou a perna. Ela não podia caçar e começou a passar fome.
A onça teve, então, uma idéia:
? Comadre arara, vá í floresta e fale para os animais que estou doente e que venham visitar-me.
A arara foi e deu o recado.
Os animais, então, começaram a sair para visitar a onça. Foi a cegonha, foi a capivara, foi a cutia, foi o jabuti, foi o lobo e foi a anta. A raposa foi por último.
A raposa chegou lá e viu o rastro de todos os animais. Mas o rastro era só de entrada. De saída, não viu nenhum rastro. A raposa disse:
? Ah! Então, é fácil entrar. Mas sair, ninguém saiu. Não sou boba, não.
A raposa foi embora e avisou todos os animais.
(LíšCIA CASASANTA. As mais belas histórias. Belo Horizonte, Ed. do Brasil, 1974, 2º livro. Apud: MORAES, Lídia Maria de; ANDRADE, Mariana. Mundo Mágico: primeiro grau – Livro 1. 6 ed., São Paulo: ítica, 1985. p. 56)
ATIVIDADES
1. Use as seguintes explicações no começo da história, colocando-as no lugar certo: Certo dia… Por isso…
2. Escreva a terceira frase do texto várias vezes, trocando a palavrinha “então” de lugar (sem que a frase fique errada).
3. Complete: A arara foi e deu o seguinte recado:
? _________________________________
4. Preste atenção ao sentido da seguinte frase: “Os animais, então, começaram a sair para visitar a onça.” Copie esta frase, mas substitua uma das palavras pela expressão “com a finalidade de”, sem mudar o sentido.
5. A palavrinha “foi” está repetida seis vezes numa mesma frase. Essa repetição não é necessária se você substituir “foi” por _________
6. Quase no fim da história está escrito. “A raposa disse:” Para quem foi que ela disse? ___________________. Portanto, a palavra “disse” poderia ser substituída por _____________.
REFLEXíƒO
Num texto, cada palavra, cada oração, cada período ou frase nominal, cada parte (por menor ou maior que seja) só adquire sentido se tiver ligação com outra unidade de sentido do mesmo texto. Se tais ligações forem claras para todos, não será preciso recorrer a recursos lingüísticos para expressá-las. Entretanto, se assim não for, é preciso saber explicitá-las eficazmente. (í€s vezes o professor foge dessa responsabilidade, estimulando os alunos a escreverem textos com frases curtas, nas quais possam ser dispensados os elementos de ligação…).
OBJETIVOS:
Atividade 1: aprender a usar elementos de ligação entre partes ou proposições do texto.
Atividade 2: explorar as diferentes colocações possíveis de um adjunto adverbial.
Atividade 3: usar o discurso direto num “vazio” do texto.
Atividade 4: tornar mais explícita a relação de finalidade entre duas proposições.
Atividade 5: aprender a usar o verbo no plural quando o sujeito é composto.
Atividade 6: perceber que “falar consigo mesmo” é “pensar”.
V – O desobediente castigado
Fábio falou:
? Mamãe, vou tomar banho frio.
? Não faça isso, meu filho. Você está resfriado.
Mas ele desobedeceu.
í€ noite estava com febre. Felizmente não foi grave, mas passou três dias de cama.
Os primos foram í sua casa.
As crianças pularam e brincaram no jardim com Bebê, Didi e Totó.
Lá ficou ele, trancado no quarto, com os olhos cheios de lágrimas.
O desobediente é sempre castigado.
(LIMA, Branca Alves de. Caminho Suave: 1º Livro. 16 ed., São Paulo: Ed. Caminho Suave; Rio: Fundação Nacional de Material Escolar, 1979. p. 58.
ATIVIDADES
1. Complete: Fábio falou para a mãe que ________________________________________.
2. Complete: “í€ noite, ______ estava com febre.”
3. Mude a ordem das palavras: “Lá ficou ele…”: ___________________________________
4. Faça de conta que a primeira frase da história seja assim: “Fábio perguntou:” Agora, escreva a segunda frase de tal jeito que combine com esse começo.
5. Para esse começo diferente, complete: Fábio perguntou para a mãe se _______________________
6. Sublinhe duas idéias do texto que não fazem parte da história. São opiniões de quem conta o fato.
REFLEXíƒO
“Quem conta um conto acrescenta um ponto.” Além disso, quem conta costuma emitir a sua opinião, o seu julgamento moral sobre os fatos que conta. Por isso, é preciso aprender a separar os fatos dos julgamentos desses fatos (e, num nível mais profundo de leitura, a descobrir o viés dos fatos narrados e resgatar fatos omitidos).
OBJETIVOS:
Questões 1 e 5: familiarizar-se com a estrutura do discurso indireto.
Questão 2: tomar consciência da elipse e aprender a preenchê-la.
Questão 3: transformar a ordem inversa em ordem direta.
Questão 4: perceber a diferença existente entre duas atitudes, manifestadas por atos de fala distintos: declaração e pedido (de autorização).
Questão 6: discriminar diferentes atitudes de quem conta um fato (atitudes da autora).
VI – Os três porquinhos
Era uma vez três porquinhos.
O primeiro viu um monte de palhas e com elas fez sua casa. í€ noite veio um lobo feroz. Soprou tanto que a palha se espalhou e ele comeu o infeliz.
O segundo encontrou uns paus e com eles fez sua casa. Veio o lobo, soprou, soprou. Os paus caíram e ele devorou o animalzinho.
O terceiro porquinho era esperto. Viu uns tijolos e com eles fez sua casa. Veio a fera, soprou, soprou, mas dessa vez a casa não caiu.
Muito zangado, o lobo foi-se embora e o porquinho viveu em paz.
(LIMA, Branca Alves de. Caminho Suave: 1º Livro. 16 ed., São Paulo: Ed. Caminho Suave; Rio: Fundação Nacional de Material Escolar, 1979. p. 93.
ATIVIDADES
1. Dê um nome para cada porquinho. Depois, leia a história dizendo (ou escrevendo) os nomes dos porquinhos nos lugares certos.
2. Em vez de dizer “Soprou tanto que a palha se espalhou…”, também dá para dizer: A palha da casinha se espalhou porque _________________
3. Em vez de repetir “soprou, soprou…”, também dá para dizer ______________
4. Circule todas as palavras ou expressões do texto que designam o lobo.
5. No texto, a palavra “animalzinho” designa _________________________
6. A história está contada no passado. Escreva-a no presente e, depois, sublinhe todas as palavras que você mudou.
REFLEXí•ES
1. Para que um texto seja “claro” para o leitor, é preciso que este facilmente descubra as palavras ou expressões que remetem a uma mesma referência (a um mesmo personagem, a um mesmo fato ou fenômeno, a um mesmo tema). Para construir uma referência, o escritor recorre a recursos gramaticais e lexicais, como o uso de nomes próprios, a repetição, a sinonímia, a hiperonímia (substituição lexical por palavras de sentido mais amplo), a substituição por pronomes, a elipse, etc. Tudo isso pode ser aprendido por atividades de leitura e produção textual bem planejadas.
2. Os fatos de uma história geralmente são contados como se realmente tivessem acontecido no passado. Assim, os verbos que os designam são usados no pretérito. Entretanto, o contador da história também pode optar pelo chamado “presente histórico”. Nesse caso, ele estará usando uma “metáfora temporal”, o que produz um efeito de sentido de envolvimento pessoal com o que se conta. De acordo com a Lingüística Textual, poderíamos dizer que, ao usar o presente histórico, o contador da história transforma o mundo narrado em mundo comentado.
OBJETIVOS:
Atividades 1, 4 e 5: identificar os mesmos referentes de um texto; associar os nomes próprios a referentes textuais.
Atividade 2: familiarizar-se com estruturas frasais que expressam a relação causa-conseqüência.
Atividade 3: realizar operações de intensificação (pela repetição e pelo uso de um advérbio de intensidade).
Atividade 6: usar diferentes tempos e modos verbais, avaliando seus efeitos de sentido.
VII – TERCEIRA LIí‡íƒO
Lena Jaci
Sob uma velha mangueira, já cansada de tanto dar manguinhas, “Seu” Zeca esticara uma enorme cobra toda cheia de manchinhas pretas e brancas. Ele a matara, ainda há pouco, lá no canavial.
Dona Telica convidou seus alunos para irem até lá. Estudariam o réptil, vendo-o bem de pertinho.
Penuginha era uma patinha medrosa e começou a chorar… Não queria ver aquele animal tão feio.
Dona Telica permitiu que ela ficasse na classe, pedindo-lhe que varresse o chão e espanasse as carteiras.
Penuginha tirou o lencinho do bolso, enxugou as lágrimas e sorriu. Dona Telica acariciou as penas crespinhas de Penuginha.
Lá fora, a turma já estava em fila, esperando o momento da partida.
(JACI, Lena. Gente Nova: Comunicação e Expressão – 2a série. 44 ed., São Paulo: Ed. do Brasil S/A; Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Material Escolar do, 1979. p. 20)
ATIVIDADES
1. Para designar o bicho que Zeca matou, Lena Jaci usa as palavras “cobra”, “réptil” e “animal”.
a) Faça uma listinha de animais que não foram mortos por Zeca.
b) Faça uma listinha de répteis que não foram mortos por Zeca.
c) Diga uma espécie de cobra que não foi morta por Zeca.
2. Pense na atividade que você fez e responda: No mundo em que vivemos, o conjunto de ____________ é maior do que o conjunto de ____________. E o conjunto de ___________ é maior do que o conjunto de ___________.
3. Observe a frase: “Ele a matara, ainda há pouco, lá no canavial.” Agora responda:
a) A palavrinha “a” está no lugar de ________________.
b) A expressão “há pouco” significa _________________.
4. Observe a frase: “Estudariam o réptil, vendo-o bem de pertinho.”
Responda: O segundo “o” está no lugar de _________________.
5. Lena Jaci disse três vezes “Dona Telica”. Na segunda ou terceira vez ela poderia ter dito _____________.
REFLEXíƒO: Retomar a reflexão 1, apresentada na lição anterior.
OBJETIVOS:
Atividades 1 e 2: avaliar o significado e aprender o uso de palavras de menor ou maior extensão referencial.
Atividades 3 e 4: identificar recursos gramaticais (pronomes) pelos quais se pode retomar referentes já mencionados no texto.
Atividade 5: aprender recursos lexicais para expressar o mesmo referente, ou seja, usar palavras de sentido mais amplo (professora) em lugar de palavras de sentido mais específico (D. Telica).
VIII – O GIGANTE GUILHERME
ATIVIDADES
Você quer conhecer uma história engraçada? Então coloque em ordem as partes dessa história. Para isso, numere cada parte na ordem em que deve ficar.
( ) Quando assim pensava, seu cachorrinho latiu. O rei bateu na testa e disse:
? Achei! Achei! O Gigante vai desenrolar o rabinho do meu cão. Quero-o bem esticadinho.
( ) Dias depois o gigante já conseguira transportar todas as montanhas para perto do lago. Mudar a direção dos rios. Construir muitas pontes e edifícios. Organizar todos os jardins. Colecionar passarinhos do mundo inteiro.
( ) O Gigante começou a tarefa e nunca pôde terminá-la… Ele desenrolava o rabinho e o rabinho se enrolava de novo. Desenrolava. Enrolava. Desenrolava. Enrolava…
( ) O Gigante Guilherme era tão grande, que não pôde entrar no palácio. O rei conseguiu conversar com ele, subindo na torre da igreja.
( ) Era uma vez um rei muito poderoso. Ele queria que o seu reino fosse o mais importante e o mais bonito do mundo.
( ) E agora? Não havia mais trabalho para o gigante!… Que fazer???
O soberano estava preocupado. Que outra tarefa daria a Guilherme?
( ) Por isso ele mandou buscar o Gigante Guilherme que trabalhava com muita rapidez e sabia fazer tudo.
( ) O Gigante disse:
? Majestade, quero que saiba que eu não posso ficar sem trabalho. Se isso acontecer, destruirei os seus homens e todos os seus bens.
? Ah! fique tranqüilo – disse o rei. Aqui terá muito o que fazer.
ATIVIDADES (continuação)
Compare agora a ordem que você deu aos fatos da história com as que o autor deu a eles.
O GIGANTE GUILHERME
Lena Jaci
Era uma vez um rei muito poderoso. Ele queria que o seu reino fosse o mais importante e o mais bonito do mundo. Por isso ele mandou buscar o Gigante Guilherme que trabalhava com muita rapidez e sabia fazer tudo.
O Gigante Guilherme era tão grande, que não pôde entrar no palácio. O rei conseguiu conversar com ele, subindo na torre da igreja.
O Gigante disse:
? Majestade, quero que saiba que eu não posso ficar sem trabalho. Se isso acontecer, destruirei os seus homens e todos os seus bens.
? Ah! fique tranqüilo – disse o rei. Aqui terá muito o que fazer.
Dias depois o gigante já conseguira transportar todas as montanhas para perto do lago. Mudar a direção dos rios. Construir muitas pontes e edifícios. Organizar todos os jardins. Colecionar passarinhos do mundo inteiro.
E agora? Não havia mais trabalho para o gigante!… Que fazer???
O soberano estava preocupado. Que outra tarefa daria a Guilherme? Quando assim pensava, seu cachorinho latiu. O rei bateu na testa e disse:
? Achei! Achei! O Gigante vai desenrolar o rabinho do meu cão. Quero-o bem esticadinho.
O Gigante começou a tarefa e nunca pôde terminá-la… Ele desenrolava o rabinho e o rabinho se enrolava de novo. Desenrolava. Enrolava. Desenrolava. Enrolava…
(JACI, Lena. Gente Nova: Comunicação e Expressão – 2a série. 44 ed., São Paulo: Ed. do Brasil S/A; Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Material Escolar do, 1979. p. 34-35)
ATIVIDADES (continuação)
Sublinhe as palavras e expressões do texto que ajudaram a você a descobrir a ordem dos fatos.
REFLEXíƒO: Retomar as reflexões das lições II e IV.
OBJETIVOS:
- usar a ordem cronológica em texto narrativo;
- identificar recursos da língua que expressam relações temporais.
IX – O PATINHO FEIO
(Adaptação)
D. Pata escondera, na grama fofa, uma boa ninhada de ovos.
Depois de alguns dias, nasceram uma porção de patos bem amarelinhos como ouro. Só um deles era muito feio e diferente dos outros. Por isso os animais da fazenda viviam zombando dele.
Quando ele passava, gritavam:
? Feioso! Feioso!
Como sofria o pobre patinho!
Um dia pegou suas coisas e fugiu do lugar onde morava, levando uma tristeza no coração. As lágrimas, que escapavam de seus olhinhos, iam molhando as suas plumas escuras e faziam brilhar as pedrinhas do caminho.
Lá, bem no coração da floresta, o patinho encontrou uma casinha. Nela viveu muito tempo, separado dos outros animais.
Mas quando o verão chegou, saiu um pouco e foi ao lago onde se banhavam vários cisnes. Estes o cumprimentaram com muita alegria e o convidaram para ficar ali.
O patinho feio ficou muito contente e só neste dia soube que ele era também um belo cisne negro! Um daqueles cisnes que vivem no zoológico e nas estórias de fadas e reis!
(JACI, Lena. Gente Nova: Comunicação e Expressão – 2a série. 44 ed., São Paulo: Ed. do Brasil S/A; Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Material Escolar do, 1979. p. 78-79)
ATIVIDADES
1. Copie a primeira frase com uma diferença: mude de lugar a expressão “na grama fofa”.
2. Complete a frase: “Antes de nascerem os patinhos, D. Pata _____________.
3. Observe a frase: Quando ele passava, os animais da fazenda gritavam:
? Feioso! Feioso!
Marque a palavra que poderia estar no lugar de “gritavam”:
( ) perguntavam
( ) exclamavam
( ) mandavam
( ) declaravam
4. Pense na atividade n.º 3 e complete corretamente:
D. Pata ____________: “Como sofre o meu filhinho preto!”
Um dos cisnes __________ para o novo companheiro: “Como é o seu nome?”
5. Em vez de dizer “bem no coração da floresta”, também dá para dizer: _______________.
6. Responda: Já perto do fim da história, a palavra “Estes” está no lugar de _____________.
7. Procure e observe as expressões em negrito (com escrita mais forte) no texto. Algumas indicam “tempo”, outras indicam “lugar”. Separe-as em dois conjuntos.
8. Reproduza toda a história, seguindo as seguintes instruções: (a) Copie as duas primeiras frases assim como estão no texto. (b) Mude a terceira frase para a seguinte versão: “Só eu, um deles, era muito feio e diferente dos outros.” (c) Com essa mudança, você passa a ser o patinho feio que vai contar a sua história. Para isso, copie o restante da história, fazendo os ajustes necessários.
REFLEXí•ES
1. As flexões verbais que ocorrem num texto são indicadores do sentido que o autor quer dar a sua linguagem. Além de situarem fatos no tempo histórico, revelam a sua duração e, sobretudo, a atitude do autor em relação í quilo que diz. Conseqüentemente, o uso inadequado de formas verbais gera equívocos ou distorções na comunicação verbal.
2. Quando usamos a linguagem, não só dizemos algo, mas fazemos algo, isso é, agimos sobre os outros e, até, sobre nós mesmos. Descobrir o que alguém faz ao usar a palavra é fundamental para entender ou interpretar a sua fala ou a sua escrita. Os verbos apresentados a seguir designam ações que fazemos com o uso da palavra: perguntar, mandar (ordenar), pedir, suplicar, rogar pragas, queixar-se, vangloriar-se, afirmar, negar, acusar, defender, condenar, absolver, prometer, mentir, insistir, debochar, descrever, narrar/contar, argumentar, expor/explicar, etc.
3. Uma história pode ser contada em terceira ou primeira pessoa, dependendo do “foco narrativo” escolhido pelo contador. Se optar por terceira pessoa, o narrador é uma espécie de deus, que sabe tudo sobre todos os personagens. Se, porém, optar por primeira pessoa, ele assume o papel de um personagem, não podendo, conseqüentemente, saber tudo sobre os demais. Além disso, sob o ponto de vista formal, a narração em terceira ou primeira pessoa implica habilidades de uso adequado de pronomes e flexões verbais.
OBJETIVOS:
Atividade 1: explorar as diferentes colocações possíveis de um adjunto adverbial.
Atividade 2: perceber em que situação se usa o pretérito mais que perfeito do indicativo.
Atividades 3 e 4: denominar adequadamente os atos de fala (tipos de frase) realizados no texto.
Atividade 5: avaliar as semelhanças e diferenças de sentido entre a linguagem literal e a figurada.
Atividade 6: identificar recursos gramaticais (pronomes) pelos quais se pode retomar referentes já mencionados no texto.
Atividade 7: familiarizar-se com recursos da língua que expressam “tempo” e “lugar”.
Atividade 8: avaliar as implicações do foco narrativo sobre o texto, inclusive os efeitos de sentido.
X – A raposa e o corvo
Dona Raposa estava com muita fome, e já estava sem comer há dois dias. Ia triste pelo caminho, quando viu o corvo com um queijo dos grandes no bico.
? í‰ agora que eu saio desta! – falou a sabida raposa.
? Seu Corvo, o senhor é dos animais o mais belo! Que lindos pés! Que penas lustrosas! Sua voz deve ser maravilhosa, cante uma canção para mim.
O corvo empinou o peito e, todo envaidecido, abriu o bico para cantar, deixando cair o queijo.
O queijo foi apanhado pela raposa, que fugiu correndo para o mato.
O corvo até hoje pensa que é um belo animal e um grande cantor.
Fábula de Esopo – Adapatação de Luiz G. Cavalcante.
(BELLUCCI, Maria Eugênia; CAVALCANTE, Luiz Gonzaga. Integrando o aprender. 14 ed., São Paulo: Scipione, 1991. p. 10.)
ATIVIDADES
1. Em vez de dizer “há dois dias”, também dá para dizer ________________.
2. Em vez de “um queijo grande”, no texto está escrito ___________________. Da mesma forma, em vez de dizer “uma raposa conversadeira”, o autor poderia ter dito _____________.
3. Para adular o corvo, a raposa exclamou: “Que lindos pés! Que penas lustrosas!” Faça de conta que, em vez de exclamar, a raposa tenha declarado. Nesse caso, as mesmas frases deveriam ser assim: ____________________________________________________________.
4. Complete: A raposa, ao conversar com o corvo, disse que a voz dele devia ser maravilhosa e _____________________________________________.
5. A palavra “envaidecido” pertence í mesma família do que as palavras _________________ e __________________.
6. Em vez de dizer “O queijo foi apanhado pela raposa, que fugiu correndo pelo mato.”, também dá para dizer: A raposa ________________________ e _______________________.
7. Nas palavras da raposa, troque a expressão “o senhor” por “tu”, adaptando toda frase ao “tu”.
REFLEXí•ES
1. Embora a análise e os exercícios de estruturação do discurso direto e indireto sejam importantes, as atividades de aprendizagem devem voltar-se também para os efeitos de sentido dessas formas de expressão. Por exemplo, enquanto o discurso direto pretende ser a expressão do mundo objetivo (dos fatos), o discurso indireto se caracteriza como reflexo de um mundo subjetivo, que traduz uma versão dos fatos feita pelo narrador. Assim, o discurso direto é uma forma de realizar ou, pelo menos, simular distanciamento dos fatos por parte do narrador; por outro lado, o discurso indireto é uma forma de o narrador assumir responsabilidades com o que narra/relata.
2. A opção por uma voz verbal (Voz Ativa x Passiva) no uso da linguagem não é apenas uma questão de forma. Além de ser um recurso para enfatizar um dos termos da ação verbal (agente ou paciente), pode ser também um recurso para indeterminar (omitir) o agente. Nesse sentido, trata-se de uma tática do falante/escritor para causar efeitos “desejáveis” sobre o ouvinte/leitor.
3. A opção do falante/escritor por um pronome de tratamento (tu, você, o senhor, etc.) implica uma forma de se relacionar com o ouvinte/leitor. Essa relação costuma fundamentar-se numa hierarquia social, construindo-se sobre o papel que cada interlocutor exerce na sociedade. í‰ por isso que a escolha de um pronome de tratamento específico também contribui para esclarecer o sentido de um texto.
OBJETIVOS:
Atividade 1: usar diferentes verbos impessoais que indicam tempo (há = faz).
Atividade 2: usar expressões sinônimas, mas de conotação distinta.
Atividade 3: usar atos de fala (tipos de frase) distintos.
Atividade 4: interpretar corretamente um ato de fala (pedido), expressando-o em discurso indireto e estruturando corretamente a frase.
Atividade 5: descobrir a semelhança de sentido das palavras que tem o mesmo radical.
Atividade 6: expressar os mesmos fatos com outra estrutura frasal e com outro enfoque.
Atividade 7: apreender o sentido (pragmático) do pronome de tratamento, avaliando as conseqüências dessa escolha na construção de uma frase ou de um texto.
XI – O leão e o rato
Nos dias floridos de primavera, todos os bichos da Floresta Encantada saem para passear. Certo domingo, Seu Ratão, Dona Ratinha e seus doze filhinhos saíram para colher algumas flores silvestres, quando de repente apareceu um enorme leão. Seu Ratão tremia de medo, mas encheu-se de coragem e pediu:
? Não nos mate, Senhor Leão. Somos tão pequenos e nunca fazemos mal a ninguém.
O leão concordou em deixar a família Ratão ir embora, porque, afinal, não fica bem o rei dos animais dar uma de gato e andar por aí matando ratos.
Logo depois, o leão caiu numa armadilha e quanto mais tentava escapar, mais enroscado ficava. Ao ouvir os urros desesperados do leão, Seu Ratão foi logo acudi-lo e num instante livrou-o da armadilha.
Desse dia em diante, Seu Ratão e o leão tornaram-se amigos. E não há bicho da floresta que não inveje a família Ratão, que agora só passeia nas costas do leão.
Fábula de Esopo – Adaptação de Luiz G. Cavalcante.
(BELLUCCI, Maria Eugênia; CAVALCANTE, Luiz Gonzaga. Integrando o aprender. 14 ed., São Paulo: Scipione, 1991. p. 91.)
ATIVIDADES
1.Observe bem a terceira frase do texto: “Seu Ratão tremia de medo, mas encheu-se de coragem e pediu:” Em vez de usar a palavrinha “mas”, você vai expressar a mesma idéia usando a palavrinha “embora” ou a expressão “apesar de”. í‰ claro que você vai ter que fazer uns ajustes, até mesmo na ordem das palavras ou expressões. Experimente: ____________________
2. A última palavra da mesma frase é “pediu”. Portanto, para dirigir-se ao leão, Seu Ratão não realizou uma exclamação, nem fez uma pergunta ou uma declaração, nem deu uma ordem, mas fez _____________________.
3. Imagine Seu Ratão, Dona Ratinha e seus doze filhinhos colhendo flores silvestres. Invente uma conversa entre eles em que aparece:
a) uma pergunta:_____________________
b) uma resposta, isto é, uma declaração: _________________________
c) uma ordem:____________________________________
d) uma exclamação: _____________________________
4. Observe a parte em negrito da seguinte frase: “Logo depois, o leão caiu numa armadilha e quanto mais tentava escapar, mais enroscado ficava.” As duas coisas ditas na parte em negrito não só acontecem ao mesmo tempo, mas também progridem ao mesmo tempo. Sabendo isso, você pode ligar outras idéias em que duas coisas acontecem ao mesmo tempo e na mesma proporção, ou em proporção inversa. (Exemplo de proporção inversa: Seu Ratão, quanto mais falava com o leão, menos medo sentia.)
Experimente completar:
a) Quanto mais Paulinho estudava, __________________________________.
b) Quanto menos Mariana trabalhava, ________________________________.
c) í€ medida que José treinava sua caligrafia, ____________________________.
d) Rosa perdia o medo de falar em público, _____________ se apresentava nas aulas de livre-expressão.
5. Observe as seguintes expressões do texto e depois responda: “Nos dias floridos da primavera”…. “Certo domingo”… “Logo depois”… “Desse dia em diante”…
Essas e outras expressões do texto ligam as várias partes da história, expressando idéias de ___________________.
REFLEXíƒO
Identificar/compreender o valor expressivo de palavras ou locuções que estabelecem relações entre idéias ou proposições é fundamental para a aprendizagem da leitura. Da mesma forma, aprender a usar adequadamente esses recursos da linguagem é indispensável para a produção de textos (orais e escritos). Assim como usamos os sinais + (mais), – (menos), x (vezes), : (dividir) para estabelecer relações entre valores aritméticos (números), da mesma forma usamos conetivos ou expressões conectoras para “sinalizar” o tipo de operação que fazemos com idéias ou proposições (faladas ou escritas). Usando os números, podemos realizar quatro operações fundamentais. E, usando idéias, podemos realizar mais de uma dezena de operações… Portanto, é preciso aprendê-las.
OBJETIVOS:
Atividade 1: aprender duas estruturas frasais para expressar idéias que se opõem.
Atividades 2 e 3: denominar corretamente e construir atos de fala distintos.
Atividade 4: usar expressões que, concomitantemente, indicam tempo simultí¢neo e proporcionalidade.
Atividade 5: identificar expressões que indicam seqüência temporal no texto.
XII – A ORIGEM DO GUARANí
A deliciosa bebida brasileira, o guaraná, também tem uma lenda. Ela é contada pelos índios maués, da Amazônia:
Um menino índio muito querido morreu. A tribo entrou em grandes lamentações e, durante horas seguidas, as preces e gritos se espalharam pelas florestas. Tupã atendeu as lamentações e ordenou:
? Tirem os olhos do menino, plantem na terra firme, reguem com as lágrimas e deles nascerá a planta da vida, aquela que fortalecerá as jovens e os velhos.
Assim, tendo cumprido as ordens de Tupã, nasceu o guaraná, que na linguagem indígena significa: guará: ser vivo; e ná: parecido.
(NEVES, Déborah Pádua Mello. Português Moderno: comunicação e expressão – 2a. série – São Paulo: IBEP, s/d. p. 39)
ATIVIDADES
1. Marque as afirmações verdadeiras com “V” e as falsas com “F”.
A história do texto “A origem do guaraná” apresenta fatos
( ) em que os índios maués acreditam.
( ) em que nós acreditamos.
( ) que de fato aconteceram na Amazônia há muitos e muitos anos atrás.
( ) que, na realidade, nunca aconteceram na Amazônia.
( ) que explicam para nós como uma planta surgiu na terra.
( ) que explicam para os índios maués como uma planta surgiu na terra.
2. Observe como uma palavra pode ser dividida em partes, cada parte com um significado: guará: ser vivo; ná: parecido. Isso também vale para outras palavras do texto. Experimente dividir as palavras abaixo em partes, expressando o que significa cada parte.
a) brasileira: __________________________________________________
b) lamentações: _______________________________________________
c) fortalecerá: _________________________________________________
d) linguagem: _________________________________________________
3. Na segunda frase do texto, a autora diz: “Ela é contada pelos índios maués, da Amazônia.” A palavra “Ela” está no lugar da expressão “a lenda do guaraná”. Portanto: A lenda do guaraná é contada pelos índios maués, da Amazônia. Diga a mesma coisa, completando a frase:
Os índios maués, da Amazônia, _______________________.
4. Complete: Tupã deu três ordens para os índios maués, que são:
a) _________________________________
b) _________________________________
c) _________________________________
REFLEXí•ES
1. Para compreender o sentido de textos narrativos não basta classificá-los em narrações objetivas (como as notícias) e narrações subjetivas (como os contos, romances, etc.). í‰ preciso considerar também a cultura e as crenças de quem conta os fatos. O que para uns é narração de fatos reais, para outros pode ser mera narração de fatos inventados. Exemplo disso são as lendas indígenas. Para os índios da respectiva tribo, trata-se de fatos reais. Para nós, trata-se de fatos imaginários. O mesmo se pode afirmar das narrações bíblicas: para os cristãos, trata-se de fatos reais. Para pessoas não cristãs, trata-se de histórias inventadas pela imaginação dos antepassados.
2. Em nossa língua, muitas palavras são formadas de unidades significativas menores, chamadas morfemas. Ou seja, há palavras que são formadas mediante a contribuição de vários morfemas, cada qual com um sentido específico. Assim, a significação de uma palavra depende dos morfemas que a constituem e das relações que existem entre esses morfemas.
OBJETIVOS:
Atividade 1:
a) associar “histórias de origem” (lendas, mitos) í respectiva cultura;
b) vincular o sentido de certos textos a culturas específicas.
Atividade 2: apreender o sentido de certas palavras através da identificação de suas unidades mínimas de significação (morfemas).
Atividade 3: expressar o mesmo fato com outra estrutura frasal, passando a frase da Voz Passiva para a Voz Ativa.
Atividade 4: identificar atos de fala que são ordens.
XIII – A cigarra e a formiga
A cigarra é uma grande cantora e passou o verão todo cantando lindas canções no alto de uma árvore. Ficava o dia inteiro cantando e olhando as formigas trabalharem sem parar.
O verão passou. O inverno chegou.
A cigarra, com frio, fome e tossindo muito, um dia bateu na casa da formiga. A formiga, por uma fresta da porta, perguntou:
? Quem é você? Por que está tão suja e gripada?
? Eu sou a cigarra que mora no alto da árvore, cantei o verão todinho e agora não tenho comida, nem casa para me abrigar do vento e do frio.
? Puxa vida! Então era você que ficava alegrando nossas vidas enquanto trabalhávamos? – disse a formiga.
? Sim, era eu mesma – disse, chorando, a cigarra.
? Então, querida amiga, fique morando aqui até o tempo ficar bom.
A cigarra sarou e continuou a cantar, alegrando a vida de toda a bicharada da floresta.
Fábula de Esopo – Adaptação de Luiz G. Cavalcante.
(BELLUCCI, Maria Eugênia; CAVALCANTE, Luiz Gonzaga. Integrando o aprender. 14 ed., São Paulo: Scipione, 1991. p. 5O.)
ATIVIDADES
1. A estória “A cigarra e formiga” é diferente da fábula de Esopo. Luiz G. Cavalcante mudou-a, dizendo que a formiga teve pena da cigarra.
Leia também a fábula “A cigarra e a formiga” do jeito como foi contada por Esopo. Talvez você a encontre num livro da biblioteca da Escola.
2. Depois de ler as duas estórias, complete:
a) Esopo contou a fábula contra a _____ e a favor da ________. Portanto, ele elogiou ______ e acusou ______________. Com sua fábula, Esopo quer nos ensinar que ____________.
b) Luiz G. Cavalcante contou a mesma estória defendendo a ______ porque _____. Com essa alteração da fábula, ele quer nos ensinar que _________________.
3. Complete: Uma fábula é uma estória inventada em que os personagens, geralmente, são ______. A fábula não é uma história para divertir a gente, mas para ______.
4. Escreva o nome de mais duas fábulas que você já leu. Diga também o nome de quem as inventou. ____________.
5. Coloque um X diante da frase que mais se afasta do sentido principal da primeira frase do texto:
( ) A cigarra é uma ótima cantora que passou o verão todo cantando belas canções no alto de uma árvore.
( ) A cigarra passou o verão todo cantando lindas canções no alto de uma árvore. Ela é uma cantora muito boa.
( ) A cigarra é um bichinho que realmente sabe cantar. Passou o verão todo cantando lindas canções no alto de uma árvore.
( ) A cigarra é uma grande cantora, mas, em vez de trabalhar, passou o verão todo cantando lindas canções no alto de uma árvore.
( ) Cantando lindas canções no alto de uma árvore, a cigarra passou todo o verão. í‰ uma cantora de mão-cheia.
6. Agora é a sua vez de escrever uma frase, sem se afastar de seu sentido principal. Faça isso com a segunda frase do texto, escrevendo duas versões: ______________________.
7. Em algumas frases da história de Luiz G. Cavalcante, certas palavras ou expressões podem ser colocadas em ordem diferente. Sublinhe duas frases que ficam mais fáceis de serem entendidas se as palavras ou expressões forem colocadas em outra ordem. Depois, escreva-as nessa ordem mais simples.
REFLEXí•ES
1. As histórias declaradamente inventadas (contos, novelas, romances, fábulas, parábolas) podem ter diferentes objetivos. Nem todas são criadas para serem mero passa-tempo de leitores ou ouvintes. Pelo contrário, muitas histórias, sorrateira ou explicitamente, constituem mecanismos de inculcação ideológica, visando í formação moral dos destinatários. Exemplo explícito dessa intencionalidade são as fábulas e os apólogos, cujo objetivo primeiro é persuadir os destinatários a adotarem comportamentos e valores morais “desejáveis”, segundo a visão do autor. Por isso, os personagens, embora apresentados como animais, vegetais ou objetos, se comportam como pessoas.
2. Na língua portuguesa (assim como em outras línguas) existem diferentes formas para dizer a mesma coisa, embora com ênfases diferentes. No mundo das palavras, existem os sinônimos para enriquecer nossas formas de expressão. E, no mundo das frases e das unidades de sentido maiores do que as frases, existem as paráfrases e, até certo ponto, os resumos. Entretanto, é preciso ter muito cuidado para avaliar se as mudanças feitas por sinônimos ou paráfrases mantêm o sentido básico. Para isso, são necessários conhecimentos de semí¢ntica e de sintaxe.
OBJETIVOS:
Atividades 1, 2, 3 e 4: definir a fábula como uma história inventada para sensibilizar o leitor a aceitar um ensinamento moral e a rejeitar outros ensinamentos; portanto, uma história montada com base nas crenças do autor; uma história em que os personagens são apenas aparentemente animais, já que se comportam como gente.
Atividade 5 e 6: distinguir paráfrases de falsificações do sentido.
Atividade 7: conscientizar-se de que a seqüência dos termos na frase pode facilitar ou dificultar a compreensão.
XIV – O MILHO
Benedita Stahl Sodré
Os diversos cereais, como o arroz, o trigo e a aveia, são alimentos nutritivos.
Do milho nada se perde. Das espigas de milho verde fazemos curau, pamonha e sopas. Também podemos comê-las assadas e cozidas. Com a maisena, que é uma farinha finíssima feita do milho verde, fazemos deliciosos mingaus, cremes e bolos. O milho seco constitui um dos principais alimentos para muitos animais.
Aos grãos de milho quebrados damos o nome de quirera e servem de alimento para os pintos. Aos grãos de milho descascados e bem limpos chamamos de canjica. A canjica bem cozida é um alimento ótimo. Reduzindo os grãos de milho a pó teremos o fubá, com que preparamos bolos, broas, polenta, etc.
Com a palha de milho fabricamos cestas e chapéus.
(NEVES, Déborah Pádua Mello. Português Moderno: comunicação e expressão – 2a. série – São Paulo: IBEP, s/d. p. 76)
ATIVIDADES
1. Marque com X a afirmação correta.
O texto “O milho”, escrito por Benedita Stahl Sodré, é
( ) uma estória inventada para divertir os leitores.
( ) uma estória verdadeira que conta a origem do milho.
( ) uma fábula ou estória inventada para transmitir uma lição de vida (um ensinamento).
( ) uma explicação sobre uma coisa que existe de fato, feita para ensinar a alguém que não sabe.
( ) uma explicação sobre como as pessoas devem cultivar o milho.
2. Complete: O milho, assim como o arroz, o trigo e a aveia, pertencem ao conjunto _________________________
3. Pense no significado da seguintes expressões:
“farinha fina, farinha muito fina, farinha finíssima”.
Seguindo o mesmo modelo, complete:
a) milho verde, _______________
b) mingaus deliciosos, __________________
c) milho seco, _________________________
d) grãos de milho limpos, ________________
e) alimento bom, _______________________
4. Mude a ordem das palavras ou expressões das frases abaixo, comparando o sentido da nova ordem com o original:
a) “Das espigas de milho verde fazemos curau, pamonha e sopas.”
b) “Com a maisena, que é uma farinha finíssima feita do milho verde, fazemos deliciosos mingaus, cremes e bolos.”
c) “Aos grãos de milho descascados e bem limpos chamamos de canjica.”
d) “Com a palha de milho fabricamos cestas e chapéus.”
5. Observe a parte sublinhada da seguinte frase:
“Reduzindo os grãos de milho a pó teremos o fubá, com que preparamos bolos, broas, polenta, etc.”
Complete: Só teremos fubá se ______________________
REFLEXí•ES
1. Dependendo dos objetivos que temos em mente, o texto (falado ou escrito) ou partes dele assumem diferentes formas. í‰ por isso que distinguimos uma explicação científica da narração de um fato histórico, uma descrição de relevo geográfico da descrição subjetiva de uma paisagem, e assim por diante. Maria Teresa Serafini (SERAFINI, Maria Teresa. Como escrever textos. São Paulo: Globo, 1989) sugere os seguintes “discursos de base” para explicar diferentes formas de expressão verbal: descrição, narração, exposição e argumentação. Segundo a autora, podemos usar um ou mais desses discursos de base num mesmo texto, dependendo dos nossos objetivos. Um professor, por exemplo, usa muito a “exposição” para passar “matéria” a seus alunos. Assim, as crianças desde cedo se defrontam com essa forma de expressão verbal. A sua identificação pode ser um valioso auxiliar na compreensão dos textos.
2. A mera abordagem metalingüística do adjetivo em graus (comparativo e superlativo) não tem grande valor pedagógico. Por outro lado, o estudo do significado desses graus e avaliação de seu uso argumentativo assume importí¢ncia vital para esclarecer o sentido dos textos. Assim, esse estudo, para ser produtivo, sempre deve provocar reflexões sobre o uso dos graus em situações de interação verbal. Convém lembrar, também, que deve iniciar por atividades simples, complementadas por reflexões críticas.
OBJETIVOS:
Atividade 1: identificar a função discursiva de diferentes tipos de texto, destacando a função da exposição didática.
Atividade 2: identificar hiperônimos e hipônimos.
Atividade 3: intensificar qualidades através do grau do adjetivo.
Atividade 4: conscientizar-se que a seqüência dos termos não só facilita ou dificulta a compreensão da frase, mas também influencia o seu sentido.
Atividade 5: usar diferentes estruturas frasais para expressar condição.
XV – A ARCA DE NOí‰
Ruth Rocha (Revista Recreio)
Revisão: Roque Amadeu Kreutz
Esta história é muito, muito antiga. Eu a li num livrão grande do papai, que se chama Bíblia. í‰ a história de um homem chamado Noé.
Um dia, Deus chamou Noé. E mandou que ele construísse um barco bem grande. Não sei por que, mas todo mundo chama esse barco de Arca de Noé.
Deus mandou que ele pusesse dentro do barco um bicho de cada espécie. Um bicho, não. Dois: Um leão e uma leoa… Um macaco e uma macaca… Um caititu e uma caititoa… Quer dizer, caititoa não, que eu nem sei se isso existe.
E veio tudo que foi bicho.
(NEVES, Déborah Pádua Mello. Português Moderno: comunicação e expressão – 2a. série – São Paulo: IBEP, s/d. p. 9)
A T I V I D A D E S
1. Marque com X a resposta certa.
A história “A arca de Noé” conta fatos em que
( ) todos os homens acreditam.
( ) somente os cristãos e judeus acreditam.
2. As história contada é semelhante a
( ) uma lenda indígena.
( ) uma fábula.
( ) um fato da História do Brasil.
3. Repare na expressão “livrão grande” da primeira frase. Veja que a palavra “grande” está sobrando, pois a palavra “livrão” já diz que o livro é grande. Primeiro, coloque nos espaços, as palavras que indicam a coisa designada como grande. Depois, você mesmo pode continuar a lista.
a) caderno: _________________ e)_______________
b) mesa: ____________________ f) _______________
c) cadeira: _________________ g) _______________
d) casa: ____________________ h) _______________
4. Repare, agora, na palavra “calção”. Será que indica “calça grande”?
Continue a lista abaixo acrescentando nela outras palavras que parecem indicar coisa grande, mas que apenas designam coisas diferentes das palavras-mãe (isto é, das palavras que lhes dão origem).
a) “cartão” (que vem de “carta”);
b) “sabichão” (diferente de “sabidão”; as duas palavras vem de “saber”);
c) “roupão” (que vem de “roupa”);
d) “fogão” (que vem de “fogo”);
____________________________________________________________________
5. Em vez de dizer “muito, muito antiga” também dá para dizer _______________.
6. Complete: Um dia, Deus chamou Noé e lhe ordenou:
? _________________________
Quando a arca estava pronta, Deus novamente mandou:
? _________________________
7. O personagem que narra a história teve uma dúvida: não sabia como chamar a fêmea do caititu. Para resolver esse problema, ele poderia ter dito: “Um caititu macho e um caititu fêmea.”
Denomine as fêmeas dos seguintes animais:
a) boi: ________________¬_; b) cavalo: _________________________
c) galo: ________________; d) lagarto: ________________________
e) elefante: _____________; f) pato: ___________________________
8. Aquele que contou os fatos da história “A arca de Noé” se tratou por “eu”. Troque o “eu” da história por “Paulinho”. Depois, copie as frases que devem ser mudadas, fazendo as adaptações necessárias.
REFLEXí•ES
1. O estudo do grau dos substantivos (assim como o dos adjetivos) somente é importante quando justifica o uso de aumentativos e diminutivos em textos. Faz parte de estudos sobre o sentido contextual das palavras, cujo objetivo principal é fundamentar as escolhas lexicais do autor em função de uma intencionalidade. Por isso, dependendo do contexto, o aumentativo pode não designar “seres grandes”, assim como o diminutivo pode não designar “seres pequenos”. Exemplo disso é o uso de aumentativos e diminutivos em contextos carregados de afetividade ou de ironia. Ao lado disso, é preciso lembrar também que certas palavras só subsistem com sufixo aumentativo (sufixo este que faz parte de sua “natureza”), que nada têm a ver com “coisa grande”.
2. O gênero gramatical dos substantivos não deve ser confundido com sexo. Ou seja, sob o ponto de vista lingüístico, é um equívoco classificar os substantivos em sobrecomuns, comuns de dois gêneros e epicenos (uma vez que essa classificação se fundamenta no sexo dos seres designados, e não nas palavras em si). Entretanto, não é equívoco ensinar que certas palavras designam seres do sexo masculino de homens ou animais, e outras, seres do sexo feminino. Sob esse ponto de vista, “vaca” não é o gênero feminino de “boi”, mas designa a fêmea-mãe da espécie “gado vacum”. No mesmo contexto, “novilha” designa uma fêmea não-mãe, “boi”, um macho capado, e “touro”, um macho não capado.
OBJETIVOS:
Atividades 1 e 2: – associar “histórias de origem” (lendas, mitos) í respectiva cultura; situar o sentido de certos textos a culturas específicas.
Atividades 3 e 4: usar corretamente substantivos no grau aumentativo, distinguindo-os de aumentativos aparentes.
Atividade 5: formar o grau superlativo por repetição, pelo uso de intensificador, ou por sufixação.
Atividade 6: comparar a estrutura dos discursos indireto e direto.
Atividade 7: atribuir denominações de acordo com o sexo dos animais.
Atividade 8: avaliar as mudanças de estrutura e de sentido decorrentes do “foco narrativo”.
XVI – As matas protegem o meio ambiente
Nas regiões onde há matas, o clima geralmente é agradável, o ar é puro, existem animais em grande quantidade e a terra não perde a sua fertilidade.
Devemos conservar as matas para proteger o meio ambiente.
O homem tem destruído as matas por meio da retirada das árvores e das queimadas.
No lugar das matas o homem faz plantações para colher alimentos e planta capim para criar gado. O homem destrói as matas e não tem cuidado com o solo. Com o tempo, o solo perde a fertilidade e não serve mais para plantações.
Para evitar o empobrecimento da vegetação de uma região, deve-se plantar novas árvores no lugar daquelas que foram arrancadas. O plantio de novas árvores chama-se reflorestamento.
(BELLUCCI, Maria Eugênia; CAVALCANTE, Luiz Gonzaga. Integrando o aprender. 14 ed., São Paulo: Scipione, 1991. p. 203.)
A T I V I D A D E S
1. O texto acima, incluindo o título, é formado de 9 frases declarativas. Ao dizer essas frases, o autor realiza as seguintes atividades:
(a) julga as ações dos homens;
(b) determina o que nós, homens, devemos fazer;
(c) explica como são as coisas de nosso mundo.
Leia o texto com muita atenção e, depois, marque com “(a)” as frases que são julgamentos; com “(b)” as frases que determinam deveres; e com “(c)” as que explicam coisas do mundo.
2. Copie o que se pede:
a) uma frase que fala das vantagens de conservar as matas: ____________________________
b) uma frase que fala dos prejuízos que o homem causa í natureza: _____________________
c) uma frase que indica uma solução para o problema apresentado no texto: ______________
3. Em vez de dizer “existem animais em grande quantidade”, pode-se dizer: “existem ___________.
4. A autora do texto escreveu: “No lugar das matas o homem faz plantações…” A expressão “faz plantações” poderia ser substituída por apenas uma palavra: ___________.
5. Observe, agora, as duas expressões que vêm depois das palavrinhas “para”: “No lugar das matas o homem faz plantações para colher alimentos e planta capim para criar gado.” Também essas expressões podem ser mudadas sem alterar o sentido. Veja e complete: “No lugar das matas o homem faz plantações para a colheita de alimentos e planta capim para _______________________.
6. Há uma frase em negrito, isto é, uma frase escrita com letras mais fortes dentro do texto. Nela encontra-se uma palavra importante: “Devemos conservar as matas…” Outra frase, quase no final, repete a mesma palavra: “… deve-se plantar novas árvores…”. Essas palavras significam o seguinte:
( ) Quem lê o texto vai conservar as matas e plantar árvores.
( ) Quem escreveu o texto está conservando as matas e plantando árvores.
( ) Todos nós temos a obrigação de conservar as matas e plantar árvores.
( ) Quem planta e cria gado não precisa conservar as matas e plantar árvores.
( ) O governo é o primeiro responsável para conservar as matas e plantar árvores.
REFLEXí•ES
1. Retomar a reflexão nº 2 da lição IX.
2. O estudo dos “tipos de frase” proposto pela Gramática Tradicional pode ser associados a reflexões sobre a teoria dos “atos de fala” (inicialmente estudados por filósofos de Oxford e, mais tarde, incorporados í Lingüística Textual). Em outras palavras, é mais produtivo discutir o que o falante ou o autor faz ao usar um dos tipos de frase, do que propor aos alunos exercícios de classificação de frases. Ou seja, é preciso refletir sobre questões tais como: O que o autor (ou o personagem) fez ao usar “tal” frase declarativa? (“tal” frase interrogativa? “tal” frase imperativa? “tal” frase exclamativa?) Será que fez uma declaração sincera ou foi irônico? Será que, ao usar “tal” frase interrogativa, não acabou fazendo um pedido? O que é que ele fez ao usar “tal” frase imperativa? Será que deu uma ordem? ou fez um pedido? ou fez uma súplica? Que intenção pode estar por trás de “tal” ato de fala em “tal” texto?
3. A elaboração de atividades produtivas (para melhorar a leitura e a produção textual dos alunos) exige preparo teórico do professor. Por exemplo, a elaboração da atividade nº 2 remete aos conceitos de “figuras” e “temas” de Platão e Fiorin (FIORIN, José Luiz et SAVIOLI, Francisco Platão. Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: ítica, 1990). Já a atividade nº 5 pressupõe conhecimentos não só sobre a estruturação de períodos e orações, mas também sobre a formação e o uso de substantivos deverbais. Finalmente, a elaboração da atividade nº 6 pressupõe conhecimentos sobre a “modalização”.
OBJETIVOS:
Atividade 1: explicitar o sentido do texto pelos atos de fala nele realizados.
Atividade 2: traduzir conteúdos concretos em categorias abstratas (isto é, traduzir “figuras” em “temas”).
Atividade 3: usar diferentes alternativas para expressar intensidade.
Atividade 4: condensar uma perífrase verbal: fazer plantações = plantar.
Atividade 5: transformar formas verbais em nomes, identificando a equivalência de sentido.
Atividade 6: identificar o sentido do verbo modal “dever”.
XVII – 22 de abril – Dia do descobrimento do Brasil
O Brasil foi descoberto pelos portugueses. Eles aqui chegaram com uma esquadra comandada por Pedro ílvares Cabral.
No dia 22 de abril de 1500 os marinheiros avistaram um monte, que chamaram Monte Pascoal, porque era época de Páscoa.
Ao desembarcarem, os portugueses encontraram uma terra cheia de florestas e índios.
No dia 26 de abril foi rezada a primeira missa no Brasil, pelo Frei Henrique Soares de Coimbra.
Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta para o rei D. Manuel, de Portugal. A carta contava o descobrimento da nova terra.
A nova terra recebeu os nomes de Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz e Brasil.
O nome Brasil foi dado por causa da madeira cor de brasa, extraída de uma árvore chamada pau-brasil, que existia em grande quantidade nas nossas matas.
(BELLUCCI, Maria Eugênia; CAVALCANTE, Luiz Gonzaga. Integrando o aprender. 14 ed., São Paulo: Scipione, 1991. p. 22O.)
ATIVIDADES
1. Marque as afirmações verdadeiras com “V” e as falsas com “F”.
A história do texto “22 de abril – Dia do descobrimento do Brasil” apresenta fatos
( ) em que nós acreditamos.
( ) que realmente aconteceram há muitos e muitos anos atrás.
( ) que foram inventados por Maria Eugênia Bellucci e Luiz Gonzaga Cavalcante.
( ) que explicam para nós como começou a história da nossa pátria.
( ) que explicam para os índios como começou a história de sua gente.
2. Forme os seguintes conjuntos:
a) palavras e expressões que indicam nomes de pessoas: _____________________________
b) palavras e expressões que indicam nomes de lugares: _____________________________
c) palavras e expressões que indicam datas: _______________________________________
3. Observe a transformação feita na frase da letra “a” (abaixo) e, depois, faça a mesma coisa na da letra “b”:
a) “O Brasil foi descoberto pelos portugueses.”:
Os portugueses descobriram o Brasil.
b) “No dia 26 de abril foi rezada a primeira missa no Brasil, pelo Frei Henrique Soares de Coimbra.”:
Frei Henrique Soares de Coimbra ________________________________________
4. Agora vamos fazer o contrário. Observe e faça o mesmo:
a) “Ao desembarcarem, os portugueses encontraram uma terra cheia de florestas e índios.”:
Ao desembarcarem, uma terra cheia de florestas e índios foi encontrada pelos portugueses.
b) “Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta para o rei D. Manuel, de Portugal.”:
Uma carta para o rei D. Manuel, de Portugal, _____________________.
5. Depois de estudar o sentido da primeira frase (abaixo), complete as outras frases sem alterar o sentido:
a) “O nome Brasil foi dado por causa da madeira cor de brasa, extraída de uma árvore chamada pau-brasil…”
b) O nome Brasil deve-se__________________________
c) O nome Brasil foi dado devido _____________________
d) Por haver __________________________________ foi dado o nome Brasil.
6. A palavra “pau-brasil” é formada de duas outras: “pau” e “Brasil”.
a) Faça uma pequena lista de palavras que você conhece, formadas de duas (ou mais) outras: __________________________________________
b) Agora, escreva de novo as mesmas palavras, mas designando com elas várias coisas do mesmo tipo: Exemplo: paus-brasil. ___________________________________
OBJETIVOS: Desta lição em diante, cabe ao estudioso descobrir os objetivos implícitos em cada atividade.
XVIII – Agravos í saúde
A nossa saúde pode ser prejudicada pelas doenças.
Algumas doenças são contagiosas, isto é, passam de uma pessoa para outra. Essas doenças são transmitidas por seres vivos muito pequenos, chamados micróbios.
Como as doenças são transmitidas?
As doenças podem ser transmitidas por contágio direto ou indireto. O contágio direto é feito através do aperto de mão, da tosse, do espirro etc. O contágio indireto é feito através de copos, lenços etc. que usamos depois de terem sido utilizados por pessoas doentes.
A gripe, o sarampo, a caxumba, a tuberculose, a varicela etc. são doenças contagiosas.
Muitas doenças contagiosas podem ser evitadas.
Estes são os cuidados que devemos ter para evitar as doenças contagiosas:
- Tomar todas as vacinas.
- Evitar o contato com pessoas doentes.
- Ter uma alimentação bem saudável.
(BELLUCCI, Maria Eugênia; CAVALCANTE, Luiz Gonzaga. Integrando o aprender. 14 ed., São Paulo: Scipione, 1991. p. 252.)
ATIVIDADES
1. Marque com V as frases que têm o mesmo significado (denotativo) da primeira frase do texto:
( ) A nossa saúde é prejudicada pelas doenças.
( ) í‰ possível que a nossa saúde seja prejudicada pelas doenças.
( ) As doenças podem prejudicar a nossa saúde.
( ) As doenças prejudicam a nossa saúde.
2. No texto aparecem as palavras “contagiosas” e “contágio”. Descubra outra palavra que pertence í mesma família: __________________
Também aparece a palavra “utilizados”. Descubra mais duas palavras que pertencem a essa família: ___________________________________
3. Pense nas mudanças que dá para fazer na seguinte frase (sem alterar o sentido):
“As doenças podem ser transmitidas por contágio direto e indireto.”:
a) As doenças podem ser transmitidas através de contágio direto e indireto.
b) As doenças podem ser transmitidas por meio de contágio direto e indireto.
Agora experimente a mesma coisa, com a seguinte frase:
“O contágio direto é feito através de copos, lenços etc. que usamos depois de terem sido utilizados por pessoas doentes.”
a) ________________________
b) ________________________
4. Consulte o texto e continue escrevendo o que já está começado:
Faça três coisas para você evitar as doenças contagiosas:
- Tome todas as vacinas.
- ____________________________
- ____________________________
5. Alguns nomes de doença terminam em “-ite”, que significa “inflamação”. Por exemplo: bronquite = inflamação dos brônquios. Outros nomes de doença terminam em “-ose”, o que simplesmente significa “doença”. Por exemplo: verminose = doença dos vermes.
Faça uma listinha de doenças que terminam em “-ite”, e outra de doenças que terminam em “-ose”.
a) ____________________
b) ____________________
XIX – A CEIA DOS REIS MAGOS
No dia 31 de dezembro, antes da meia-noite, cubra a mesa com uma toalha branca nova. Sirva então quatro pratos com maçãs – uma para você e uma para cada Rei Mago. Coma a sua maçã e vá comemorar o Ano-Novo normalmente. No dia seguinte, dê uma nota (no valor que você preferir) e uma maçã a uma criança, ofereça a segunda nota e as duas maçãs restantes a um mendigo e deposite a terceira nota na caixa de esmolas de uma igreja. A outra nota deve ficar com você até o final de 1991, quando você a jogará fora ou a usará para comprar mais maçãs, para outra ceia mágica. A partir de 6 de janeiro, Dia dos Reis, você vai começar a perceber mudanças para melhor. (Revista “Destino”, janeiro de 1991 – n.º 18)
ATIVIDADES
1. Reescreva (ou releia) o texto transformando o tratamento do destinatário de “você” para “tu”.
2. Transforme a receita acima em “relato”. Para tanto, faça de conta que você esteja em junho de 1991 e que um tal de “João” tenha realizado todas as operações prescritas para o final de 1990. Não se esqueça de fazer ajustes nos dois últimos períodos, garantindo assim a coerência do seu relato.
XX – A VELHA CONTRABANDISTA
A T I V I D A D E S
1. Procure organizar as diferentes partes do texto abaixo (“A velha contrabandista”) colocando-as em ordem cronológica, de modo que voltem a constituir um texto bem construído. Para isso, use números nos parênteses.
( ) Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
( ) ? Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
( ) A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco, e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou í velhinha que fosse em frente.
( ) Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfí¢ndega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.
( ) Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
? Olha, vovozinha, eu sou fiscal da Alfí¢ndega com 4O anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
? Mas o saco só tem areia! – insistiu a velhinha.
( ) Ela montou e foi embora, com o saco de areia atrás. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco.
( ) Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco.
( ) E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
? Eu prometo í senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
( ) A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
? í‰ areia!
( ) No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo.
( ) ? O senhor promete que não “espaia”? – quis saber a velhinha.
? Juro – respondeu o fiscal.
? í‰ lambreta.
( ) Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfí¢ndega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim para ela:
(Stanislaw Ponte Preta – apud SARGENTIM, Hermínio G. Atividades de Comunicação em Língua Portuguesa – 6a. série, 1º grau. São Paulo: IBEP, s/d. p. 153.)
2. Circule as frases, expressões ou palavras que constituem pistas ou indicadores de organização das partes do texto.
3. No terceiro fragmento do texto, o autor usou discurso indireto. Transforme a respectiva frase em discurso direto.
4. No quarto fragmento. ocorre três vezes a palavra “lambreta”. Reescreva a segunda frase desse fragmento substituindo a palavra “lambreta” por referências equivalentes.
5. O começo do sétimo fragmento é assim constituído:
“E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
? Eu prometo í senhora que deixo a senhora passar.”
Mantendo o mesmo sentido denotativo, reescreva esse relato numa só frase e sem o discurso direto.
6. Em várias passagens do texto, o autor usa expressões da linguagem popular (ou registro informal/falado).
a) Cite três expressões desse tipo.
b) Substitua essas expressões por outras equivalentes que fazem parte do registro formal/escrito.
XXI – RESUMO DE NOVELAS (ZERO HORA – O5.O7.92)
Despedida de solteiro
(RBS TV, 18h)
Flávia fica satisfeita por causa dos documentos que Glória lhe entregou. No julgamento do pedido de Sérgio para ficar com a posse de Bibi, Damasceno testemunha que viu Lenita no bordel e que ela também deu acolhida a um foragido. O juiz decide que um assistente social visite as duas casas e faça um relatório sobre os pais. Franco confessa a Paula que foi ao bordel, mas que não aconteceu nada. Nina obriga Mike a ligar para a mãe. Mike fica sabendo que o pai está internado e decide ir embora. Pedro procura Flávia.
ATIVIDADES
1. “No julgamento do pedido de Sérgio para ficar com a posse de Bibi, Damasceno testemunha que viu Lenita no bordel e que ela também deu acolhida a um foragido.”
Substitua o substantivo “julgamento” pelo verbo equivalente, reescrevendo a frase de modo que fique gramaticalmente correta.
2. Passe os verbos do período abaixo para a Voz Passiva, reconstruindo corretamente o período: “O juiz decide que um assistente social visite as duas casas e faça um relatório sobre os pais.”
3. Os resumos dos capítulos de novelas são publicados no mesmo dia em que, í noite, são apresentados na TV. Portanto, supõe-se que, os fatos narrados, ao serem lidos no jornal, ainda não aconteceram, pois só deverão acontecer í noite, isto é, no futuro. Considerando isso, reelabore o resumo acima com o tempo verbal básico no futuro.
4. Agora considere que alguém tenha perdido um capítulo da novela de sua preferência. Por isso, no dia seguinte, lê o resumo para saber o que aconteceu. Portanto, nessa situação os fatos já aconteceram, podendo ser contados no passado. Reescreva o texto, usando o passado como tempo fundamental.
XXII -FRAGMENTOS TEXTUAIS EM QUE PREDOMINA A DESCRIí‡íƒO
(Frase verbal x Frase nominal)
Fazia luar no sertão. Um luar claro, em desmaio. Luminoso e total sobre o catingal. Luar de estarrecer. Até os pardos garranchos e os espinhos resplandeciam (…) Incomodados pelo excesso de luz, os répteis deixavam as tocas e, inquietos, com suas escamas de ouro e prata, andavam pelas lajes como tesouros móveis (…) Em plena caatinga, somente esse movimento havia, já que tudo mais parecia morto e enterrado, sob o vasto cemitério da lua (…). Essa era a paisagem naquele lugar que a nada convidava e onde ninguém andava, a não ser o cangaceiro perseguido.
(DANTAS, Paulo. Apud CASTRO, Maria da Conceição. Redação Básica. São Paulo, Saraiva, 1988. p. 85.)
Havia um longo corredor externo, a porta de uma sala, três janelas de venezianas sempre fechadas e, ao fundo, a entrada da sala de jantar, com arabescos e flores nos vidros foscos. (…) Uma sala repleta de móveis sobre o piso de linóleo, móveis pesados, de feitio antigo: o enorme console, a mesa negra, a cristaleira, o relógio de pêndulo, alto como um armário, as poltronas fundas.
(TREVISAN, Hamilton. Apud CASTRO, Maria da Conceição. Redação Básica. São Paulo, Saraiva, 1988. p. 85)
ATIVIDADES
1. Observe: No primeiro fragmento de texto, o autor usa o pretérito imperfeito do indicativo para descrever o ambiente externo em que vai situar fato(s) de sua história. Como esse cenário contém movimento, supõe-se que nunca mais se repita, com os mesmos detalhes. Por isso, a sua descrição no “tempo presente-histórico” seria meio estranha. As mesmas características, entretanto, não se constatam no segundo fragmento, onde ocorre a descrição de um ambiente interno estático. Por isso,
a) passe a descrição de Hamilton Trevisan para o presente, transformando a segunda frase em frase verbal ;
b) na descrição de Paulo Dantas, transforme, sempre que possível, as frases verbais em frases nominais.
2. Faça uma lista de verbos adequados para descrições (que se referem a estados, situações, posse, etc.)
3. Faça, em duas versões, a descrição de um ambiente (í sua escolha). Em uma das versões devem predominar as frases nominais; em outra, as frases verbais.
XXIII – Dos que ascendem ao principado pelo crime
Há, porém, ainda, duas maneiras de tornar-se príncipe o homem comum, as quais podem ser inteiramente atribuídas ou í sorte ou ao merecimento, e não me parece que deva deixá-las de lado, embora de uma delas se possa mais extensamente falar no lugar em que se discorrer sobre as repúblicas. São elas: quando, por qualquer forma criminosa ou nefanda, se ascende ao principado; e quando, mediante o favor dos concidadãos, torna-se alguém príncipe de sua pátria. Tratando da primeira maneira, darei dois exemplos, um antigo e outro moderno, sem entrar de outra forma no mérito desta parte, porque julgo que eles bastem aos que se virem na necessidade de imitá-los.
Agátocles Siciliano, que era não só homem comum, mas de ínfima e abjeta condição, tornou-se rei de Siracusa. Filho de um oleiro, viveu criminosamente todas as fases de sua vida; não obstante, fez acompanhar seus crimes de tanta força de í¢nimo e de corpo, que, ingressando na milícia, pela sucessão deles chegou a pretor de Siracusa. Elevado a este posto e havendo deliberado tornar-se príncipe e manter com violência e sem dependência de outrem o que lhe fora concedido mediante acordo de todos, sobre este seu projeto entendendo-se com Amílcar Cartaginês, que com seus exércitos fazia campanha na Sicília, reuniu uma manhã o povo e o senado de Siracusa, como se tivesse de deliberar coisas pertinentes í república; e, a um sinal combinado, fez pelos seus soldados matar todos os senadores e os cidadãos mais ricos. Mortos estes, ocupou e manteve o principado daquela cidade sem qualquer oposição civil.
(MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo, Cultrix, s.d. p. 69-70. Apud FIORIN, José Luiz e SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: ítica, 1990. p. 213-4)
ATIVIDADES
1. Transforme o título do texto em frase nominal.
2. Torne o fragmento de texto acima mais compreensível para o leitor (mais “frio”). Em função desse propósito, mude a colocação dos termos, somente em enunciados de difícil leitura.
3. Use o “plural de modéstia” para o enunciador autodenominar-se no texto, fazendo os ajustes necessários.
4. Elimine a presença explícita do enunciador, impessoalizando os enunciados do texto original.
5. Explique as mudanças de sentido decorrentes de cada uma das atividades realizadas.
XXIV – TESTEMUNHAS DE VALDIVINO
Dizem que um homem chamado Valdivino atravessava uma mata quando foi assaltado por dois ladrões que tomaram todo dinheiro que conduzia. Depois, resolveram matá-lo para que o roubo ficasse impune. Debalde rogou o assaltado que poupassem sua vida, mas os ladrões riam. Valdivino, erguendo o olhar, viu duas aves que passavam voando. Disse, então:
? Garças, sede as testemunhas de Valdivino!
Os bandidos assassinaram Valdivino e o enterraram.
Anos depois estavam os dois ladrões conversando numa roda de amigos, na cidade próxima. Era pela tarde e duas garças voavam. Um deles, distraidamente, exclamou:
? Lá vão as testemunhas de Valdivino! …
Os amigos que sabiam do desaparecimento de Valdivino, cercaram os dois ladrões de perguntas e eles acabaram confessando o crime. Foram presos e condenados.
(CASCUDO, Luís da Cí¢mara. Contos Tradicionais do Brasil. Rio: Edições Ouro, s/d. – Natureza denunciante, p. 419)
ATIVIDADES
1. Responda: Se a expressão “Dizem que” (no começo do texto) fosse cortada, teria
a) mudança no sentido conotativo do texto? ( ) Sim. ( ) Não. Justifique: _______________
b) ajustes na estrutura da primeira frase? ( ) Sim. ( ) Não. Justifique: __________________
2. Na segunda frase, substitua “para que” por “a fim de” (que estabelece a mesma relação entre as idéias), fazendo os ajustes necessários.
3. Na terceira frase, substitua o verbo “riam” por “zombavam”, fazendo ajustes se houver necessidade.
4. O enunciado “Os bandidos assassinaram Valdivino e o enterraram.” contém duas proposições, entre as quais existe uma relação de tempo: primeiro aconteceu um fato e, depois, outro. Mantendo a mesma relação, reescreva o enunciado começando-o assim: Os bandidos, depois de _____________________.
5. Para esclarecer melhor a relação existente entre proposições do último enunciado do texto, em lugar do conetivo “e” poderia estar _____________.
XXV – A CAUSA DAS SECAS NO CEARí
Em priscas eras, os cearenses malquistaram-se com o Bom Jesus. Resolveram então expulsá-lo do Ceará. Para esse fim, prepararam uma jangada e nela puseram o Santo com os mantimentos que julgaram necessários para a longa travessia que, a seu juízo, ia o mesmo empreender. Desfraldaram a vela da embarcação e impeliram o Santo para o mar a fora, rumo a Portugal, donde procedera.
O Bom Jesus, na agoniada viagem, já muito distante das praias cearenses, “entre o mar e o céu”, sentiu sede. Por esquecimento, ou mui propositadamente, os seus perseguidores não haviam acondicionado água na jangada. Nem uma gota sequer existia do precioso líquido…
Nesse transe doloroso, sedento de sede, o Bom Jesus proferiu então estas palavras:
“Sim, cearenses ingratos e maus; vocês também não terão água quando tiverem sede”.
O Vento Leste, que passava, acolheu as palavras do aflito Santo e, varrendo do nosso céu todas as nuvens, trouxe para o Ceará a primeira seca.
(CASCUDO, Luís da Cí¢mara. Contos Tradicionais do Brasil. Rio: Edições Ouro, s/d. – Contos etiológicos – p.369)
ATIVIDADES
Faça as versões abaixo indicadas para contar a “Causa das secas no Ceará”:
1. Com exceção do 1º parágrafo, use o presente histórico (metáfora temporal) para contar a lenda.
2. Conte “A Causa das Secas no Ceará” com as seguintes transformações:
a) Inicie a história no 2º parágrafo, com uma introdução semelhante a esta: “Ao ser expulso do Ceará…
b) Deixe o conteúdo do 1º parágrafo para o final. Para fazer essa adaptação, introduza o respectivo parágrafo mais ou menos assim: “Tudo isso aconteceu porque, em priscas …..
3. Faça de conta que você seja um cearense. Para isso, conte a mesma história mudando apenas o foco narrativo.
XXVI – M CERTO MODELO DE ESCOLA
O texto abaixo é de difícil “leitura”. Além do problema de diagramação (pois não está dividido nem em parágrafos nem em frases), omite os sinais de pontuação. Leia e releia o texto atentamente, procurando compreendê-lo. Depois, faça as seguintes atividades:
1. Pontue o texto de acordo com a sua intuição.
2. Divida-o em parágrafos.
3. Discuta as tarefas anteriores com seus colegas.
UM CERTO MODELO DE ESCOLA
(Autor ignorado. Adaptação: R.A.K)
Conta-se que os bichos determinaram criar uma escola porque o meio em que estavam vivendo começava a se tornar cada vez mais complexo já não podiam com seus instintos inatos enfrentar o meio que se havia complicado demais precisavam de uma escola para habilitá-los e prepará-los convenientemente para as novas estruturas do ambiente foi escolhido um corpo docente ótimo todo ele com grandes títulos universitários e boa experiência isso envaideceu a todos para o currículo sem muita pesquisa do meio ambiente escolheram o seguinte elenco de disciplinas nadar correr voar galgar morros e superar obstáculos os primeiros alunos foram o cisne o coelho o gato e o pato começando o curso cada mestre preocupado apenas com a sua disciplina dava matéria a torto e a direito julgavam que assim procediam corretamente fazendo jus a seus títulos acadêmicos e salários os alunos contudo iam se desencantando com a tão almejada escola o cisne nas aulas de correr de voar de subir morros apesar de todo esforço era mau aluno tirava notas péssimas ficava com os pés ensangüentados nas corridas e por causa de sua í¢nsia de voar alto e veloz fazia calos em diferentes pontos de suas asas o pior era que em decorrência de seu esforço nessas disciplinas começara a regredir na disciplina de nadar coisa em que antes era exímio o coelho por sua vez padecia nas matérias de nadar e voar como aprender a voar se não tinha asas em se tratando de nadar a tarefa era igualmente difícil se bem que um pouco menos do que voar o que o salvava eram duas matérias correr e galgar morros pois suas notas em nadar e voar eram de reprovação entretanto não havia dispensa de disciplina para ninguém o gato tinha o mesmo problema que o coelho em se tratando de nadar e voar com relação a voar ele insistia que se fosse o caso de voar de cima para baixo ele poderia ter relativo êxito o professor contudo não podia aceitar essa condição porque não estava de acordo com o programa oficial que deveria ser cumprido rigorosamente o pato finalmente era um aluno medíocre em tudo voava um pouquinho corria mais ou menos nadava até bem muito menos do que o cisne é claro subia morros até com certo desembaraço entretanto sua média geral era a melhor não tinha reprovação como o coelho e o gato por isso sua mediocridade em tudo o fazia sumamente brilhante na estatística final conseqüementemente foi escolhido para orador da turma apesar da reclamação geral o coelho argumentava que corria e galgava morros muito melhor do que ele o cisne de ser melhor nadador cada um tinha sua queixa justificada contra a escolha do pato um único argumento porém fez com que todos se calassem ninguém tinha média superior í dele por isso estatisticamente o pato era superior a todos.
XXVII -TEXTO-BASE (FRAGMENTO)
Num repente, relembrei estar em noite de lobisomem – era sexta-feira (…)
Já um estirão era andado quando, numa roça de mandioca, adveio aquele figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pêlo e raiva (….)
Dei um pulo de cabrito e preparado estava para a guerra do lobisomem. Por descargo de consciência, do que nem carecia, chamei os santos de que sou devocioneiro:
? São Jorge, Santo Onofre, São José!
Em presença de tal apelação, mais brabento apareceu a peste. Ciscava o chão de soltar terra e macega no longe de dez braças ou mais. Era trabalho de gelar qualquer cristão que não levasse o nome de Ponciano de Azeredo Furtado. Dos olhos do lobisomem pingava labareda, em risco de contaminar de fogo o verdal adjacente. Tanta chispa largava o penitente que um caçador de paca, estando em distí¢ncia de bom respeito, cuidou que o mato estivesse ardendo. Já nessa altura eu tinha pegado a segurança de uma figueira e lá de cima, no galho mais firme, aguardava a deliberação do lobisomem. Garrucha engatilhada, só pedia que o assombrado desse franquia de tiro. Sabidão, cheio de voltas e negaças, deu ele de executar macaquice que nunca cuidei que um lobisomem pudesse fazer. Aquele par de brasas espiava aqui e lá na esperança de que eu pensasse ser uma súcia deles e não uma pessoa sozinha. O que o galhofista queria é que eu, coronel de í¢nimo desenfreado, fosse para o barro denegrir a farda e deslustrar a patente. Sujeito especial em lobisomem como eu não ia cair em armadilha de pouco pau. No alto da figueira estava, no alto da figueira fiquei.
(CARVALHO, José Cí¢ndido de. O coronel e o lobisomem. Apud FIORIN, José Luiz e SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: ítica, 199O. p. 197)
REFLEXí•ES E ATIVIDADES
1. Considerando as referências textuais Ponciano de Azeredo Furtado e Lobisomem,
a) faça uma lista das palavras ou expressões usadas pelo autor para denominar esses personagens;
b) explique os efeitos de sentido que as diferentes denominações causaram na caracterização de cada personagem. (Se o autor tivesse repetido sempre a mesma palavra/expressão para denominar um personagem, ou se apenas se referisse a ele através de pronomes – ou elipses – , o sentido teria sido o mesmo?)
2. Faça uma nova versão do texto mudando seu foco narrativo.
3. Com o auxílio do dicionário, faça a seguinte pesquisa:
a) Extraia do texto as palavras que não fazem parte do léxico (vocabulário) da Língua Portuguesa Padrão, buscando, para cada uma delas, uma palavra equivalente nessa variedade lingüística.
b) Explique os efeitos de sentido das palavras novas (neologismos) encontradas no texto.
4. Tendo em conta o ordenamento dos termos na oração e das orações no período,
a) assinale alguns enunciados em que ocorre ordem inversa;
b) transcreva os mesmos enunciados em ordem direta;
c) justifique a ordem inversa adotada pelo autor.
ATIVIDADES COMPLEMENTARES: ORDEM DIRETA X ORDEM INVERSA
Passe para a ordem direta os textos ou fragmentos de texto abaixo:
1. “Introdução” de um edital:
“A Exma. Sra. Dra. Mylene Maria Michel,
MMa. Juíza de Direito Diretora do Foro,
da Comarca de Santa Maria, RS.
FAZ SABER aos que o presente EDITAL virem, ou dele conhecimento tiverem, que encontra-se vago um (01) cargo de OFICIAL DISTRITAL de São Martinho, nesta Comarca de Santa Maria, de entrí¢ncia intermediária.”
2. Enunciados extraídos de “Paradigmas do Conhecimento” In: MARQUES, Mário Osório. Pedagogia: A ciência do educador. Ijuí: Livraria Unijuí Editora, 1990, p. 13-50.
2.1. “Qualifica-se como tal o ser humano pelo grau de saber e autodeterminação com que produz e assume suas condições de existência. Somente no conhecimento como domínio das condições do existir e diretriz para as determinações do agir realizam-se na vida humana as capacidades de auto-organização e autocontrole.”
2.2. “Das demais modalidades, porém, distingue-se o conhecimento científico por ser, ao mesmo tempo, um saber de conteúdo e um saber do seu saber.”
3. “MAR PORTUGUíŠS”, de Fernando Pessoa:
í“ mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
4. Hino Nacional Brasileiro:
(Letra: Joaquim Osório Duque Estrada)
I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
í“ Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança í terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
í‰s belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
í‰s tu, Brasil,
í“ Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e í luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“nossa vida” no teu seio “mais amores”.
í“ Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flí¢mula
- Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge í luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
í‰s tu, Brasil,
í“ Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
XXVIII – RACIOCíNIO SOLIDíRIO DERROTA O ARBíTRIO E A INTOLERí‚NCIA
Atividade preliminar (a ser feita antes da leitura do texto):
As proposições abaixo constituem os dois primeiros parágrafos do texto, mas não têm coesão, pois estão fora de sua ordem seqüencial.
I – Sublinhe as palavras e expressões que constituem marcadores de ordem seqüencial.
II – Levando em conta esses marcadores, use os parênteses para numerar os enunciados na ordem seqüencial em que devem ocorrer.
III – Compare a resposta resultante da atividade “II” com a seqüência original do texto (transcrito depois desta atividade preliminar).
1º Parágrafo:
( ) Por isso, incumbiu um esperto ministro de descobrir um jeito de condená-los sem dar ao povo uma impressão de arbitrariedade
( ) Certo dia, um rei perverso resolveu executar três sábios porque discordava de suas opiniões.
( ) O ministro, então, engendrou uma saída: apresentou aos sábios uma bandeja com cinco chapéus, três pretos e dois brancos, a serem colocados na cabeça de cada um.
( ) Poderia simplesmente matá-los, mas uma atitude dessas poderia provocar uma grande revolta popular.
2º Parágrafo:
( ) “Qual é a cor de seu chapéu?”, perguntou o rei na primeira vez.
( ) Uma vez que tudo estivesse pronto, o rei perguntaria:
( ) Cada um dos sábios deveria responder quando tivesse certeza ou então permanecer em silêncio
( ) “Qual é a cor do seu chapéu?”, perguntou o rei novamente.
( ) Determinou, em seguida, que eles se mantivessem incomunicáveis, num lugar onde enxergassem apenas o topo da cabeça dos outros dois e não conseguissem ver a cor do próprio chapéu
( ) “De que cor é o chapéu em sua cabeça?”
( ) “Preto”, responderam todos e acertaram em cheio.
( ) Após três tentativas, quem não respondesse ou errasse a resposta seria condenado.
( ) Por isso, foram libertados e o rei teve de engolir o fracasso do plano de seu não esperto ministro.
( ) “Qual é a cor de seu chapéu?”, perguntou o rei pela terceira vez.
( ) Todos ficaram em silêncio.
( ) Nenhuma resposta.
TEXTO ORIGINAL:
Raciocínio solidário derrota o arbítrio e a intolerí¢ncia
Por Luiz Barco
Certo dia, um rei perverso resolveu executar três sábios porque discordava de suas opiniões. Poderia simplesmente matá-los, mas uma atitude dessas poderia provocar uma grande revolta popular. Por isso, incumbiu um esperto ministro de descobrir um jeito de condená-los sem dar ao povo uma impressão de arbitrariedade. O ministro, então, engendrou uma saída: apresentou aos sábios uma bandeja com cinco chapéus, três pretos e dois brancos, a serem colocados na cabeça de cada um.
Determinou, em seguida, que eles se mantivessem incomunicáveis, num lugar onde enxergassem apenas o topo da cabeça dos outros dois e não conseguissem ver a cor do próprio chapéu. Uma vez que tudo estivesse pronto, o rei perguntaria: “De que cor é o chapéu em sua cabeça?” Cada um dos sábios deveria responder quando tivesse certeza ou então permanecer em silêncio. Após três tentativas, quem não respondesse ou errasse a resposta seria condenado. “Qual é a cor de seu chapéu?”, perguntou o rei na primeira vez. Todos ficaram em silêncio. “Qual é a cor do seu chapéu?”, perguntou o rei novamente. Nenhuma resposta. “Qual é a cor de seu chapéu?”, perguntou o rei pela terceira vez. “Preto”, responderam todos e acertaram em cheio. Por isso, foram libertados e o rei teve de engolir o fracasso do plano de seu não esperto ministro.
De que forma eles conseguiram esse resultado? Seguiram um raciocínio que eu chamo solidário, em que cada um tem de raciocinar bem e esperar que os outros também o façam. Se um dos três falhasse, todos estariam perdidos. Vamos tentar reconstituir o caminho percorrido pelos sábios. A bandeja tinha cinco chapéus, três pretos e dois brancos. Logo, se um deles enxergasse dois chapéus brancos, teria um preto na cabeça, é claro, já que estava vendo a totalidade dos brancos. O silêncio na primeira tentativa indicou a cada um deles que ninguém estava enxergando dois chapéus brancos. A única possibilidade era a existência de dois pretos ou de um preto e um branco.
Portanto, a primeira pergunta serviu para indicar que um chapéu branco estava fora da jogada. Na segunda pergunta, se qualquer dos três tivesse visto um chapéu branco aproveitaria a chance para dizer: “O meu é preto.” Como ninguém disse nada, eles deduziram que não havia nenhum chapéu branco na jogada e, assim, se valeram da última pergunta para responder sem titubear: “O meu chapéu é preto.” Observe que foi raciocinando para si e contando com o solidário raciocínio dos colegas que cada um dos sábios tomou a própria decisão. Se um só deles raciocinasse e concluísse mal, poria a perder o raciocínio dos outros dois. Esse fato ilustra bem um pequeno e ingênuo problema que, embora não pareça, é bem mais freqüente do que se pode imaginar. í‰ como se tivéssemos certeza de que ao produzir algo poluente sofreríamos as conseqüências desse ato.
Nós ou nossos descendentes seremos, sem dúvida, alcançados por nossas grandezas ou misérias. A questão de vida ou morte dos sábios revela que o procedimento solidário acabou derrotando o rei e salvando-lhes a pele. Esse problema, aparentemente simples, me levou í conclusão de que se tentarmos estimular, sempre que possível, esse tipo de raciocínio em nossas crianças, provavelmente gastaremos muito menos tempo tentando cobrar solidariedade de nossos adultos.
( Luiz Barco é professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
(Revista “SUPERINTERESSANTE” ANO 7, N. 1, JANEIRO 1993 – Seção “DOIS MAIS DOIS”, p. 47.)
ATIVIDADES
(Alerta ao professor: Não é produtivo, a partir de um mesmo texto, propor um grande número de atividades aos alunos. Isso pode desmotivá-los para a leitura e para a aprendizagem. Ou seja, as atividades abaixo exemplificadas, se aplicadas “ispsis litteris” aos alunos, seriam “massacrantes”. Insisto que o objetivo aqui não é elaborar atividades para serem aplicadas mecanicamente a alunos. Pretendo, isso sim, demonstrar aos colegas como certos textos apresentam elementos para a elaboração de atividades de aprendizagem.)
1. Divida o texto acima em duas partes:
a) parte em que o autor, predominantemente, assume uma atitude de relator (apresentando um “mundo narrado”):
b) parte em que o autor, predominantemente, assume uma atitude de comentador ou comentarista (apresentando um “mundo comentado”):
2. O autor interpõe comentários entre os fatos na parte relatada. Sublinhe os enunciados com os quais ele faz isso.
3. Transforme a parte em que o autor adota uma atitude de relator mudando-a para uma atitude de comentador.
4. Reelabore os enunciados abaixo (extraídos do terceiro parágrafo) conforme o solicitado:
a) Passe para o futuro: “Se um dos três falhasse, todos estariam perdidos.”
b) Reduza a locução verbal grifada (constituída de três palavras) a uma só palavra. (Atenção! Vai haver uma pequena alteração de sentido.): “Vamos tentar reconstituir o caminho percorrido pelos sábios.”
5. Reconstrua o seguinte enunciado, substituindo o verbo ter pelo verbo haver: “A bandeja tinha cinco chapéus, três pretos e dois brancos.”
6. Substitua a locução verbal por uma forma simples equivalente: “O silêncio na primeira tentativa indicou a cada um deles que ninguém estava enxergando dois chapéus brancos.”
7. Posicione-se quanto ao uso adequado ou inadequado do infinitivo (impessoal ou pessoal) nos enunciados abaixo:
a) Como ninguém disse nada, eles deduziram que não havia nenhum chapéu branco na jogada e, assim, se valeram da última pergunta para responder sem titubear: “O meu chapéu é preto.” (4º parágrafo)
b) í‰ como se tivéssemos certeza de que ao produzir algo poluente sofreríamos as conseqüências desse ato. (4º parágrafo)
8. a) Responda: A quem o autor está se dirigindo ao usar o imperativo no seguinte período? “Observe que foi raciocinando para si e contando com o solidário raciocínio dos colegas que cada um dos sábios tomou a própria decisão.” (4º parágrafo)
b) Tendo em conta o mesmo enunciado, mencione o termo que foi enfatizado pelo autor, bem como o mecanismo gramatical por ele usado para realizar a ênfase.
9. Reescreva o primeiro parágrafo do texto com base na seguinte introdução: “Certo dia, um rei perverso determinou que três sábios se mantivessem incomunicáveis, num lugar onde enxergassem apenas o topo da cabeça dos outros dois e não conseguissem ver a cor do próprio chapéu.” (Esse fato é narrado no início do 2º parágrafo do texto original.)
10. Localize enunciados em que haja formas verbais para as quais, de acordo com a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, as flexões deveriam ser diferentes, ou para as quais, no mínimo, se admitiria outra flexão, sem prejuízo do sentido.
XIX – Foi Sonho
Mário de Andrade (Melhores Contos)
? Antão, Frorinda, que é isso! você tá lôca!…
Será que você qué abandoná seu negro pru causo de otra muié?… Inda que eu fosse um desses miserave que dêxum fartá inté pão im casa, mais eu, Frorinda! que nunca te deixei sem surtimento! E inté trago tudo de sobra pá gente pudê sê filiz… Quando que na casa de sua mãi ocê usô argola nas orêia, feito deusa? só eu, que quero ocê bunita sempre, bunita pr’eu querê bem, e não bunita pá gozá… Quando o Romero comprô aquela brusa de seda pra muié dele, num comprei logo um vistido intêro p’ocê?… Dêxa disso Frorinda, eu ixprico tudo! Num bamo agora se disgraçá pr’uma coisinha de nada!
… Eu onte caí na farra, tanta gente mascarado divirtino, você tava tão longe pr’eu í busca… Depois minha mulé num é pra farra não! eu quis mulé foi pá tá im casa me sirvindo cum duçura, intrei na premera venda e bibi. Antão me deu uma corage de sê o que num tenho sido, você bem sabe que num tenho sido, mais quis caí na farra uma veiz. Inté tava bem triste pruque de repente me alembrei que dê-certo o Romero tava im casa cum a famia, im veiz de andá sozinho cumo eu tava, feito sordado na vida… Porém já tinha bibido otra veiz, fiquei contente, puis num tenho que dá satisfação ninhuma p’u Romero, eu sô eu! Fui dexá as ferramenta na premera venda que eu sô cunhicido lá, tava todo sujo do trabaio, mai’justifiquei que pra caí na farra num caricia de me trocá. Farra é vergonha, pa sujo de pensamento, sujo de corpo num faiz má.
Agora nem num sei si devo contá o resto, Frorinda, pruque eu quero é num te martratá, já tava bem tanto quano incontrei ela. Nunca tinha visto simiante criatura mais ela vinha vistida de apache, que agora as muié deu pra visti carça no Carnavá… Vai, ela oiô pra mim e falô ansim. “í”ta mulato proletaro, bam’ fazê cumunismo pa i no baile do Colombo junto.” Eu inté num achei graça, mais porém todos tavum rindo do meu jeito, num quis ficá purtrais, me ri tamem. Intão ela s’incostô todinha e suspirô fingido. Todos cairam numa gargaiada que num sei o que me deu: pensei logo cumigo que seu negro, Frorinda, é hôme pra uma, duas, déiz muié, eu tava mêrmo tonto, inté jurguei que ocê havia de ficá sintida de seu hôme num demostrá que era capais de tudo, dei um tapa na padaria dela que ela vuô longe. Antão ela chegô otra vêiz, sem brincadêra, e segredô baixinho: “Bamo”? Praque que hei-de falá… mais me deu ua vontade de i cu’ela. Todos tavum reparando e senti satisfação. Garrei na cintura dela e fui andano. Minha tenção era chegá nargum lugá sem gente e dá o fora, porém, você me discurpe, Frorinda, era só tenção, cheguemo no Colombo.
Foi a conta! Ansim qu’inxerguei aquela gentarada na maió imoralidade, me cunvinci difinitivo que tinha caído na farra, era tudo um sonho, nada num fazia má, bibi, dancei, caçuei c’os otro, ela só se ajeitando pa meu lado… Despois, quano me convidô pá i cu’ela, eu disse: “eu vô”.
E agora você num qué mais eu só pur causo dessa mulé!… Ocê tá maginano que tenho argum amô pur aquela pirdida!… Eu inté paguei ela!… Foi que ela me falô que o pai apareceu lá im casa da patroa e pidiu cinco mirréis, dizendo que batia nela, eu tive dó, arrispundi: “Pur isso não, você tá quereno i cumigo, intão bamo que despois de eu fazê o sirviço, te dô os cinco mirréis.” Também quantas veiz lá no trabaio, passa o bananero, me dá ua vontade, “í“ia aqui, me dá duzentão de bana”, você zanga? Pago, como, num trago niúma pr’ocê, você zanga? diga!… Home quano vê muié jeitosa, mermo que num seje sua mulé, vontade ele tem memo… Me deu vontade cumo das banana. Tamém cumi, paguei, num truxe nada pro ocê. E ocê zangô!…
Isso de “nossa cama”, “nossa cama”, bamo dexá de bobage, Frorinda! Eu tava bebo, bêbado não! tava só tonto, num sei que tontice me deu, num tinha lugá, mato eu num gosto, levei ela pra nossa casa. Eu tava bebo memo, puis você divia riagi… Im veiz de saí de casa toda chorano, me chamando de “sem vergonha”, sem-vergonha não! que eu sempre tive vergonha na vida, num robo, num bebo, nunca fiz má pra ninguém! Vô fazê má é pra mim, pruque si ocê me dexá sinto que vô sofrê demais de te vê disgraçada.
… Nem sei si levei ela im casa na tenção de sê na nossa cama, eu quiria é lugá siguro… você acordô c’u riso dela. Mais porém quano ocê me chamô de sem-vergonha na frente dela, me bateu, um ódio de tá manera, eu disse: Ha-de sê na tua cama, quente de teu corpo, sua!… E fiz. Você divia riagi!
Puis é… Hoje de-manhãzinha ela me apareceu lá im casa, fazeno um bué danado. Fui me acordando e pricurei logo ocê, era o custume. Ocê num tava… Antão veio tudo num crarão e logo pircibi que tinha feito ua bestera. “í“i, que eu falei pr’ela, é mió você num metê cumigo não, qu’eu já sô de otra.” Ela garrô chorano arto pr’us vizinho, diz-que eu tinha tirado a honra dela… Fiquei surprindido, mais depois sortei ua gargaiada, “ôh negrinha, ocê num vem cum parte não! que quantos num te cunheceru, heim, negra”!… Mais ela num vê de pará, tava juntano gente, ela gritava que era virge, que inté o Sandrino c’o Romero vinherum pa meu lado, falando que si caricia de tistimunha, eles tavum pa me ajudá. Eu antão fiquei tão cego que crisci pra cima dela, mia vontade era matá, me sigurarum. Daí ela saiu correno, gritano que ia na Puliça. Foi quano o Romeu priguntô de ocê, eu fui, fiquei bem carmo, arrispundi que ocê tinha ido na casa de sua mãi. Filizmente que ninguém num tinha iscutado a increnca da noite…
Antão arresorvi vim buscá ocê. í“i, Frorinda, ocê bem sabe que num sô home pra tá tirano a honra de muié… Só tirei a honra de uma, foi você, pruque nóis dois se pirtincia. Mais porém te dei a minha, que ocê é que guarda a honra de seu negro, num é mesmo?… diga! E agora, será que ocê tá quereno me dishonrá… Antão você vai dá de mostrá pr’us otro que tu é uma disgraçada, quano num é!…
Eu inté num gosto de jurá pruque sô home cumpridô de sua palavra, mais… ói! te juro que nunca mais hei-de oiá para outra mulé, é ocê que eu quero bem, te juro! Bamo fingi que tudo o que sucedeu, num sucedeu, foi sonho, e hei-de te prová que foi sonho memo, num dexô siná. Bamo cumigo, Frorinda…
REFLEXí•ES E ATIVIDADES
ORIENTAí‡íƒO: Em todas as atividades devem ser explicados os efeitos de sentido decorrentes das reformulações.
1. Traduza partes do texto (í sua escolha) para a variedade da Língua Portuguesa Padrão.
2. Transforme, nas partes traduzidas, o tratamento “você” dado í Frorinda para “tu”.
3. Identifique e classifique atos de fala primitivos e derivados realizados pela personagem principal do texto.
4. Formule uma regra gramatical que se refira a um aspecto bem delimitado da linguagem usada no texto, assinalando as passagens que fundamentam a regra por você inferida.
XXX – IMPESSOALIZAí‡íƒO DE TEXTOS ATRAVí‰S DA OMISSíƒO DOS AGENTES
1. Orientação teórica
Para impessoalizar um texto, você deve omitir (sempre que possível) os agentes das ações verbais. Para tanto, você pode valer-se de mecanismos tais como:
a) usar a voz passiva analítica ou sintética em verbos que exigem objeto direto, omitindo o agente da passiva;
b) usar o mesmo mecanismo (voz passiva) juntamente com auxiliares modais (dever, poder…);
c) usar o pronome “se” como índice de indeterminação do sujeito (para verbos intransitivos e transitivos indiretos);
d) transformar, quando lingüisticamente viável, pacientes, causas, instrumentos, em agentes da ação verbal. (Ex.: O moleque quebrou a vidraça da prefeitura com uma pedra. X Uma pedra quebrou a vidraça da prefeitura. O vento abriu/bateu a porta. X A porta abriu/bateu.);
e) usar predicados cristalizados, adaptando estruturalmente a respectiva frase (“é preciso/ é necessário que……”; “é importante/importa que…..”; “convém que…..”; “urge que….”, etc.);
f) nominalizar orações, transformando o respectivo verbo em substantivo.
2. Atividade: Realize a impessoalização de algumas ações relatadas na ata abaixo transcrita:
ATA N.º 04/90
Aos dezessete dias do mês de abril de mil novecentos e noventa, na sala 1210 do Centro de Artes e Letras, í s quinze horas e trinta minutos, realizou-se mais uma reunião do Colegiado do Curso de Letras, com a presença dos seguintes membros: Prof. Roque Amadeu Kreutz, presidente e Coordenador do Curso; Profa. Marta Eliza Liberalli, representante do Departamento de Metodologia de Ensino; Profa. Rejane Sampedro Ramos, representante do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas; Profa. Tí¢nia Taschetto, representante do Departamento de Letras Clássicas, Filologia e Lingüística; Profa. Terezinha de Jesus Zadra, representante do CPERS; e as acadêmicas Circi Nayar Lourenço, Cristiane Rossatto e Elisabeth Konrad. O presidente do Colegiado, Prof. Roque Amadeu Kreutz, deu início í reunião, solicitando que fosse feita a leitura da ata do dia 03/04/90. Após a leitura, a ata foi colocada em votação e aprovada com a seguinte emenda: “a acadêmica Valéria Machado não esteve presente í reunião do Colegiado do dia 03/04/90, conforme consta na respectiva ata.” A seguir, o Prof. Roque Amadeu Kreutz leu os itens da pauta referentes í presente reunião, submetendo-os í apreciação dos presentes. A acadêmica Circi solicitou que fosse incluído mais um item: alteração do horário das reuniões do Colegiado. Todos concordaram com a inclusão solicitada, que passou a figurar como primeiro item da pauta. Por isso, iniciou-se a ordem do dia com a discussão desse item. A autora da proposta justificou a alteração do horário dizendo que a acadêmica Valéria Machado, por incompatibilidade com seu horário de aulas, está impedida de participar das reuniões do Colegiado nas datas e horários já estabelecidos. Entretanto, após a discussão da proposta, chegou-se í conclusão de que não há possibilidade de alteração, já que terça-feira é o dia mais indicado para a maioria. O Prof. Roque também comunicou que, conforme decisão anterior do Colegiado, doravante as reuniões deverão ter início í s quinze horas, e não mais í s quinze horas e trinta minutos, conforme vinha acontecendo. Discutiu-se, a seguir, a homologação do horário de aulas do Curso de Letras para o próximo semestre. A Profa. Tí¢nia, que integra a comissão que elaborou a proposta de horário, passou explicar diferentes aspectos da proposta. O Prof. Roque, depois de agradecer e elogiar o trabalho da comissão, manifestou sua aprovação integral í proposta elaborada. Depois de serem esclarecidas diversas dúvidas, a proposta de horário foi colocada em votação, sendo aprovada por unanimidade. Passou-se, então, ao próximo item da pauta: datas e horários da pré-matrícula. Ficou decidido que a pré-matrícula será realizada nos dias 24 e 25 de abril, na Secretaria do Curso, no horário das oito í s onze horas e trinta minutos, e das quatorze í s dezessete horas. Em seguida, foram analisados vários pedidos de alunos e emitidos os respectivos pareceres referentes í dispensa de pré-requisitos para cursar disciplinas do currículo. Sobre o assunto, o Prof. Roque comunicou que o Departamento de Letras Vernáculas, bem como o de Letras Clássicas, Filologia e Lingüística, já realizaram dispensas de pré-requisitos, restringindo estes a um pequeno número de disciplinas. Tendo em conta essa situação, a Coordenação do Curso divulgará o novo quadro de pré-requisitos ainda antes da pré-matrícula e o enviará ao DERCA, para fins de elaboração do novo guia de oferta de disciplinas. Antes de encerrar a reunião, o Prof. Roque informou que, no dia 19/04, será realizada uma assembléia geral do curso para a discussão e votação do regimento eleitoral relativo í s eleições de Coordenador, cujo resumo já foi divulgado através da circular de convocação da referida assembléia. Agradecendo a presença de todos, o presidente dos trabalhos encerrou a reunião. Nada mais havendo a registrar, eu, ………………………., secretária administrativa do Curso de Letras, lavrei a presente ata que vai datada e assinada por mim e pelos demais presentes. Santa Maria, 17 de abril de 1990.
XXXI – FORMAS “APRECIATIVAS” OU “NíƒO APRECIATIVAS” DE RETOMADA REFERENCIAL
1. Preencha as lacunas dos enunciados abaixo seguindo o modelo inicial:
“O buraco de ozônio já chegou ao Rio Grande do Sul. Esse(a) …… (fenômeno/desastre ecológico/catástrofe) pode trazer sérios prejuízos í saúde dos riograndenses.
a) A baixa renda de milhões de brasileiros sempre é lembrada nas campanhas eleitorais. No entanto, esse(a) ………………. é esquecido(a) tão logo que os eleitos assumem o poder.
b) Em 1964, os militares assumiram o governo “para moralizar a administração pública e combater o comunismo”. Será que esses(as) ……………………… foram alcançados?
c) A “gota d’água” da derrubada de Jango foi o comício da Central do Brasil, …………… que atemorizou os militares e a elite empresarial.
d) A atual Diretoria do DCE (PRA MUDAR DE CARA) afirma que a Diretoria anterior (ALTERNATIVA) deixou um rombo de milhões no caixa da …………………. Esse(a) …………….. teve ampla cobertura da imprensa local.
e) Enquanto a TFP defende a estrutura hierárquica da sociedade e a obediência rígida í s tradições, o anarquismo defende uma organização social espontí¢nea em que vale tudo. Ambos(as) os(as)…………………… são extremistas.
f) Muitos defendem que a alegria ou a tristeza, a riqueza ou a pobreza são frutos de atividades e condições individuais. Outros afirmam que esse(a) ……………………… decorre de condições sociais. Ambos(as) os(as) …………………….. estão errados(as).
g) Pegue dois ovos e coloque-os, num canequinho metálico com água, sobre fogo brando. Quando começar a fervura, deixe-os ainda por três minutos; depois retire-os e os esfrie em água corrente. Todo(a) esse(a) …………….. garante que você obterá dois ovos cozidos “moles” para a sua refeição.
2. Construa grupos de enunciados em que, na “retomada”, se apliquem denominações genéricas tais como: fato (incidente, acidente, crime, delito – assalto, estupro, seqüestro, latrocínio), fenômeno, processo, operação, procedimento, atitude, comportamento, posicionamento, estado, situação, sentimento, realização, feito, trabalho, característica (defeito, vício, virtude), ato de fala (diálogo, pronunciamento, declaração, afirmação, ordem, pedido, súplica, pergunta, questionamento, insinuação, acusação, elogio, louvor, ameaça, promessa, mentira, inverdade, falsidade, falácia, sofisma, etc.)
XXXII – O VELHO AMBICIOSO
1. Um velho tinha um filho muito trabalhador. Não podendo ganhar a vida como desejava em sua terra, despediu-se do pai e seguiu viagem para longe a fim de trabalhar.
2. Ao princípio mandava notícias e dinheiro, mas depois deixou de escrever e o velho o julgava morto.
3. Anos depois, numa tarde, chegou í casa do velho um homem e pediu agasalho por uma noite. Durante a ceia conversou pouco e deitou-se logo para dormir.
4. O velho, reparando que o desconhecido trazia muito dinheiro, resolveu matá-lo. Relutou muito, mas acabou cedendo í tentação e assassinou o hóspede, enterrando-o no quintal do sítio.
5. Voltou para a sala e abriu a mala do morto. Encontrou as provas de que se tratava do próprio filho, agora rico, e que vinha fazer-lhe uma surpresa. Cheio de horror, o pai e matador foi entregar-se í justiça e morreu na prisão, carregado de remorsos.
(CASCUDO, Luís da Cí¢mara. Contos tradicionais do Brasil. Rio: Edições Ouro, s/d. – Contos de Exemplo, p.217)
ATIVIDADES
1. a) Transcreva, separadamente, todas as palavras ou expressões que se referem a cada personagem do texto, indicando o parágrafo em que se encontram.
b) Sugira palavras ou expressões que poderiam substituir adequadamente as repetições (somente as repetições) constatadas na atividade “a”.
2. A relação entre as proposições do 2º parágrafo do texto (“Ao princípio mandava notícias e dinheiro, mas depois deixou de escrever e o velho o julgava morto.”) NíƒO ficaria CORRETA se a mesma frase tivesse a seguinte versão:
a) Ao princípio mandava notícias e dinheiro. Depois deixou de escrever e o velho o julgava morto.
b) Embora ao princípio mandasse notícias e dinheiro, depois deixou de escrever; por isso o velho o julgava morto.
c) O velho o julgava morto porque ao princípio mandava notícias e dinheiro, mas depois deixou de escrever.
d) Ao princípio mandava notícias e dinheiro; todavia, depois deixou de escrever. Por essa razão, o velho o julgava morto.
e) O velho o julgava morto. Por isso, ao princípio mandava notícias e dinheiro, mas depois deixou de escrever.
3. “Voltou para a sala e abriu a mala do morto. Encontrou as provas de que se tratava do próprio filho, agora rico, e que vinha fazer-lhe uma surpresa.” (parágrafo 5º). A falta de um conetivo que indique explicitamente a relação entre as idéias separadas por ponto autoriza mais de uma interpretação. Entretanto, uma das versões abaixo NíƒO PODE SERVIR DE INTERPRETAí‡íƒO AO ORIGINAL. Assinale-a.
a) Ao voltar para a sala e abrir a mala do morto, encontrou as provas de que se tratava do próprio filho, agora rico, e que vinha fazer-lhe uma surpresa.
b) Caso não tivesse voltado para a sala e aberto a mala do morto, não teria encontrado as provas de que se tratava do próprio filho, agora rico, e que viera para fazer-lhe uma surpresa.
c) Antes de encontrar as provas de que se tratava do próprio filho, agora rico, e que vinha fazer-lhe uma surpresa, voltara para a sala e abrira a mala do morto.
d) Por ter voltado para a sala e de ter aberto a mala do morto, encontrou as provas de que se tratava do próprio filho, agora rico, e que vinha fazer-lhe uma surpresa.
e) Quando voltou para a sala e abriu a mala do morto, encontrou as provas de que se tratava do próprio filho, agora rico, e que vinha fazer-lhe uma surpresa.
4. Na elaboração dos enunciados do texto, o autor usou ordem direta e ordem inversa. Nos períodos indicados, altere a ordem das orações e/ou dos termos, mas sem prejudicar a gramaticalidade e a clareza das proposições.
a) “Anos depois….. por uma noite.” (parágrafo 3º).
b) “Encontrou as provas ….. surpresa.” (parágrafo 5º).
5. Imaginemos que o velho, antes de morrer na prisão, tenha contado a sua história para um padre que foi atendê-lo em seu leito de morte. (Portanto, nesse caso, o foco narrativo do texto deve ser de “primeira pessoa”.) Por outro lado, imaginemos que o assassino tenha contado toda a história começando com a vinda de um desconhecido a sua casa (parágrafo 3º).
Com base nesses pressupostos, reconstrua todo o texto, contando os fatos pela boca do velho quando este se confessava. (Atenção! Não faça alterações desnecessárias.)
XXXIII – TEXTO: Como Sobreviver?
A riqueza do sertão ? vai falando o João ? é o gado e a colheita. O gado está caído. A colheita já caiu. Se não tem gado nem colheita, o que é que a gente tem? A gente pediu dinheiro nos bancos, para financiar as plantações ? o que se plantou não deu; a chuva não vem; o gado está caído, como é que vamos pagar os bancos? í‰ a desgraça. Agora, os bancos vêm cobrar a gente. A gente fala para os gerentes, mas como vamos pagar? Os gerentes não querem ouvir. Dizem que o povo está cheio de malandro, de gente irresponsável, que não quer pagar. Mas como pagar? As autoridades superiores vivem na bondade, nem querem ligar para a pobreza. Os gerentes estão ameaçando a gente com o cartório e com o xadrez.
Fui falar com o gerente do Banco do Brasil. Não quis me ouvir. Não adiantou falar do gado caído, da colheita morta, de meu pai, seu Odilo, doente. Coitado, se perde a fazenda, morre. Ameaçou com o cartório. Tem muita gente aqui na região perdendo tudo. E tem gente de fora, de outros Estados, que está vindo para cá. O dono perde tudo e fica só de morador, ou então vai viver em outro lugar. Escrevi uma carta ao Banco Central contando tudo, será que responderão? O chefe da carteira do Banco do Brasil diz que vão tomar a propriedade da gente. Aí, o que é que se faz? Deus, a gente não pode perder tudo assim. A vida da gente é a terra. Querem matar a gente?
(FAERMAN, Marcos. Com as Mãos Sujas de Sangue. São Paulo, Global Ed. e Dist., 1979. p. 88.)
ATIVIDADES
1. João (o narrador) avalia/julga toda a situação que está descrevendo através de uma frase, no primeiro parágrafo. Sublinhe essa frase.
2. Copie do texto um ato de fala derivado e explique porque é derivado.
3. Transforme os dois primeiros períodos simples do segundo parágrafo em período composto. Para isso, use um conetivo que expresse adequadamente a relação lógico-semí¢ntica ou discursiva que ocorre entre as duas idéias.
4. Bastante no início do texto, substitua a expressão “a gente” por “nós, os colonos,”. Mantenha esse foco narrativo até o final do texto, fazendo os ajustes necessários.
5. Altere a modalização da seguinte frase: “O dono perde tudo e fica só de morador, ou então vai viver em outro lugar.”
6. Nas frases abaixo, a pontuação pode ser aperfeiçoada, de modo que esteja mais de acordo com as regras da Língua Portuguesa Padrão. Aperfeiçoe a pontuação das frases, fazendo alterações em dois sinais de pontuação no item “a”, e um em cada frase nos itens “b” e “c”. Para isso, reescreva as frases.
a) “A gente pediu dinheiro nos bancos, para financiar as plantações ? o que se plantou não deu; a chuva não vem; o gado está caído, como é que vamos pagar os bancos?”
b) “Escrevi uma carta ao Banco Central contando tudo, será que responderão?”
c) “Deus, a gente não pode perder tudo assim.”
XXXIV – BURACO DE OZí”NIO AMEAí‡A ALIMENTO
A radiação solar ultravioleta que passa pelo buraco do tamanho da América do Norte, aberto na camada de ozônio sobre a Antártida, já pode estar prejudicando a cadeia alimentar que sustenta a vida selvagem na região. O alerta foi feito por cientistas da Universidade do Texas, que fizeram experiências com plí¢ncton, vegetais microscópicos que servem de alimento para o krill, molusco que por sua vez entra no cardápio de peixes e baleias. A exposição excessiva í radiação parece destruir a clorofila responsável pela fotossíntese do plí¢ncton.
Em 1989, a concentração de ozônio sobre a Antártida tende a ser menor ainda que nos anos anteriores ? a campanha mundial pela abolição dos clorofluorcarbonos, gases responsáveis pela erosão do ozônio, não produz resultados instantí¢neos. No Hemisfério Norte, enquanto isso, cientistas acreditam que os efeitos da radiação podem estar sendo neutralizados ? quem diria ? pela poluição. A falta de ozônio na alta atmosfera seria compensada por um aumento da concentração do gás perto da superfície, por causa da descarga de automóveis e queima de combustível nas indústrias. Para quem sufoca no ar envenenado das cidades, a hipótese é um amargo consolo. (SUPERINTERESSANTE : janeiro de 1991(?), p. 21.)
ATIVIDADES
1. Faça outra versão do primeiro período, transformando uma oração subordinada em principal e a principal em subordinada (sem alterar a informação básica do enunciado).
2. Mantendo as mesmas informações contidas no segundo período do texto, transforme as orações subordinadas e os apostos em períodos simples.
3. Mude a modalização nos enunciados indicados, transformando a atitude de dúvida para atitude de certeza:
a) último período do primeiro parágrafo: ___________________________
b) penúltimo período do segundo parágrafo: ____________________________
4. Explique sentido contextual de
a) “ainda” (na primeira frase do 2º parágrafo):____________________________
b) “quem diria” (frase parentética no 2º parágrafo): __________________________
XXXV – í€ espera dos robôs
Quem estiver interessado em acompanhar os progressos da robótica e da automação, no Brasil e no mundo, não pode deixar de ler regularmente o boletim mensal publicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE), de São Paulo. A publicação sempre traz informações recentes sobre o assunto. Entretanto, está longe de fazer a apologia da nova era que se avizinha.
Um documento publicado na edição de junho de 1983, por exemplo, explicitava que os sindicatos não poderiam ser contra o progresso tecnológico. Apenas queriam que os trabalhadores fossem beneficiários desse progresso, e não suas vítimas. O progresso técnico deveria servir, por exemplo, para reduzir a jornada de trabalho e não para aumentar o nível de desemprego. Eis porque o DIEESE se dedicava a divulgar, sistematicamente, estudos sobre as conseqüências da automação no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, insistia na necessidade de os sindicatos se prepararem para incluir, nas pautas de negociações com as entidades patronais, os termos em que se deverá dar a implantação de processos e máquinas automáticas de produção de mercadorias ou prestação de serviços.
Nada mais prudente. Bastam alguns exemplos extraídos do boletim do DIEESE, de junho de 1984, para percebermos a dimensão do que pode significar a automação indiscriminada:
- Estudos realizados em outros países mostram que um robô pode substituir de seis a oito trabalhadores na indústria automobilística, de acordo com um relatório da Comissão de Estudos de Automação na Manufatura, da Secretaria Especial de Informática.
- O número de trabalhadores na indústria automobilística nos EUA poderá ser reduzido de um milhão em 1978 para cerca de 800 mil em 1990, mesmo prevendo um modesto crescimento de 1,8% ao ano nas vendas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores desse setor nos EUA.
- Uma fábrica de lí¢mpadas na Grande São Paulo produzia 20 mil unidades por turno de trabalho (8 horas) de 12 pessoas. Ao introduzir um processo de fabricação automatizada, essa fábrica passou a produzir 25,6 mil lí¢mpadas por turno com apenas cinco trabalhadores. Portanto, 5,6 mil lí¢mpadas a mais com sete trabalhadores a menos por turno.
- Uma siderúrgica de Minas Gerais, utilizando determinada aciaria (conjunto de equipamentos), produziu num ano 915 mil toneladas de aço com o trabalho de 271 pessoas. Na mesma empresa, existe uma aciaria mais automatizada, que produziu 1.620 mil toneladas ocupando apenas 115 pessoas. Cada trabalhador dessa aciaria produz quatro vezes mais que os trabalhadores da antiga aciaria.
(“Quadro” do artigo “Não há vagas”. In: PEREIRA, Raimundo Rodrigues et al. Retrato do Brasil, vol II, Editora POLíTICA, 1985. p. 269.)
ATIVIDADES
1. Preencha as lacunas com os sujeitos das frases, resgatando-os do texto:
a) “Entretanto, _______ está longe de fazer a apologia da nova era que se avizinha.” (final do 1º parágrafo)
b) ______ “Apenas queriam que os trabalhadores fossem beneficiários desse progresso, e não suas vítimas.” (segunda frase do 2º parágrafo)
c) “Ao mesmo tempo, _______ insistia na necessidade de os sindicatos se prepararem para incluir, nas pautas de negociações com as entidades patronais, os termos em que se deverá dar a implantação de processos e máquinas automáticas de produção de mercadorias ou prestação de serviços.”( frase final do 2º parágrafo)
2. Complete:
a) O autor do texto í€ espera dos robôs deixa transparecer claramente a sua posição sobre ______ usando a seguinte frase nominal: _______________
b) As três primeiras frases do 2º parágrafo constituem argumentos para a seguinte afirmação: _______
c) A palavra “assunto”, na última linha do 1º parágrafo retoma ___________
3. Explique em que lugar(es) do texto se encontram os argumentos que o autor utilizou para defender a sua posição (tese): _________________
4. Mencione o tipo de relação estabelecido pelo conetivo “e” na segunda e terceira frases do 2º parágrafo, justificando esse uso do “e”.
5. Complete: O autor, mesmo recorrendo a dados estatísticos nos parágrafos 4 e 5, não assume responsabilidade sobre eles. Para isso, indica a fonte desses dados (DIEESE) e usa, respectivamente, os conetivos ______ e ________, para atribuir responsabilidade sobre eles a _______ e ___________
6. Explique a importí¢ncia argumentativa do uso do artigo indefinido “uma” no início dos dois últimos parágrafos.
7. Substitua a palavra “dimensão” (3º parágrafo) por outra, mais carregada de negatividade, que se ajuste ao contexto.
8. O argumento do 5º parágrafo, graças a um recurso de modalização, é apresentado como uma possibilidade. Transforme-o para a modalidade da certeza.
9. Substitua a expressão “Eis porque”, no início da 4ª frase do 2º parágrafo, por outra equivalente.
10. Nominalize a primeira oração subordinada do 1º período do texto (“… em acompanhar os progressos da robótica e da automação…”), fazendo os ajustes necessários.
11. Junte as duas últimas frases do 1º parágrafo num só período, fazendo duas versões: uma com o conetivo concessivo “embora”, e outra com “apesar de”. Explique, depois, as diferenças estruturais e de sentido que provocaram essas transformações.
12. Reescreva o 2º parágrafo usando o presente como tempo básico. Explique as diferenças de sentido provocadas por essa transformação.
13. Levando em conta as afirmações contidas no 6º parágrafo, complete a última frase: “Portanto, ________ 5,6 mil lí¢mpadas a mais com sete trabalhadores a menos por turno.”
14. Sem alterar o sentido básico dos períodos em que se encontram, substitua as expressões “na necessidade” por “ser necessário”, e “dar a implantação” por “implantar” (última frase do 2º parágrafo), fazendo os ajustes necessários.
XXXVI – LATRINEIROS NA UNIVERSIDADE
(Cópia rigorosa de panfleto distribuído na UFSM em 1985, no decorrer da primeira campanha eleitoral para reitor.)
Causou estupor e indignação nos meios universitários locais, até agora envolvidos numa campanha eleitoral de alto nível, a mal alinhavada colcha de impropérios dirigida contra três dos reitoráveis (livrando apenas um deles) escrita (?) por uma figura obtusa que já tinha conseguido certa notoriedade por jogar excrementos contra a figura de Bento Gonçalves.
O referido elemento chega í s raias da ofensa pessoal contra os candidatos Tabajara, Benetti e Mariano, deixando imaculada e figura de José Fernandes. Chama Tabajara de “desbotada figura local”, esquecendo-se de que o mesmo é figura humana ímpar, admirado por seus alunos e colegas e com toda uma linha de conduta norteada pelo padrão cultural e pela sensibilidade. Coisas que o malsinado escriba (?) não pode compreender, uma vez que só teve acesso í s latrinas da UFSM para copiar inscrições das paredes das mesmas para realizar um estudo (?) interpretativo do pensamento universitário í luz do intestino grosso. Cada um procura o seu habitat…
Acusa o nosso candidato de estar implicado no desfalque da ABS. Nosso candidato já contratou, ontem mesmo, os advogados que moverão contra tão asqueroso articulista processo de calúnia, infí¢mia e difamação. Pois Tabajara foi quem constituiu auditoria, fez todo o levantamento das irregularidades da ABS e encaminhou tudo para a Justiça para que os responsáveis sejam punidos. Diz – com a espantosa irresponsabilidade daqueles que não tem cultura – que Tabajara é “no mínimo, um dirigente que não apura corrupções”. Vamos ver se, no futuro, diante do juiz, o indivíduo se sentirá tão í vontade como diante do cadáver de Bento Gonçalves …
O que causa maior espécie é o fato de tal elemento não pertencer aos quadros da Universidade. Nem como professor, nem como funcionário, muito menos como aluno. Porque para freqüentar os bancos universitários é requerido, por lei, que o aluno complete seu segundo grau (coisa que tal “escritor” ainda não conseguiu) e ainda passar pelo crivo do vestibular que com todos os seus defeitos, ainda é um método para avaliar aqueles que precisam, para publicar seus textos, de severa correção de regência e de barbarismos gramaticais que fariam Camões dar voltas na tumba.
Como funcionário, tal elemento teria de fazer concurso público, disputa í qual nunca se arriscou. Bem mais fácil é auto-intitular-se “pesquisador”.
Jogou lama nos outros candidatos. Não temos procuração para defendê-los. Sabemos, no entanto, do desconforto causado pela intromissão do indivíduo alheio ao meio universitário, que – nisto faça-lhe justiça – veio cumprir seu coerente papel, isto é, macular tudo onde coloca suas mãos. Não foi í toa que Antonio Fagundes lhe chamou de “corvo”.
Por isso, nosso candidato colocou, na sua proposta de trabalho uma maior articulação com o ensino do primeiro grau. Para que elementos despreparados, como o obtuso pesquisador (?), “travestido de Che Guevara”, possa ganhar mais luzes. Para que seu espírito possa entender que não é visitando latrinas que se faz a história da Universidade. Mas “combatendo o bom combate” como dizia o apóstolo São Paulo. Coisa que, de resto, até agora os reitoráveis vinham fazendo. Até que este inoportuno vomitou na festa.
COMITíŠ PRí“ TABAJARA
ATIVIDADES
1. No texto acima estão explícitas apenas duas das três pessoas gramaticais (quem fala e de quem ou de que se fala).
a) Faça uma lista das palavras ou expressões do texto que remetem í primeira pessoa gramatical.
b) Infira a quem o texto é dirigido, justificando a sua resposta.
c) Copie, numa primeira coluna, substantivos e pronomes do texto que fazem referência direta ao personagem alvo do texto; e, numa segunda, os adjetivos, locuções adjetivas ou similares, que caracterizam esse personagem.
2. Atribua um sentido coerente aos pontos de interrogação colocados entre parênteses depois de certas palavras do texto.
3. Transcreva algumas expressões do texto que evidenciam uma atitude de valorização positiva do(s) autor(es) perante certas informações por ele(s) veiculadas.
4. Sugira alterações ou substituições que deveriam ser feitas no texto para torná-lo mais “educado”, isto é, valorativamente mais neutro.
5. Sob o ponto de vista estilístico, a última frase do segundo parágrafo é uma “frase fragmentária”, que exerce a função de aposto da frase anterior. Transforme-a numa frase sintaticamente independente, fazendo apenas os ajustes indispensáveis.
6. Tanto na primeira quanto na quarta frase do 3º parágrafo há elipse do sujeito.
a) Resgate o sujeito dessas frases.
b) Discuta com seus colegas (ou seu professor) em que contextos pode ser realizada a elipse do sujeito.
7. Aperfeiçoe a seqüência das frases do 3º parágrafo, aproximando as que têm o mesmo sujeito.
8. Reestruture o 4º parágrafo de tal modo que
a) a 2ª frase (fragmentária) se reintegre naquela em que exerce função sintática;
b) a 3ª frase, introduzida pela conjunção coordenativa explicativa “porque”, se reintegre ao período composto por coordenação do qual faz parte;
c) a estrutura da oração “e ainda passar pelo crivo do vestibular” (situada depois da frase parentética) se ajuste í estrutura da oração com a qual se liga pela conjunção “e” (exigindo construção paralela);
d) a pontuação fique de acordo com as normas de uso da língua portuguesa padrão.
9. Para aperfeiçoar seu desempenho na escrita, você ainda pode aproveitar o texto acima para atividades tais como:
a) discutir (ou refletir sobre) a regência do verbo “chamar” , no sentido como é usado no final do 6º parágrafo.
b) corrigir a pontuação de todo o texto;
c) analisar técnicas de construção e uso da frase fragmentária (observando a sua ocorrência no texto acima, sobretudo no último parágrafo e comparando-a com a ocorrência em outros textos).
XXXVII – TEXTO: LIBIDO – Entrada franca (reprodução aproximada)
(Abaixo de um clichê de Sandra Lindo, fotografada de um í¢ngulo frente-lateral, apoiada no piso sobre as mãos espalmadas e os joelhos, cabeça erguida olhando em direção ao espectador, pose que destaca suas “curvas”, encontra-se a seguinte legenda:)
A modelo carioca Sandra Lindo: as curvas mais perigosas da Linha Vermelha
LIBIDO
….
E n t r a d a f r a n c a
Modelos nuas provocam furor em
rua e praia do Rio de Janeiro
Traficantes, assassinos e seqüestradores que se tranqüilizem. Os soldados do 18º Batalhão de Polícia Militar, sediado no bairro carioca de Jacarepaguá, elegeram outro adversário muito mais agradável: modelos profissionais. O primeiro caso aconteceu com Cristina Mortágua, na sexta-feira, 23, quando a modelo era fotografada como veio ao mundo, para a revista Interview, numa praia pouco freqüentada na Barra da Tijuca. Depois de ser impedida pelos policiais de Jacarepaguá de continuar a sessão de fotos, Cristina só escapou de ser presa porque rachou Cr$ 5 milhões de seu cachê com os vigilantes da moral, segundo denunciou.
Na quinta-feira, 29, outro integrante do 18º Batalhão, o tenente-coronel Carlos Abel Costa, resolveu castigar a nudez de Sandra Lindo, que era fotografada sobre a armação metálica da Linha Vermelha. “Ela estava causando retenção no tráfego”, justificou-se o policial, tentando afastar a pecha de moralista. Sandra Lindo explicou, na delegacia, que produzia fotos promocionais para a peça, de sua autoria, Cristiane F., 29 anos, ainda drogada, ainda prostituída. “Eu estava fazendo meu trabalho, não queria chamar atenção”, defendeu-se ela. Ao fim do episódio, mais í vontade, o tenente-coronel reconheceu a beleza da moça. “Ainda mais sem roupa”, completou.
(Revista “Isto é” n.º 1231, de 5/5/93, p. 18 – Seção “A Semana”)
ATIVIDADES
1. Complete:
a) Os dois fatos relatados exemplificam a seguinte tese implícita no texto: _______________
b) O tom irônico dos relatos pode ser comprovado por passagens do texto, tais como: _________.
2. A frase inicial do texto resulta mais de um ato de fala exclamativo do que declarativo. Estruture a mesma frase de forma declarativa: __________________
3. Ao usar a palavra “denunciou”, no final do 1º parágrafo, o autor atribuiu a Cristina Mortágua uma atitude de reprovação frente ao ato praticado pelos policiais e de justificação da atitude da modelo. Se tivesse usado a palavra ______, o autor teria mantido maior dose de neutralidade em relação a esse fato.
4. Transforme a legenda referente í foto de Sandra Lindo em frase ou frases verbais. (“A modelo carioca Sandra Lindo: as curvas mais perigosas da Linha Vermelha”).
5. Use discurso direto para reestruturar a seguinte frase, fazendo as adaptações necessárias: “Depois de ser impedida pelos policiais de Jacarepaguá de continuar a sessão de fotos, Cristina só escapou de ser presa porque rachou Cr$ 5 milhões de seu cachê com os vigilantes da moral, segundo denunciou.” (última frase do 1º parágrafo)
6. Nominalize as orações em negrito dos seguintes períodos: (Cuidado: As frases resultantes da nominalização devem ser gramaticalmente corretas.)
a) “Modelos nuas provocam furor em rua e praia do Rio de Janeiro.” (Subtítulo do 1º texto)
b) “Depois de ser impedida pelos policiais de Jacarepaguá de continuar a sessão de fotos, Cristina só escapou de ser presa porque rachou Cr$ 5 milhões de seu cachê com os vigilantes da moral, segundo denunciou.” (íšltima frase do 1º parágrafo)
7. Faça duas novas versões para a seguinte frase, enfatizando primeiro o sujeito e, depois, o objeto direto: “Ela estava causando retenção de tráfego.” (Frase pronunciada pelo tenente-coronel Carlos Abel Costa.)
8. De acordo com as regras ortográficas da Língua Portuguesa em uso no Brasil (um pouco diferentes das de Portugal), deve ser usado o trema em certos ditongos crescentes. Entretanto, no texto acima, a revista Isto é deixou passar esse uso em brancas nuvens. Revise o texto, usando o trema de acordo com as regras ortográficas.
XXXVIII – TEXTO
A I D S
Outro ponto fraco
Estudos mostram que o vírus
HIV também ataca o miocárdio
O vírus HIV, causador da Aids, também afeta o coração. í‰ o que comprovam dois estudos, pioneiros no País, feitos com pacientes do hospital Gafrée e Guinle, no Rio. No primeiro, realizado pela médica Maria do Carmo Valente Castro com 25 pessoas contaminadas com o HIV, constatou-se que dez delas, ou 40% do total, tinham lesão no miocárdio, o músculo do coração. Seis delas morreram em conseqüência de problemas cardíacos. Outro trabalho, liderado pela imunologista pediatra Norma Rubini com 30 crianças doentes e assintomáticas, mostrou que quatro sofriam de cardiopatias provocadas pelo HIV. “Para conseguir resultados precisos, precisaríamos fazer biópsias em doentes vivos, algo arriscado”, explica o chefe da décima enfermaria do hospital, Carlos Alberto Moraes de Sá. O AZT, de acordo com Moraes de Sá, mostrou-se eficiente na missão de estacionar o desenvolvimento das lesões no miocárdio provocadas pelo HIV.
(O texto acima é complementado por um quadro em que, além do título, subtítulo e das frases transcritas abaixo, mostra a anatomia do coração humano sob a forma de desenho. Nele estão destacadas três partes numeradas, correspondentes í s legendas abaixo, igualmente numeradas):
CORAí‡íƒO MINADO
Como o vírus da Aids provoca insuficiência cardíaca
1. Os vírus se alojam entre as fibras do miocárdio, o músculo cardíaco, e provocam inflamações.
2. Essas inflamações dificultam o funcionamento do miocárdio, que fica com suas funções reduzidas. O quadro é chamado de insuficiência cardíaca.
3. As conseqüências da presença dos vírus no miocárdio são sentidas no pulmão. Isso faz com que o problema seja confundido, algumas vezes, com tuberculose ou pneumocistose (um tipo de pneumonia), doenças comuns em pacientes com Aids.
ATIVIDADES
1. Divida a parte exclusivamente verbal do texto (1º parágrafo) nas seguintes partes, justificando essa divisão: (a) introdução; (b) 1ª parte do desenvolvimento; (c) 2ª parte do desenvolvimento; (d) conclusão.
2. Complete: “No primeiro ___________, realizado pela médica Maria do Carmo Valente Castro com 25 pessoas contaminadas com o HIV, constatou-se que dez delas, ou 40% do total, tinham lesão no miocárdio, o músculo do coração.”
3. Transforme o enunciado seguinte de tal maneira que se torne uma construção paralela com a do enunciado anterior (item 2): “Outro trabalho, liderado pela imunologista pediatra Norma Rubini com 30 crianças doentes e assintomáticas, mostrou que quatro sofriam de cardiopatias provocadas pelo HIV.”
4. Sem se desviar das regras da língua portuguesa padrão, passe as frases abaixo para a ordem inversa:
a) “Seis delas morreram em conseqüência de problemas cardíacos.”
b) “O AZT, de acordo com Moraes de Sá, mostrou-se eficiente na missão de estacionar o desenvolvimento das lesões no miocárdio provocadas pelo HIV.”
5. No seguinte período, nominalize a primeira oração, fazendo as adaptações necessárias na segunda:
“Os vírus se alojam entre as fibras do miocárdio, o músculo cardíaco, e provocam inflamações.” (Primeira frase do “quadro”).
6. Observe que, na seguinte frase (terceira frase) do texto, a primeira oração subordinada indica, também, o agente da ação expressa pela principal: “No primeiro, realizado pela médica Maria do Carmo Valente Castro, com 25 pessoas contaminadas com o HIV, constatou-se que dez delas, ou 40% do total, tinham lesão no miocárdio, o músculo do coração.” Mesmo assim, a voz passiva sintética do verbo principal impessoaliza esse agente. Sem alterar o sentido literal, reestruture todo o período, eliminando a impessoalização.
7. Conecte e adapte as frases transcritas de modo que formem um só período: “As conseqüências da presença dos vírus no miocárdio são sentidas no pulmão. Isso faz com que o problema seja confundido, algumas vezes, com tuberculose ou pneumocistose (um tipo de pneumonia), doenças comuns em pacientes com Aids.” (íšltima frase do “quadro”)
8. Pesquise e explique, através da análise (análise mórfica), o sentido das seguintes palavras do texto: miocárdio, imunologista, assintomáticas, cardiopatias, biópsias, pneumocistose.
XXXIX – TEXTO: País já foi potência sul-americana
ATIVIDADES
1. Numere as partes do texto abaixo de tal modo que o texto, como um todo, fique organizado em seqüência cronológica e lógica.
País já foi potência sul-americana
Hamílton Almeida
( ) Com menos da metade da população do Rio Grande do Sul e um Produto Interno Bruto (PIB) oito vezes menor, o Paraguai, quem diria, já foi uma potência da América do Sul. Hoje com uma população próxima de 4 milhões de habitantes e um PIB da ordem de US$ 4,7 bilhões, o Paraguai exibe grandes espaços vazios. Sua área é cerca de 50% maior que a de nosso Estado e a maior parte das suas atividades econômicas não aparece nos indicadores oficiais: o contrabando e o tráfico de drogas empregam mais de 30% da população economicamente ativa e geram 60% dos negócios locais.
( ) O Paraguai do final do século XX é um arremedo da nação que se desenhava na segunda metade do século passado. Quando se fala, atualmente, em indústria paraguaia, é comum ouvir risos. Ou logo alguém imagina tratar-se de mais uma oficina de falsificação.
( ) Mas em meados do século XIX, o Paraguai possuía uma base industrial de causar inveja: pólvora, munição e peças de artilharia; trilhos de trem, tecidos, papel, tinta e até navios. O Paraguai era a verdadeira “ilha da prosperidade” na América do Sul: não tinha analfabetos (hoje eles somam 12% da população) nem dívidas com a Inglaterra.
( ) A auto-suficiência paraguaia desgostou, obviamente, os interesses imperialistas brití¢nicos. Aproveitando-se das rivalidades fronteiriças existentes, os ingleses financiaram e armaram o Brasil, segundo o historiador Luiz Roberto Lopez, para destruir o projeto nacionalista paraguaio.
( ) MASSACRE – A Argentina, o Uruguai e o Brasil formaram a Tríplice Aliança e esmagaram a potência emergente. A Guerra do Paraguai transcorreu de 1865 a 1870 e foi apresentada í opinião pública como uma luta justa contra um tirano sanguinário – Francisco Solano Lopez.
( ) O massacre foi de tal ordem que 300 mil paraguaios morreram. A Guerra do Paraguai é, até hoje, o maior conflito já travado na América do Sul. Assim, o próspero Paraguai tornou-se tão ou mais pobre que o Haiti. Com o fim da guerra, o poder no Paraguai passou í s oligarquias; solicitaram empréstimos í Inglaterra e uma geração de índios miseráveis e incultos sucedeu a uma geração inteira exterminada nos campos de batalha.
( ) Um século depois, quando a América do Sul se afunda na maior crise econômica da sua história, é o Paraguai que, ironicamente, apresenta a maior taxa de crescimento do PIB. No período de 1981-1990, o PIB do Paraguai evoluiu 36%, segundo estimativas da CEPAL. O Brasil cresceu 17% no mesmo período, enquanto a Argentina e o Uruguai caíram: 13% e 0,9%, respectivamente.
( ) O Paraguai foi descoberto por Sebastião Caboto em 1530. Juan de Ayolas fundou Assunção (1539), o primeiro centro de população espanhola no Rio da Prata. O país era ocupado por índios guaranis que não ofereceram resistência forte aos conquistadores. Os jesuítas colonizaram o país até 1767, quando foram expulsos. O Paraguai foi, então, incorporado ao Vice-Reino de Buenos Aires.
( ) Do antigo vice-reino do Prata saíram três repúblicas: Argentina, Paraguai e Uruguai. O Paraguai foi o primeiro a se declarar independente, em 1810.
(Quadro da reportagem “O PARAGUAI BUSCA DESENVOLVIMENTO” – Zero Hora – Caderno de Economia, p. 8 – 31.03.91)
RESPOSTAS DA ATIVIDADE N. 1: 8, 7, 3, 4, 5, 6, 9, 1, 2.
2. Reescreva o texto “País já foi potência sul-americana”, de Hamílton Almeida, em ordem cronológica e lógica, eliminando os elementos supérfluos (para esta versão), e acrescentando conetivos adequados entre as partes da nova seqüência.
REALIZAí‡íƒO DA ATIVIDADE N. 2:
País já foi potência sul-americana
Hamílton Almeida
(1) O Paraguai foi descoberto por Sebastião Caboto em 1530. Juan de Ayolas fundou Assunção (1539), o primeiro centro de população espanhola no Rio da Prata. O país era ocupado por índios guaranis que não ofereceram resistência forte aos conquistadores. Os jesuítas colonizaram o país até 1767, quando foram expulsos. O Paraguai foi, então, incorporado ao Vice-Reino de Buenos Aires.
(2) Do antigo vice-reino do Prata saíram três repúblicas: Argentina, Paraguai e Uruguai. O Paraguai foi o primeiro a se declarar independente, em 1810.
(3) (Mas) Em meados do século XIX, o Paraguai possuía uma base industrial de causar inveja: pólvora, munição e peças de artilharia; trilhos de trem, tecidos, papel, tinta e até navios. O Paraguai era a verdadeira “ilha da prosperidade” na América do Sul: não tinha analfabetos (hoje eles somam 12% da população) nem dívidas com a Inglaterra.
(4) A auto-suficiência paraguaia desgostou, obviamente, os interesses imperialistas brití¢nicos. Aproveitando-se das rivalidades fronteiriças existentes, os ingleses financiaram e armaram o Brasil, segundo o historiador Luiz Roberto Lopez, para destruir o projeto nacionalista paraguaio.
(5) MASSACRE – A Argentina, o Uruguai e o Brasil formaram a Tríplice Aliança e esmagaram a potência emergente. A Guerra do Paraguai transcorreu de 1865 a 1870 e foi apresentada í opinião pública como uma luta justa contra um tirano sanguinário – Francisco Solano Lopez.
(6) O massacre foi de tal ordem que 300 mil paraguaios morreram. A Guerra do Paraguai é, até hoje, o maior conflito já travado na América do Sul. Assim, o próspero Paraguai tornou-se tão ou mais pobre que o Haiti. Com o fim da guerra, o poder no Paraguai passou í s oligarquias; solicitaram empréstimos í Inglaterra e uma geração de índios miseráveis e incultos sucedeu a uma geração inteira exterminada nos campos de batalha.
(7) O Paraguai do final do século XX é um arremedo da nação que se desenhava na segunda metade do século passado. Quando se fala, atualmente, em indústria paraguaia, é comum ouvir risos. Ou logo alguém imagina tratar-se de mais uma oficina de falsificação.
(8) (Com menos da metade da população do Rio Grande do Sul e um Produto Interno Bruto (PIB) oito vezes menor, o Paraguai, quem diria, já foi uma potência da América do Sul.) Hoje com uma população próxima de 4 milhões de habitantes e um PIB da ordem de US$ 4,7 bilhões, o Paraguai exibe grandes espaços vazios. Sua área é cerca de 50% maior que a de nosso Estado e a maior parte das suas atividades econômicas não aparece nos indicadores oficiais: o contrabando e o tráfico de drogas empregam mais de 30% da população economicamente ativa e geram 60% dos negócios locais.
(9) Mesmo assim, um século depois (do massacre), quando a América do Sul se afunda na maior crise econômica da sua história, é o Paraguai que, ironicamente, apresenta a maior taxa de crescimento do PIB. No período de 1981-1990, o PIB do Paraguai evoluiu 36%, segundo estimativas da CEPAL. O Brasil cresceu 17% no mesmo período, enquanto a Argentina e o Uruguai caíram: 13% e 0,9%, respectivamente.
País já foi potência sul-americana
(Versão copiada do original)
Hamílton Almeida
Com menos da metade da população do Rio Grande do Sul e um Produto Interno Bruto (PIB) oito vezes menor, o Paraguai, quem diria, já foi uma potência da América do Sul. Hoje com uma população próxima de 4 milhões de habitantes e um PIB da ordem de US$ 4,7 bilhões, o Paraguai exibe grandes espaços vazios. Sua área é cerca de 50% maior que a de nosso Estado e a maior parte das suas atividades econômicas não aparece nos indicadores oficiais: o contrabando e o tráfico de drogas empregam mais de 30% da população economicamente ativa e geram 60% dos negócios locais.
O Paraguai do final do século XX é um arremedo da nação que se desenhava na segunda metade do século passado. Quando se fala, atualmente, em indústria paraguaia, é comum ouvir risos. Ou logo alguém imagina tratar-se de mais uma oficina de falsificação. Mas em meados do século XIX, o Paraguai possuía uma base industrial de causar inveja: pólvora, munição e peças de artilharia; trilhos de trem, tecidos, papel, tinta e ate navios. O Paraguai era a verdadeira “ilha da prosperidade” na América do Sul: não tinha analfabetos (hoje eles somam 12% da população) nem dividas com a Inglaterra.
A auto-suficiência paraguaia desgostou, obviamente, os interesses imperialistas brití¢nicos. Aproveitando-se das rivalidades fronteiriças existentes, os ingleses financiaram e armaram o Brasil, segundo o historiador Luiz Roberto Lopez, para destruir o projeto nacionalista paraguaio.
MASSACRE – A Argentina, o Uruguai e o Brasil formaram a Tríplice Aliança e esmagaram a potência emergente. A Guerra do Paraguai transcorreu de 1865 a 187O e foi apresentada í opinião pública como uma luta justa contra um tirano sanguinário – Francisco Solano Lopez.
O massacre foi de tal ordem que 3OO mil paraguaios morreram. A Guerra do Paraguai é, até hoje, o maior conflito já travado na América do Sul. Assim, o próspero Paraguai tornou-se tão ou mais pobre que o Haiti. Com o fim da guerra, o poder no Paraguai passou í s oligarquias; solicitaram empréstimos í Inglaterra e uma geração de índios miseráveis e incultos sucedeu a uma geração inteira exterminada nos campos de batalha.
Um século depois, quando a América do Sul se afunda na maior crise econômica da sua história, é o Paraguai que, ironicamente, apresenta a maior taxa de crescimento do PIB. No período de 1981-199O, o PIB do Paraguai evoluiu 36%, segundo estimativas da CEPAL. O Brasil cresceu 17% no mesmo período, enquanto a Argentina e o Uruguai caíram: 13% e O,9%, respectivamente.
O Paraguai foi descoberto por Sebastião Caboto em 153O. Juan de Ayolas fundou Assunção (1539), o primeiro centro de população espanhola no Rio da Prata. O país era ocupado por índios guaranis que não ofereceram resistência forte aos conquistadores. Os jesuítas colonizaram o país até 1767, quando foram expulsos. O Paraguai foi, então, incorporado ao Vice-Reino de Buenos Aires.
Do antigo vice-reino do Prata saíram três repúblicas: Argentina, Paraguai e Uruguai. O Paraguai foi o primeiro a se declarar independente, em 181O.
(Quadro da reportagem “O PARAGUAI BUSCA DESENVOLVIMENTO” – Zero Hora – Caderno de Economia, p. 8 – 31.O3.91)
3. Tendo em conta a versão original do texto, responda:
Em relação í guerra do Paraguai, Hamílton Almeida (autor do texto) manifestou-se
( ) a favor ; ( ) contra. Justifique a sua resposta com provas extraídas do texto: ________________.
4. Modalize
a) o título do texto, através de metáfora temporal;
b) a primeira frase do 2º parágrafo, através de outro recurso de modalização.
5. Para “ignorar” ou “mascarar” ações condenáveis, o autor, seguidamente, recorre í impessoalização. Que recursos o autor utilizou na impessoalização das duas orações abaixo?
a) “…. e foi apresentada í opinião pública como uma luta justa contra um tirano sanguinário – Francisco Solano Lopez.” (Veja o final do 4º parágrafo)
b) “O massacre foi de tal ordem que 300 mil paraguaios morreram.” (Veja a primeira frase do 5º parágrafo)
6. Pessoalize a segunda e a terceira frases do 2º parágrafo (“Quando se fala …. ouvir risos.” “Ou logo …. falsificação):
a) _______________________ b) _______________________
7. A primeira frase do 4º parágrafo (“A Argentina…. emergente”) é um período composto por coordenação. Transforme-o em período simples, mantendo o sentido original. Para tanto, você pode nominalizar as duas orações (coordenadas) e usar o verbo “ocorrer” como verbo principal (de sentido neutro), além de usar um conetivo para introduzir a primeira parte do período.
8. Classifique as relações lógico-semí¢nticas ou discursivas existentes entre as proposições (separadas por X) apresentadas na segunda parte desta questão de acordo com as indicações apresentadas na primeira. (Atenção: í‰ possível que haja itens que não se enquadrem nas relações lógicas ou discursivas listadas. Se for o caso, deixe os respectivos parênteses em branco.)
(1) Disjunção/alterní¢ncia (2) Temporalidade
(3) Conformidade (4) Modo
(5) Condição (6) Finalidade/mediação
(7) Causalidade (8) Adição/conjunção
(9) Oposição (1O) Contraste
(11) Conclusão (12) Explicação/justificativa
(13) Comprovação (14) Generalização/extensão
(15) Especificação/exemplificação (16) Comparação
(17) Correção/redefinição
( ) … a maior parte das suas atividades econômicas não aparece nos indicadores oficiais: X o contrabando e o tráfico de drogas empregam mais de 30% da população economicamente ativa e geram 60% dos negócios locais. (Ver final do 1º parágrafo)
( ) Quando se fala, atualmente, em indústria paraguaia, X é comum ouvir risos. (2º período do 2º parágrafo)
( ) “Aproveitando-se das rivalidades fronteiriças existentes, X os ingleses financiaram e armaram o Brasil (…).” (Ver segunda frase do 3º parágrafo)
( ) “(….)os ingleses financiaram e armaram o Brasil (….), X para destruir o projeto nacionalista paraguaio.” (Ver final do 3º parágrafo.)
( ) “(…) e foi apresentada í opinião pública X como uma luta justa contra um tirano sanguinário (…)” (Ver final do 4º parágrafo)
( ) “O massacre foi de tal ordem X que 300 mil paraguaios morreram.”
(Início do 5º parágrafo)
( ) “Assim, o próspero Paraguai tornou-se tão ou mais pobre X que o Haiti.” (Terceira frase do 5º parágrafo)
( ) “No período 1981-1990, o PIB do Paraguai evoluiu 36%, X segundo estimativas da Cepal.” (Segunda frase do 6º período).
( ) “O Brasil cresceu 17% no mesmo período, X enquanto …. respectivamente.” (íšltima frase do 6º período.)
( ) “O país era ocupado por índios guaranis X que não ofereceram resistência forte aos conquistadores.” Segunda frase do 7º parágrafo).
XL – NOTíCIA – UMA PROPOSTA DE ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM
Introdução
Entre os diferentes tipos de texto que encontramos no nosso dia-a-dia, destaca-se a notícia.
O “Aurélio”, entre outros conceitos, atribui í palavra notícia o seguinte significado: “3. Resumo de um acontecimento. 4. Escrito ou exposição sucinta de um assunto qualquer.” (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 1ª ed., 15ª impressão. Rio: Nova Fronteira, s/d. p.979).
O Jornal “A Razão”, na primeira página do caderno “A Razão de Ler” de 10.11/10/98 (sábado/domingo), além de ilustrar com fotos uma explicação da “notícia em quatro quadros”, apresenta a seguinte orientação para a sua elaboração:
Para escrever um bom texto, o repórter precisa responder pelo menos a seis perguntas abaixo:
O que?
í‰ a explicação propriamente dita do fato que vai ser contado, logo no primeiro parágrafo. Exemplo: “Uma chuva forte atingiu ontem í tarde Santa Maria, provocando estragos em dezenas de casas. O Corpo de Bombeiros agiu rapidamente e resgatou quatro pessoas de uma mesma família, que estavam debaixo dos escombros de sua casa, no bairro Jardim. O serviço de meteorologia avisou que o mau tempo foi provocado pela chegada de uma frente fria vinda do Sul.” Quem?
í‰ contar, preferencialmente também no primeiro parágrafo, os personagens envolvidos na história. Exemplo: “Uma chuva forte atingiu ontem í tarde Santa Maria, provocando estragos em dezenas de casas. O Corpo de Bombeiros agiu rapidamente e resgatou quatro pessoas de uma mesma família, que estavam debaixo dos escombros de sua casa, no bairro Jardim. O serviço de meteorologia avisou que o mau tempo foi provocado pela chegada de uma frente fria vinda do Sul.” Quando?
Em geral, os fatos retratados na edição ocorreram no dia anterior e são chamados de factuais. Exemplo: “Uma chuva forte atingiu ontem í tarde Santa Maria, provocando estragos em dezenas de casas. O Corpo de Bombeiros agiu rapidamente e resgatou quatro pessoas de uma mesma família, que estavam debaixo dos escombros de sua casa, no bairro Jardim. O serviço de meteorologia avisou que o mau tempo foi provocado pela chegada de uma frente fria vinda do Sul.” Onde?
Significa situar o leitor geograficamente, para que ele possa compreender melhor o impacto do fato narrado. Exemplo: “Uma chuva forte atingiu ontem í tarde Santa Maria, provocando estragos em dezenas de casas. O Corpo de Bombeiros agiu rapidamente e resgatou quatro pessoas de uma mesma família, que estavam debaixo dos escombros de sua casa, no bairro Jardim. O serviço de meteorologia avisou que o mau tempo foi provocado pela chegada de uma frente fria vinda do Sul.” Como?
í‰ dizer de que forma o fato aconteceu, contando suas principais características. Exemplo: “Uma chuva forte atingiu ontem í tarde Santa Maria, provocando estragos em dezenas de casas. O Corpo de Bombeiros agiu rapidamente e resgatou quatro pessoas de uma mesma família, que estavam debaixo dos escombros de sua casa, no bairro Jardim. O serviço de meteorologia avisou que o mau tempo foi provocado pela chegada de uma frente fria vinda do Sul.” Por quê?
A própria pergunta diz tudo: é narrar a origem do fato, com o motivo principal e seus detalhes. “Uma chuva forte atingiu ontem í tarde Santa Maria, provocando estragos em dezenas de casas. O Corpo de Bombeiros agiu rapidamente e resgatou quatro pessoas de uma mesma família, que estavam debaixo dos escombros de sua casa, no bairro Jardim. O serviço de meteorologia avisou que o mau tempo foi provocado pela chegada de uma frente fria vinda do Sul.”
Atividades de aprofundamento teórico:
1. Mencione alguns fatos da atualidade que NíƒO foram notícias.
2. Responda, depois de refletir sobre o assunto:
a) Quem seleciona os fatos que serão notícias?
b) Quais são os critérios para essa seleção?
c) Quais são os critérios que você adotaria?
3. Para construir um conhecimento mais sólido sobre a transformação de fatos em notícias, discuta as respostas do item 2 com seus colegas e o(a) professor(a).
Carro cai no Cadena
Três pessoas ficaram feridas em um acidente ocorrido na avenida Walter Jobim por volta da 1h da madrugada de ontem. Segundo informações da Brigada Militar, o Kadett, placas IGF 6906, caiu no Arroio Cadena quando ia no sentido Bairro – Centro.
O condutor do veículo, Heron Dutra Pessanha, 19 anos, perdeu o controle do automóvel, bateu na mureta da ponte e depois caiu no Cadena. O motorista teve escoreações e outras passageiras: Diulhei Dutra Pessanha, 17 anos, fraturou os braços e Bárbara Borges Veleda, 14 anos, também teve escoreações.
Os três foram atendidos no Hospital de Caridade e até a tarde de ontem continuavam internados.
Observação: No jornal, a notícia acima é precedida por uma foto, abaixo da qual se lê: “Veículo bateu na mureta da ponte e depois caiu no Arroio Cadena.”
(Fonte: Jornal “A Razão” de Santa Maria – Seção “Polícia”, p. 19 – Terça-feira, 13/10/98.)
ATIVIDADES
1. Identifique cada um dos elementos da notícia no texto “Carro cai no Cadena”.
2. Enriqueça seus recursos expressivos, substituindo os termos indicados por outros equivalentes (portanto, sem prejuízo do sentido básico do texto):
a) ficaram feridas (1ª linha): ____________________________
b) quando ia (3ª linha): ________________
3. Reconstrua o 2º período do texto de tal modo que o sujeito da oração principal seja “a Brigada Militar”.
4. Identifique o núcleo do sujeito da 1ª oração do 2º parágrafo. Reconstrua, depois, a mesma oração selecionando outro núcleo do sujeito e avalie a diferença de sentido provocada pela mudança.
5. Identifique o sujeito dos predicados “bateu na mureta da ponte e depois caiu no Cadena” (1º período do 2º parágrafo). Reconstrua, depois, todo o período orientando-se pelas regras de uso da elipse do sujeito. (Em que contextos pode-se fazer a elipse do sujeito?)
6. Caracterize/descreva os desvios sintáticos (os problemas de construção) da 2ª frase do 2º parágrafo. Reconstrua essa frase corrigindo os problemas encontrados (inclusive um de ortografia).
7. Considere a última frase do texto para responder:
a) Por que o uso do masculino – “Os três” – na retomada dos sujeitos das orações anteriores?
b) Quem foi que atendeu os três feridos? (Será que o agente da passiva, sob o ponto de vista sintático, é mesmo um termo integrante? E, sob o ponto de vista semí¢ntico ou pragmático, é sempre relevante?)
c) Que tipo de verbo é “continuavam”, na última oração? Qual é a relação de certos verbos auxiliares (ou de ligação) com a duração de ações, estados ou fenômenos?
Polícia investiga acidente com draga
O Delegado Cesar Renan Rodrigues dos Santos, titular da delegacia do 4º Distrito Policial, em Camobi, está instruindo inqu-érito* para apurar as circunstí¢nci-as* da morte do operário Cézar Augusto Vinques, de 39 anos, que por volta das 12h30min do dia 13 de junho, quando trabalhava na extração de areia para a firma A. Stangarlin, na altura do quilômetro 12 da rodovia BR 392, localidade de Passo do Arenal, foi sugado pelo cardan de uma draga tipo artesanal.
Segundo registro feito no mesmo dia, no Centro de Operações da Polícia Civil, por José Alberto Stangarlin, irmão do patrão da vítima, Airton Antônio Stangarlin, trata-se de um acidente de trabalho. Cézar, que trabalhava sozinho, vestia um macacão que enroscou no cardan da máquina. Com isso morreu trágicamente, pois perdeu a tampa da cabeça, parte do abdome que foi seccionado na região umbilical, perdendo também todo o braço esquerdo, amputado na altura do ombro; o antebraço direito e as pernas.
O trabalho policial se resume em apurar se houve ou não culpa de alguém pela morte do operário. í‰ investigada as condições de trabalho, possibilidade de negligência do patrão ou imprudência da vítima. Uma fotografia juntada aos autos mostra que o cardan estaca** exposto. Para feitura de prova o delegado Renan vai solicitar nos próximos dias a presença, em Santa Maria, de técnicos do Instituto de Criminalística de Porto Alegre, que irão examinar a draga. Cézar Augusto era casado e pai de quatro filhos. (Neuzimar Pacheco).
Observação: O original do texto acima está acompanhado de uma foto – busto do delegado – abaixo da qual se encontra a seguinte legenda: “Delegado Cesar Renan quer perícia do IC”
(Fonte: Jornal “A Razão” de Santa Maria – Seção “Polícia”, p. 19 – Terça-feira, 13/10/98.)
____________________
* Separação silábica adotada no texto original para fazer a translineação.
** Transcrição fiel do texto original.
ATIVIDADES
1. Complete: O assunto/tema do texto é _________. As provas de que esse é o assunto/tema são as seguintes: ______________.
2. Analisando o texto í luz das seis perguntas propostas pelo jornal “A Razão” para a elaboração de um bom texto jornalístico (ver a “introdução” das atividades referentes ao texto anterior), conclui-se que o texto “Polícia investiga acidente com draga” não responde explicitamente í (s) seguinte(s) pergunta(s):¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬ _________________________________.
3. Com base na constatação da questão anterior, discuta com o professor e os colegas: Quando o(s) elemento(s) de narração identificado(s) na atividade 2 pode(m) ser implícito(s) e quando deve(m) ser explícito(s)? ___________________________.
4. Com base nas normas de uso da língua portuguesa padrão, classifique e corrija problemas de desempenho na escrita do texto, conforme as indicações seguintes:
a) Ortografia (incluindo separação silábica e acentuação): _______________________
b) Pontuação: ________________________________
c) Concordí¢ncia: ________________________________
5. Reescreva o final do 1º parágrafo aperfeiçoando o texto quanto í localização do acidente. ________________________________________.
6. Interpretando corretamente os apostos da 1ª frase do 2º parágrafo, responda:
a) Quem é José Alberto Stangarlin? ______________________
b) Quem é Airton Antônio Stangarlin? ____________________
c) Como poderia ser estruturado o mesmo enunciado para tornar seu conteúdo mais claro? _______________________
7. De acordo com a informação da última frase do 2º parágrafo, quais são as partes do corpo que o operário César Augusto Vinques perdeu? __________________
8. Qual seria uma classificação sintática plausível para a oração reduzida de gerúndio (“perdendo…”) no final do 2º parágrafo? ________________
9. Reconstrua o último período do 2º parágrafo tornando-o mais claro e gramaticalmente correto.
10. Descubra uma localização (um enquadramento) mais adequada para a última frase do texto.
Cesta Básica terá três litros de leite longa vida
Brasília – A partir de novembro, a cesta básica do governo para as famílias atingidas pela seca do Nordeste, Norte de Minas e Norte do Espírito Santo passará a contar com três litros de leite longa vida para cada família. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançará já na próxima semana o edital para a compra de 6,5 milhões de litros de leite que serão destinados ao programa.
A distribuição vai atingir 892 municípios que estão em situação de emergência, selecionados pela Sudene. Para os demais municípios atingidos pela seca, o Conselho Executivo do Programa de Distribuição de Alimentos deverá definir nos próximos dias a inclusão na cesta básica do leite em pó.
A distribuição do leite, segundo o presidente da Conab, Eugênio Stefanelo, além de ajudar as famílias carentes do Nordeste vai contribuir com a pecuária leiteira nacional.
(Fonte: Jornal “A Razão” de Santa Maria – Seção “Economia”, p. 28 – SíBADO/DOMINGO, 10.11/10/98.)
ATIVIDADES
1. Com base no texto, complete: De acordo com o 1º parágrafo, o foco da notícia seria a inclusão de três litros de leite “longa vida” na cesta básica das famílias atingidas pela seca. Entretanto, o segundo e o terceiro parágrafos contradizem esse foco, mudando-o para _______________. Conseqüentemente, a manchete da notícia poderia ser: __________________________.
2. Comparando os assuntos dos textos “Carro cai no Cadena” e “Cesta básica terá três litros de leite longa vida”, infere-se que os assuntos de uma notícia podem referir-se tanto a um tempo _________ quanto a um tempo __________.
3. Reconstrua a 2ª frase do texto transformando o substantivo “compra” em verbo, explicando as diferenças sintáticas provocadas por essa transformação.
4. Identifique problemas ou alternativas referentes ao uso da vírgula em todo o texto, propondo e justificando modificações nesse uso.
5. Desloque o complemento nominal da 2ª frase do 2º parágrafo de tal sorte que fique ao lado do nome que o exige. (Observe, também, a contribuição desse deslocamento para a clareza do enunciado.)
6. Coordene as orações do último parágrafo usando a conjunção “e” e explique as diferenças estruturais e as diferenças de sentido provocadas por essa mudança.
Os jornais
Rubem Braga
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
- Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime: “Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz…” Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
“Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, de 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lí¢mpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, beijando-o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: “Meu amor”, ao que ele retorquiu: “Deolinda”. Na manhã seguinte, Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência í s 7,45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que o habitual, pois demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário-da-terra de propriedade do casal.”
A impressão que a gente tem, lendo os jornais – continuou meu amigo – é que “lar” é um local destinado principalmente í prática de “uxoricídio”. E dos bares, nem se fala. Imagine isto:
“Ontem, cerca de 1O horas da noite, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente í rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar “Flor Mineira”, í rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amí¢ncio de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram-se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo-se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar-se í sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto, insistiu, seguindo-se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio do Encantado, e a noite foi bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciário Adalberto Ferreira, residente í rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegado a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada.”
E meu amigo:
- Se um repórter redigir essas duas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida…
Maio, 1951
(ANDRADE, Carlos Drummond de, SABINO, Fernando, CAMPOS, Paulo Mendes, BRAGA, Rubem. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: ítica, 1979-8O. 5 v. p. 46-7)
ATIVIDADES
1. Substitua o título por outro que esclareça melhor o tema (ou assunto) do texto. ____________
2. Considerando o texto “Os jornais” como um todo, pode-se afirmar que suas principais características são de
a) notícia.
b) reportagem.
c) conto.
d) crônica.
e) relatório.
3. Por outro lado, considerando o terceiro e o quinto parágrafos como partes isoladas, podemos dizer que apresentam o estilo de
f) notícia.
g) reportagem.
h) conto.
i) crônica.
j) relatório.
4. Sublinhe as frases que, no texto, expressam a fala do narrador.
5. Agora responda: A quem devem ser atribuídas as demais frases do texto? _____________
6. a) Quantos fatos que se transformaram em notícias foram mencionados no texto? ______.
b) Quantos foram construídos por um dos personagens? ________.
7. Um dos personagens, ao dirigir-se a seu interlocutor, trata este por ________ (tu/você). Marque as palavras do texto que deveriam sofrer alterações se o tratamento fosse invertido. Depois, faça as modificações necessárias (escrevendo-as por cima das linhas).
8. I – Copie, do 2º parágrafo do texto, o tipo de frase que se pede.
a) Declarativa: _____________________________.
b) Interrogativa: ____________________________.
c) Exclamativa: _____________________________.
d) Imperativa: _______________________________.
II – Discuta, com colegas, a seguinte questão: Será que as frases interrogativas do 2º parágrafo têm realmente a função de pergunta? Apresente a conclusão desse questionamento ao professor.
9. Observe a construção da seguinte frase: “Os jornais é que falsificam a imagem do mundo.” (2º parágrafo). Se você excluir a expressão sublinhada, a frase também estará certa. Qual é, então, o sentido de “é que”? Em que outras frases essa expressão pode ser usada? (Responda, consultando alguns colegas e/ou o professor.)
10. a) Marque, no 3º parágrafo, todas as expressões ou palavras que designam a mulher de Augusto Ramos.
b) Em seguida, leia o mesmo parágrafo substituindo as expressões e palavras marcadas por Deolinda.
c) Discuta o resultado dessa substituição com os colegas e o professor.
11. I – Analise as frases abaixo e responda quem realizou as ações designadas pelos verbos sublinhados:
a) “Na manhã seguinte, Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência í s 7,45 da manhã …” (íšltima frase do 3º parágrafo): ________________.
b) “Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes.” (Frase do 5º parágrafo).
II – Com base nas atividades de 11. I, tire alguma lição do uso da Voz Passiva e discuta-a com os colegas e o professor. (Que relação existe entre o agente da passiva indeterminado e o sujeito indeterminado?)
12. Busque o significado da palavra “uxoricídio” no texto (4º parágrafo) seguindo as seguintes etapas:
a) Será que é algo positivo ou negativo? ___________
b) Que semelhança essa palavra tem com homicídio, genocídio, infanticídio? ______________.
c) Será que ela deve ser atribuída a homens ou a animais? _______________
d) O que poderá significar cada uma das partes (ou morfemas) dessa palavra? ________.
e) Qual é o significado atribuído a essa palavra pelo dicionário? ___________________.
13. Lembre-se de que uma notícia, para ser bem redigida, deve responder a seis perguntas: O que? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Tendo em conta esses elementos, avalie a notícia apresentada no 5º parágrafo.
14. Responda: A que conteúdos do texto remetem os seguintes termos?
a) “desse crime” (na antepenúltima linha do 2º parágrafo): _______________________.
b) “assim” (última palavra do 2º parágrafo): ________________________________.
c) “isto” (última palavra do 4º parágrafo): ________________________________.
d) “essas duas notas” (1ª linha do último parágrafo): ________________________.
15. Use seus conhecimentos de análise sintática para resolver as questões abaixo referentes í seguinte frase:
“Reina a maior paz no subúrbio do Encantado, e a noite foi bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciário Adalberto Ferreira, residente í rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegado a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada.” (5º parágrafo).
a) Quem é dona Maria? _______________________________________.
b) Quem reside í rua Benedito, 14? ________________________________.
c) O que há de estranho (ou errado) na coordenação das duas primeiras orações? ____________.
d) Que classificação sintática pode ser dada í s duas orações iniciadas por “tendo”? __________.
e) Como deveria ser reescrita a frase acima para se tornar mais compreensível? _____________.
f) Que efeitos de sentido produz o estilo original da frase? ___________.
16. Transforme o primeiro fato do 5º parágrafo em narrativa do tipo “miniconto”, usando, inclusive, discurso direto.
LEITURA COMPLEMENTAR I
OS FATOS E SUAS VERSí•ES NA REALIDADE BRASILEIRA
Não é de hoje que a versão costuma ser mais importante do que o fato. Aliás, a própria história da humanidade é, geralmente, um somatório de versões, sobretudo, a leitura que dos fatos fizeram os vencedores.
í‰ clássica a norma para pessoas de vida pública: “í€ mulher de César (imperador romano) não basta ser honesta; precisa parecer honesta”.
Todavia, são impressionantes as dimensões que alcançou entre nós esta superioridade da versão sobre o fato. E í s vezes a versão está predeterminada a ser negativa seja qual for o resultado de um fato. Recorrendo ao adágio popular, no caso, temos uma tendência a determinar que as pessoas – especialmente os políticos – sejam presas por terem cão ou sejam presas por não possuírem cão. O que interessa é que sejam presas.
Quando escrevo, não sei ainda qual será o resultado de julgamentos importantes esta semana no Congresso de parlamentares de influência acusados pela CPI que investigou desvios de conduta a respeito da elaboração orçamentária e da gerência na libertação de recursos.
Mas, posso adivinhar as versões. Se forem absolvidos não se questionará se as provas eram realmente insuficientes e de que, afinal, é basilar princípio de cidadania não ser condenado sem provas. A versão será a da pizza, de conchavo, do acórdão.
Se forem condenados não se perquirirá a importí¢ncia de um corpo legislativo acusar e punir membros seus tão importantes. Será dito apenas que os congressistas votaram de olho na próxima eleição, para salvarem a pele própria condenaram outros e assim por diante.
Com cão ou sem cão, a determinação é censura í conduta legislativa.
Fui deputado federal por três legislaturas. Conheço a história do nosso Parlamento em toda a República. Acompanho a vida parlamentar de outros países. Durante toda a nossa vida republicana nunca o próprio Congresso julgou e condenou tantos dos seus membros; por ausência í s sessões, por falsidade ideológica, por falta de decoro parlamentar. Olhando para fora do Brasil encontraremos em toda a história da democracia ocidental apenas dois ou três casos de tantas condenações e punições dentro de um Legislativo.
Isto deveria ser lido como algo extraordinariamente esperançoso. Sociedade civil e estamento político num esforço conjunto pela ética. Mas, a leitura é exatamente contrária: estamos diante do desapreço da opinião pública pelas instituições e os que as integram, o Congresso motiva raivas, ironias e desapreços. Um sentimento de impotência e cansaço marca os seus nabros mais corretos e íntegros.
Para onde está nos levando esta insistente versão dos fatos?
(COELHO, João Gilberto Lucas. Os fatos e suas versões na realidade brasileira. Seção “Opinião” do Jornal “A Razão” – Santa Maria (RS) – 11/05.94, p. 2).
LEITURA COMPLEMENTAR II
(Ler: FIORIN, José Luiz & SAVIOLI, Francisco Platão. Lição 28: Viés. In: Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: ítica, 1990. p. 250-9.)
BIBLIOGRAFIA
ABREU,Antônio Suárez. Curso de Redação. 3 ed., S. Paulo: ítica, 1991.
FIORIN, José Luiz et SAVIOLI, Francisco Platão. (Ou: PLATíƒO & FIORIN.)Para Entender o Texto: Leitura e Redação. São Paulo: ítica, 199O.
FRANCHI, Carlos. Criatividade e Gramática. São Paulo: SE/SENP, 1988. (Xerox)
GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em Prosa Moderna. 11 ed., Rio: Fundação Getúlio Vargas, 1983.
ILARI, Rodolfo et GERALDI, João Wanderley. Semí¢ntica. São Paulo: ítica, 1985. (Série Princípios, n.º 
KOCH, Ingedore G. Villaça. A Coesão Textual. 3a. ed., São Paulo: Contexto, 1991. ______________. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1992.
KREUTZ, Roque Amadeu. Leitura de certas conexões frasais: alguns “pontos” de costura textual. In: Educação para Crescer: Projeto Melhoria da Qualidade do Ensino – Português – 1º e 2º graus. Rio Grande do Sul- Secretaria da Educação, 1992. p. 139-59.
SERAFINI, Maria Teresa. Como escrever textos. São Paulo: Globo, 1989.(Tradução de Maria Augusta Bastos de Mattos; adaptação Ana Maria Marcondes Garcia)
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1996.
ANEXO
ORIENTAí‡í•ES PARA A ELABORAí‡íƒO DE ATIVIDADES: GRAMíTICA EM FUNí‡íƒO DO TEXTO
Objetivo geral: aperfeiçoar a leitura e a produção textual.
Objetivos específicos:
a) reconstruir textos mudando a situação discursiva;
b) avaliar os efeitos de sentido decorrentes de mudanças efetuadas;
c) apreender e justificar o sentido explícito e implícito de um texto.
TIPOS DE ATIVIDADES:
1.Transformar textos orais em textos escritos (e vice-versa: dramatização…).
2. Traduzir a entonação em pontuação (e vice-versa).
3. Traduzir um dialeto em outro.
4. Passar de um registro ou nível de linguagem para outro: transformar textos mais quentes em textos menos quentes (processo de esfriamento de textos), ou vice-versa. (Ver ABREU, 1991, p. 67-79).
5. Mudar o tratamento dado ao enunciatário (em propagandas, receitas, cartas, etc.)
6. Adaptar o texto ao conhecimento prévio do enunciatário. (A hipótese do enunciador deve fundamentar-se em dados objetivos: idade, nível de escolaridade, nível sócio-econômico, crenças, vivências, etc.).
7. Transformar um tipo textual em outro: texto temático em figurativo (dissertação argumentativa, provérbio, etc. em fábula ou estória de exemplo); carta ou receita em relato; notícia em crônica ou texto opinativo; etc.
8. Mudar o foco narrativo: primeira x terceira pessoa.
9. Alterar o foco enunciativo: enunciador em primeira pessoa do singular x primeira pessoa do plural x impessoal
10. Impessoalização x pessoalização de textos:
a) indeterminação x determinação do sujeito;
b) orações sem sujeito x orações com sujeito;
c) orações subordinadas substantivas subjetivas e predicativas (seu valor pragmático);
d) voz passiva sintética + voz passiva analítica com omissão do agente x voz ativa;
e) nominalização x verbalização.
11. Transformar a atitude do enunciador perante o enunciado ou a proposição (modalização):
a) dar nova orientação argumentativa através de outro recorte do tema, incluindo “silêncios” ou omissões do enunciador, e excluindo aspectos que prejudicam o novo enfoque do tema;
b) transformar valorização positiva em negativa (e vice-versa) através de recursos tais como morfemas, palavras ou expressões descritivas x apreciativas/avaliativas, sufixos aumentativos e diminutivos, substantivos, adjetivos, advérbios, verbos de sentido positivo e negativo;
c) escamotear ou explicitar a atitude apreciativa do enunciador através da camuflagem ou evidenciação dos controladores das ações verbais, bem como através do uso de recursos já citados acima;
d) mudar a atitude de relator para comentador (e vice-versa), através de recursos tais como: tempos verbais do mundo narrado x tempos verbais do mundo comentado;
e) mudar o grau de comprometimento do enunciador com o que diz, transformando a certeza em dúvida ou verdade provisória (fatos x boatos; discurso autoritário x polêmico/aberto), usando recursos tais como:
- modos verbais e/ou verbos auxiliares modais (como parecer, poder, dever, etc.);
- impessoalização x pessoalização;
- orações subordinadas substantivas subjetivas e predicativas;
- recursos de modalização já citados anteriormente.
12. a) Mudar um ato de fala primitivo em derivado: pergunta ou exclamação em asserção/declaração (e vice-versa); ordem em pedido; desejo (positivo) em imprecação (negativa), etc.
b) Mudar a expressão de um mesmo ato de fala: ordem através do imperativo, infinitivo, futuro do presente do indicativo; pergunta fechada x aberta; etc.
c) Formar atos de fala derivados: pergunta ou exclamação que é pedido; asserção que é ironia; ordem que é explicação/instrução.
13. Realizar ou eliminar o inter-relacionamento de campos lexicais.
14. Aperfeiçoar a precisão vocabular ou a polissemia (proposital) através da substituição de palavras ou expressões do texto.
15. Reconstruir descritiva ou apreciativamente referências textuais através do uso de sinônimos, hiperônimos, pronomes, elipses, palavras e expressões apreciativas, etc.
16. Transformar o tempo da enunciação em tempo do enunciado através do uso adequado de tempos verbais e advérbios de tempo: ontem x dia anterior; amanhã x dia seguinte; etc.
17. Mudar a seqüência ou ordem cronológica para ordem psicológica ou lógica através de recursos como “flash back”, uso do pretérito mais que perfeito, etc.
18. Transformar textos narrativos do passado (tipo relato) para o presente (tipo comentário) e para o futuro (tipo previsão).
19. Mudar a topicalização ou a ênfase de termos do enunciado:
a) passando enunciados da ordem direta para a ordem inversa (e vice-versa);
b) usando expressões enfáticas (é que, é…que) para termos que se pretende colocar em destaque;
c) usando objeto direto e indireto pleonásticos; o pronome “me” (sem função sintática) etc.;
d) usando os pronomes “mesmo” ou “próprio” para sujeitos que se quer enfatizar;
e) reconstruindo períodos compostos por subordinação pela transformação de oração subordinada em principal, passando esta a subordinada.
20. Converter discurso direto em indireto (e vice-versa): valor pragmático das orações subordinadas substantivas objetivas diretas.
21. Transformar descrições com frases verbais para descrições com frases nominais, usando ou omitindo verbos de ligação (esvaziados de sentido) ou proformas verbais (verbos de sentido genérico: fazer, acontecer).
22. Transformar períodos simples em compostos (e vice-versa).
23. Idem, orações subordinadas desenvolvidas em reduzidas (e vice-versa); orações adjetivas em adjetivos (e vice-versa); etc.
24. Transformar períodos compostos por subordinação em frases fragmentárias e vice-versa.
25. Usar diferentes recursos gramaticais e lexicais para expressar as relações lógico-semí¢nticas e discursivas que ocorrem entre:
a) proposição e um termo dessa proposição;
b) proposição x proposição;
c) unidade semí¢ntico-pragmática constituída por um grupo de proposições x unidade semí¢ntico-pragmática constituída por outro grupo de proposições;
d) unidade semí¢ntico-pragmática constituída de uma proposição x unidade semí¢ntico-pragmática constituída por um grupo de proposições;
26. Nominalizar orações e verbalizar sintagmas substantivos, adjetivos, adverbiais.
27. Justificar o sentido explícito de um enunciado através de sua decomposição em constituintes imediatos: determinante x determinado de cada nível hierárquico.
28. Idem, através da formulação de perguntas específicas, cujo foco abranja uma função semí¢ntico-sintática de cada vez. (O que é que pode ser perguntado e respondido através de nossa língua?)
29. Justificar o sentido implícito de um texto através da elucidação das circunstí¢ncias da enunciação e das marcas lingüísticas do enunciado ou texto.
ALGUNS EXEMPLOS DE ATIVIDADES: TRANSFORMAí‡í•ES MORFO-SINTíTICAS EM MINI-TEXTOS SEM QUE OCORRA ALTERAí‡íƒO DO SENTIDO DENOTATIVO (SENTIDO BíSICO):
1. Clivagem/transformação ênfase – O plano Bresser seguiu a trilha do Plano Cruzado. Foi o Plano Bresser que seguiu a trilha do Plano Cruzado. O Plano Bresser é que seguiu a trilha do Plano Cruzado. Foi a trilha do Plano Cruzado que o Plano Bresser seguiu. A trilha do Plano Cruzado é que o Plano Bresser seguiu.
2. Topicalização – O governo está fugindo de suas responsabilidades quando estimula campanhas como “Criança Esperança”. De suas responsabilidades o governo está fugindo quando estimula campanhas como “Criança Esperança”. Quando estimula campanhas como “Criança Esperança”, o governo está fugindo de suas responsabilidades.
3. Apassivação – Collor afirmou que mataria o tigre da inflação com apenas uma bala. Foi afirmado por Collor que mataria o tigre da inflação com apenas uma bala. Collor afirmou que o tigre da inflação seria morto por ele com apenas uma bala. Foi afirmado por Collor que o tigre da inflação seria morto por ele com apenas uma bala.
4. Modalização – (a) Sem alteração das funções sintáticas dos termos da oração matriz: Os partidos de esquerda acentuaram suas semelhanças para formarem um único partido forte de oposição ao governo neoliberal. Os partidos de esquerda podem/devem ter acentuado suas semelhanças para formarem um único partido forte de oposição ao governo neo-liberal. Os partidos de esquerda teriam acentuado suas semelhanças para…. Os partidos de esquerda certamente (provavelmente/posssivelmente) acentuaram suas semelhanças para…. (b) Com alteração da estrutura frasal: í‰ provável/possível que os partidos de esquerda acentuaram suas semelhanças para formarem um único partido forte de oposição ao governo neo-liberal. A verdade é que os partidos de esquerda…
5. Permuta da oração matriz ou principal – Conforme foi denunciado pelo Sindicato dos Jornalistas, a grande imprensa brasileira fez uma montagem do confronto que ocorreu entre colonos sem-terra e Brigada Militar em Porto Alegre, porque estava a serviço de interesses político-ideológicos. Em Porto Alegre ocorreu um confronto entre colonos sem-terra e Brigada Militar, sobre o qual a grande imprensa brasileira fez uma montagem porque estava a serviço de interesses político-ideológicos, conforme foi denunciado pelo Sindicato dos Jornalistas. Foi denunciado pelo Sindicato dos Jornalistas que a grande imprensa brasileira, porque estava a serviço de interesses político-ideológicos, fez uma montagem do confronto que ocorreu entre colonos sem-terra e Brigada Militar em Porto Alegre.
6. Nominalização de orações e verbalização de sintagmas nominais (dos segmentos grifados) – (a) O operário trabalha e gera lucros para o patrão: O trabalho do operário gera lucros para o patrão. (b) Os patrões promovem os operários que geram mais lucros; isso mantém uma “sadia” competição entre os trabalhadores: A promoção, pelos patrões, dos operários que geram mais lucros mantém uma “sadia” competição entre os trabalhadores. (c) Como existe um grande contingente de desempregados, explicam-se a competição por um emprego e o achatamento salarial. Com a existência de um grande contingente de desempregados, explicam-se….. (d) Um fato intrigante da última eleição foi: muitos cidadãos humildes atribuíram uma enxurrada de votos a Sérgio Zambiasi. Um fato… foi a atribuição, por cidadãos humildes, de uma enxurrada de votos a Sérgio Zambiasi. (e) Desejo a condenação severa de todos os corruptos: Desejo que todos os corruptos sejam condenados severamente. Ou: Desejo que condenem severamente todos os corruptos. (f) Graças í exploração de mão-de-obra barata existente no terceiro mundo, as multinacionais crescem geometricamente: As multinacionais crescem geometricamente porque exploram a mão-de-obra barata existente no terceiro mundo. (g) A notícia da execução de um senador, candidato ao Governo de Rondônia, por um pistoleiro, é mais importante do que a fila da miséria do povo, formada por candidatos a lixeiros de Brasília: A notícia de que um pistoleiro executou um senador, candidato ao Governo de Rondônia, é mais importante do que a fila da miséria do povo, formada por candidatos a lixeiros de Brasília.
7. Conexão implícita x conexão explícita – No mês passado, o governo enxugou ainda mais a liquidez. A inflação continua subindo. São monopólios e cartéis que controlam os preços aqui no Brasil. No mês passado, o governo enxugou ainda mais a liquidez, mas a inflação continua subindo porque são monopólios e cartéis que controlam os preços aqui no Brasil. Ou: Embora, no mês passado, o governo tivesse enxugado ainda mais a liquidez, a inflação continua subindo, uma vez que são monopólios e cartéis que controlam os preços aqui no Brasil.
8. Fragmentação x reconstrução de períodos – “(O sem-terra) passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar í terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.” (Luiz Fernando Veríssimo – ZH de O2.10.86)